Política

Proposta aos Partidos da FIT-U da Argentina

Venezuela: contra as sanções imperialistas e pela liberdade dos trabalhadores presos

A partir do PTS da Argentina propomos aos partidos da Frente de Esquerda - Unidade iniciar uma campanha permanente que leve à frente ao mesmo tempo a luta contra as sanções imperialistas e a luta pela liberdade dos trabalhadores presos.

Christian Castillo

Dirigente do PTS, sociólogo e professor universitário

terça-feira 13 de outubro| Edição do dia

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A Venezuela vive uma situação crítica, com salários que estão até abaixo de um dólar! A isso se soma a escandalosa lei votada irregularmente pela Assembleia Nacional Constituinte, denominada “anti-bloqueio” , que autoriza o Poder Executivo chefiado por Maduro a entregar empresas e recursos naturais, violando expressamente a Constituição da República Bolivariana, questão que gerou oposição até mesmo em setores do governo.

Por sua vez, os Estados Unidos, após sua tentativa frustrada de emplacar Juan Guaidó como presidente, continua a impor uma política abertamente intervencionista, com uma infinidade de sanções econômicas e políticas que procuram acabar de sufocar a economia da Venezuela e que só agravam o sofrimento de todo o povo venezuelano.

As políticas repressivas do governo de Maduro, cada vez mais baseadas nas forças armadas, incluem a perseguição e até a prisão de dezenas de dirigentes sindicais e trabalhadores militantes, vítimas da ampla arbitrariedade do regime. Somam-se as ações extrajudiciais realizadas pelas FAES (Forças de Ações Especiais) da Polícia Nacional Bolivariana, com o pretexto de “combater o crime organizado”.

O judicialização e a criminalização da atividade sindical, as lutas trabalhistas e, em geral, as reivindicações e denúncias dos trabalhadores, têm se intensificado nos últimos meses, com o aumento dos casos de trabalhadores processados ​​ou diretamente presos. Em alguns casos, eles foram agredidos diretamente em suas casas por órgãos de segurança pública. Estes novos casos somam-se a uma lista deplorável em que já existiam casos emblemáticos como o de Rodney Álvarez, detido há vários anos. A estes se juntaram outros detidos mais recentemente, entre os quais Darío Salcedo, Marcos Sabariego, Bartolo Guerra, Alfredo Chirinos e Aryenis Torrealba.

Nos mesmos dias em que se negociavam perdões para políticos de oposição de direita, seis camponeses foram privados da liberdade por abuso policial e depois a acusação foi verificada como falso positivo pela Força de Ação Especial (FAES) da Polícia Nacional Bolivariana na comunidade de La Virgen, Comuna Máximo Vizcaya, município de Bruzual, estado de Yaracuy. Seus familiares denunciaram que o juiz, sem comparecer à audiência e sem conhecer as denúncias, já tinha uma decisão, segundo o Ministério Público, com pena de cinco anos, afirmando que seria tudo em benefício do grupo Ebenezer que se dedica à produção avícola em Yaracuy.

Também há forte perseguição contra diferentes forças políticas que questionam o governo de Maduro pela esquerda, algumas das quais o apoiaram até recentemente.
Essa ação repressiva está a serviço de evitar que se multipliquem as demandas dos trabalhadores contra as medidas de ajuste do governo. A profunda crise social que atinge todos os setores venezuelanos não é apenas produto das sanções imperialistas, mas também da política de Maduro, que continuou pagando a dívida externa e avançou na entrega de petróleo e outros recursos naturais (algo que se propõe a aprofundar) aplicando ao mesmo tempo brutais ajustes econômicos anti trabalhadores e antipopulares, eliminando a perspectiva de contratações coletivas, autorizando demissões em massa, dando passe livre ao capital privado para violar direitos trabalhistas, destruindo benefícios sociais, promovendo a liberalização e a dolarização dos preços das mercadorias. Tudo isso se pretende aprofundar com a nova lei entreguista, chamada cinicamente de “anti-bloqueio”.

Na Venezuela, uma das iniciativas mais relevantes para denunciar esta situação foi a união de diferentes organizações e de familiares de trabalhadores presos e perseguidos ocorrida no dia 27 de junho para promover ações em prol da demanda #LiberenATrabajadoresPresos. Participaram dela a Liga dos Trabalhadores pelo Socialismo (LTS), Marea Socialista, Partido do Socialismo e da Liberdade (PSL), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da UCV (SINATRA), Federação Unitária dos Sindicatos Bolivarianos do Estado Carabobo (Fusbec), Organização Indígenas interculturais Wainjirawua La Guarura, parentes de Darío Salcedo, Lxs Comunes, Movimiento Popular Alternativo (MPA), grupo da juventude anticapitalista Barricada, Liga Unitaria Chavista Socialista (LUCHAS), trabalhadores de base da Maderera Masisa e do Ministério do Trabalho.

O imperialismo norte-americano usa a repressão do governo Maduro para favorecer suas políticas intervencionistas e para lavar a cara dos governos de direita da região, alguns dos quais praticam repressões indiscriminadas contra seus próprios povos, como Piñera no Chile, Añez na Bolívia ou o de Duque na Colômbia, onde cerca de 1200 dirigentes políticos e de movimentos sociais assassinados desde a assinatura dos acordos de paz. Esse foi o sentido da resolução aprovada no Conselho de Direitos Humanos da ONU (onde houve 22 votos a favor, 22 abstenções e 3 contra), que foi votada a favor pelo governo de Alberto Fernández junto com governos amigos de Trump na região.

Esta situação levanta duas posições que temos de enfrentar com clareza. Por um lado, aqueles que, com base no caráter quase ditatorial e repressivo do regime venezuelano, argumentam que é necessário agir para enfrentá-lo em conjunto com as forças de direita e pró-imperialistas. Há inclusive quem, nessa perspectiva, defenda que foi correto votar favoravelmente no Conselho de Direitos Humanos da ONU, equiparando essa situação às denúncias feitas durante a ditadura militar argentina à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Esta visão ignora não apenas a diferença evidente de magnitude entre as duas situações (na Venezuela o regime é fortemente repressivo, mas não está cometendo um genocídio), mas por sua vez, naquele momento não existiam na Argentina (até então com uma ditadura genocida) sanções imperialistas contra o país, nem tentativas de golpe pro ianque, como os que existem agora na Venezuela.

A outra posição que enfrentamos é a que, devido à existência de uma verdadeira agressão imperialista contra a Venezuela, se recusa a enfrentar a política repressiva do governo de Maduro, suas políticas de ajuste e rendição e suas contínuas violações das liberdades democráticas elementares, como ocorre com setores do kirchnerismo que se opunham ao voto do governo na ONU.

Nossos camaradas do LTS venezuelano (que fazem parte junto ao PTS da Fração Trotskysta - Quarta Internacional e a Rede Internacional La Izquierda Diario) sempre mantiveram uma posição independente do Chavismo e denunciaram as repressões e o ajuste de Maduro ao mesmo tempo que enfrentaram na linha de frente às ofensivas imperialistas e a direita.

A partir do PTS propusemos aos partidos da Frente de Esquerda - Unidade (com a qual nos mobilizamos tanto contra a tentativa de golpe de Guaidó quanto à Embaixada da Venezuela denunciando os prisioneiros trabalhadores de Maduro) iniciar uma campanha permanente que leve à frente ao mesmo tempo a luta contra as sanções imperialistas e também a luta pela liberdade dos trabalhadores presos. Ambas as demandas, lembramos, fazem parte dos pontos programáticos votados na Conferência Virtual da América Latina e dos Estados Unidos, da qual participaram 50 organizações de todo o continente.

Acreditamos nesta tarefa urgente, favorecer o surgimento de uma oposição de esquerda ao governo de Maduro, que pode prevenir o desastre que a combinação de suas políticas e agressão imperialista levou a favorecer: a saída da direita ou a continuidade de um um regime que, para além de sua retórica, está cada vez mais se mostrando entreguista, anti-operário e anti-popular.

Traduzido de:https://www.laizquierdadiario.com/Venezuela-contra-las-sanciones-imperialistas-y-por-la-libertad-de-los-presos-obreros-y-populares?utm_source=lid&utm_medium=tw&utm_campaign=article-social-actions




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