Mundo Operário

Trens sem cabine na linha 15: Operadores e passageiros em risco

Você sabia que os operadores de trem do Monotrilho não tem cabine para trabalhar? Pois é, ficam expostos aos riscos de estar em contato com os passageiros ao mesmo tempo que monitoram e operam o trem.

Rodrigo Tufão

diretora do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

quarta-feira 16 de setembro| Edição do dia

Foto: GUILHERME LARA CAMPOS/A2 FOTOGRAFIA

Nesse período de pandemia, um cinturão foi colocado nos carros de comando visando manter um distanciamento mínimo entre o operador e o usuário. Essa medida é para resguardar o funcionário e o passageiro por conta do risco de contaminação dentro do trem, já que o operador fica muitas horas ali dentro durante o dia. Porém a direção da empresa quer retirar esse cinturão de isolamento sem nenhuma justificativa depois de uma matéria da Globo, mostrando que a segurança sanitária não faz parte das prioridades de quem comanda o Metrô.

Como o governo Bolsonaro, o governo Doria mostra que o lucro está a cima da vida. Estão promovendo uma abertura irresponsável da economia sem testes massivos ou vacina, querendo inclusive fazer as nossas crianças voltarem as aulas presenciais, ao mesmo tempo que mantêm o transporte público cada vez mais precário para a população e negligenciam a segurança de quem está trabalhando. É isso que deixa a população aglomerada no transporte lotado, correndo risco desnecessário. Mas ao invés de apontar isso, a Globo protege o governo e coloca a responsabilidade da superlotação do transporte em um cinturão que garante o distanciamento para o operador de trem, que não faz somente uma viagem, e sim fica exposto o dia todo, ao custo de reservar 1,5m do comprimento de um trem de 86m . Os Metroviários e a população não devem aceitar isso. Os operadores de trem exigem cabines de operadores em todos os trens da linha 15, garantindo a segurança da operação para os passageiros e a segurança biológica dos funcionários que fazem a linha funcionar.

A linha 15 já demonstrou inúmeros problemas desde sua inauguração em 2015. São falhas e acidentes constantes, mostrando que ela não é o projeto de transporte mais eficiente e seguro para a região. A opção do governo pelo modal do monotrilho, um transporte usado para regiões com baixa densidade populacional, o que não é o caso da zona leste, faz os funcionários e a população correrem riscos, amargando longos períodos da linha fechada por conta de falhas e acidentes, como o ocorrido em fevereiro de 2020, deixando a linha paralisada por meses.

Além disso a empresa começou a distribuir máscaras de pano para os funcionários, substituindo em grande parte as máscaras N95. Como em hospitais, o transporte é um local de alto risco de contaminação, visto o tempo que o funcionário fica exposto ao contato com milhares de pessoas, máscaras de pano não são EPIs para esses funcionários, mesmo assim a empresa continua a distribuir máscaras de pano sem se preocupar com a vida dos trabalhadores. Por isso os operadores de trem da linha 15 se reuniram nessa quarta feira(16) e decidiram que não vão aceitar a mudança que a empresa quer impor no cinturão de isolamento, se o governo Doria e seus chefes no metrô não se importam com as vidas que transportamos em nossos trens, os operadores se importam e vão lutar.Nossas vidas valem mais que o lucro deles!




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