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Sociedade | Mulheres às ruas no 3J: lutar por uma greve geral contra Bolsonaro, Mourão e os ataques

Em meio ao agravamento da pandemia, crise, desemprego e fome, as mulheres são as que mais sofrem com as consequências do sistema capitalista. No Brasil, o cenário é ainda pior, com as mulheres negras nos piores postos de trabalho, sujeitas a todo tipo de barbárie, tendo que assistir seus filhos morrerem pelas balas da polícia. No entanto, as trabalhadoras são muitas e, diferente da imagem da donzela do lar que Damares insiste em propagandear, elas têm fúria. Por isso, contra Bolsonaro, Mourão, Damares e todo esse regime miserável, todas devemos marchar nas ruas dia 3 de Julho.

Pão e Rosas@Pao_e_Rosas

sexta-feira 2 de julho | Edição do dia

A cada semana, o reacionarismo bolsonarista e a miséria que a política do golpe reserva às trabalhadoras e trabalhadores fica mais pujante. Com o país ultrapassando a marca de 510 mil mortos, Bolsonaro não se importa com a vida dos brasileiros. Esse governo, que reúne as figuras mais reacionárias, fruto do golpe institucional de 2016, age somente para o lucro dos empresários e banqueiros, superfaturando vacinas, aprovando a privatização da Eletrobras, recebendo a Copa América (ou Cepa América) e dando parecer favorável o Marco Temporal anti-indígena para o PL 490. Além disso, ministras como Damares Alves representam que o que é reservado para as mulheres nesse sistema é somente o ódio, a miséria e a privação de direitos. Prova disso é que sequer uma criança de 10 anos, que era sistematicamente estuprada por um familiar, pôde abortar sem que Damares e sua trupe machista tentasse perseguir e criminalizar a menina.Esse governo, dia após dia, pensa formas de piorar a vida das mulheres e das LGBTs, criando medidas e portarias para restringir o direito ao aborto garantido por lei e endossando normas machistas e LGBTfóbicas nas escolas.

Exemplos de como esse governo jorra ódio às mulheres não faltam, e é necessário perceber que todos esses ataques fazem parte de um mesmo projeto de país. Os componentes desse regime, STF, Congresso, Senado, governadores, Bolsonaro, Mourão e militares estão juntos para atacar as trabalhadoras. Por isso, não basta confiar que apenas tirando o presidente e colocando outro no lugar a situação irá melhorar. Tampouco se pode confiar que a CPI da Covid que, na verdade, é um grande teatro orquestrado pela direita golpista para tentar descolar-se da figura desgastada de Bolsonaro, vai acabar com a barbárie bolsonarista.

Diferente de setores da esquerda como o PT, PCdoB, PSOL, PCB, UP e PSTU que realizaram um pedido de impeachment junto de figuras da direita como Kim Kataguiri, Joice Hasselmann e o misógino Alexandre Frota, não se pode confiar numa política que seria levada a frente por Arthur Lira, e que colocaria o reacionário e racista Mourão no lugar. Além de centrar as forças no impeachment, que fortalece esse regime golpista, esses setores da esquerda apontam como horizonte de saída eleger Lula em 2022, quando o próprio já anunciou que prepara a privatização da Caixa Econômica Federal, acenando que governará com os golpistas, em prol dos empresários. Também, vale lembrar que durante os anos que o PT esteve no governo, as mulheres não obtiveram avanços nas suas lutas, com Dilma assinando a “carta ao povo de deus”, em que comprometia-se com sua base evangélica a não legalizar o aborto, deixando dezenas de mulheres morrerem todos os anos por abortos clandestinos.

Diante desse cenário, não há tempo a perder, é necessáriose enfrentar diretamente com as bases do regime que ataca a classe trabalhadora, e não deixar com que os atos sirvam para fortalecer as eleições de 2022. Somente a classe trabalhadora pode dar uma saída de fundo para essa crise.

As centrais sindicais como a CUT e a CTB querem continuar dividindo nossa luta e impedindo que os trabalhadores entrem em cena, para transformar tudo em política eleitoral para Lula. Por isso, é preciso que as mulheres, ombro a ombro dos companheiros homens, da juventude e do povo pobre, sejam o sujeito dessa batalha, por meio de uma greve geral com um plano de luta contínuo para realmente derrubar Bolsonaro, Mourão e os militares pela força da luta. Para isso, os setores que se colocam à esquerda do PT devem ser um pólo antiburocrático, construindo assembleias de base nos locais de trabalho e estudo onde dirigem, para conformar um comitê nacional pela greve geral, exigindo das burocracias sindicais que organizem esse processo pelas bases. Também, para varrer esse regime golpista por inteiro, é necessário construir uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, em que os trabalhadores elejam seus representantes, revogáveis a qualquer momento, onde seja o povo e não esses poderes a decidirem as regras do jogo.

Por isso, nós do grupo internacional de mulheres Pão e Rosas, chamamos todas as mulheres a irem às ruas no sábado, dia 3 de Julho, contra Bolsonar
o, Mourão, exigindo que as centrais sindicais convoquem uma greve geral contra todos os ataques e para que os trabalhadores levantem, por meio da luta, uma assembleia constituinte livre e soberana. Parafraseando Trotsky, é preciso enxergar a vida com o olhar das mulheres, no caso Brasil, das mulheres negras, que estão fartas da miséria que esse regime têm a oferecer, as quais não têm nada a perder a não ser seus grilhões.




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