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EDITORIAL | Greve geral para derrubar Bolsonaro, Mourão, os ataques e impor uma nova Constituinte

Rumo às manifestações do dia 3 de julho é necessário debater com qual política e programa a classe trabalhadora e a juventude devem intervir diante da crise política no país.

Diana AssunçãoSão Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 29 de junho | Edição do dia

Os escândalos de corrupção no governo Bolsonaro superfaturando vacinas, enquanto 500 mil morreram pela covid-19, se somam a todos os ataques como as reformas, cortes e privatizações para descarregar a crise sobre nossas costas. Os ataques não param, tanto do governo federal, quanto do Congresso, do STF e dos governadores. Agora temos a ofensiva contra os povos indígenas, a privatização da Eletrobrás, a reforma administrativa e diversas privatizações.

A CPI, cheia de golpistas, quer evitar o protagonismo das ruas, dos trabalhadores e da esquerda na luta contra o governo Bolsonaro-Mourão e relegitimar as instituições e os políticos que foram protagonistas do golpe institucional, da Lava Jato e que são parte da aprovação de todos os ataques contra nós. Eles querem fortalecer uma “terceira via”, a direita tradicional, para as eleições e desresponsabilizar estes setores da grave crise do país que eles também construíram. São objetivos que se enquadram substancialmente nos planos do Partido Democrata e de Joe Biden, nos Estados Unidos: o imperialismo ianque busca exercer “máxima pressão de desgaste” sobre Bolsonaro, enfraquecendo para que tenha que se disciplinar a seus interesses, e para que em 2022 tenha chance alguma alternativa de direita alinhada aos Democratas e não a Trump, aproveitando todos os ajustes da extrema direita e assegurando uma transição eleitoral pacífica em que a política de Bolsonaro não seja um ponto de apoio à campanha de Trump nas eleições de meio-período nos EUA.

Diante deste cenário não há tempo a perder: não podemos aceitar que a disposição de luta da juventude e dos trabalhadores seja canalizada para atos de pressão com conteúdo eleitoral, que não vão derrubar Bolsonaro e parar esses ataques. É preciso que os trabalhadores entrem em cena com sua enorme força em uma greve geral, junto à juventude e ao povo pobre, com um plano de luta contínuo para realmente derrubar Bolsonaro, Mourão e os militares pela força da luta. As centrais sindicais como a CUT e a CTB querem continuar dividindo nossa luta e impedindo que os trabalhadores entrem em cena, para transformar tudo em política eleitoral para Lula, que está articulando uma “frente ampla” com partidos de direita.

Assembléias de base e Comitê Nacional pela Greve geral

Lutamos por assembleias de base em cada local de trabalho e estudo para organizar essa greve geral, com milhões nas ruas e um plano de luta até derrotar os ataques de todos os governos. As correntes da esquerda precisam dar exemplo nos locais de trabalho e estudo que dirigem.

Chamamos todos os setores que se colocam à esquerda das burocracias que dirigem majoritariamente o movimento de massas a colocar de pé um Comitê Nacional pela Greve Geral exigindo que estas direções burocráticas construam essa greve com um plano de luta. Um Comitê como este poderia reunir milhares de militantes e ativistas em cada canto do país que estão no campo dos que dizem que querem ir além de atos rotineiros e eleitorais. Poderiam organizar uma campanha nas bases das grandes centrais pela Greve Geral combinado a uma forte exigência às suas direções, que feita de maneira unificada, poderia ter força para impor um verdadeiro plano de luta e uma Greve Geral, que pode ser convocada para o 13 de julho, quando algumas organizações já estão chamando um novo ato. Seria um dia de paralisação nacional que teria que ser parte de um plano de luta para derrubar o governo e parar os ataques.

Esse caminho seria diferente do impeachment, defendido pelo PT, PSOL, PCdoB, PCB, UP, PSTU e PCO e também pela direita como PSL, MBL, entre outros, que é uma armadilha para nossa luta pois vai colocar no poder um militar racista como o general Mourão, que adora a ditadura, defende o mesmo programa que Bolsonaro e pode terminar refortalecendo o regime que está se debilitando já que o triunfo de um impeachment depende da unificação do Congresso e do STF ao redor de um novo “candidato”, Mourão, o que representaria um fortalecimento, não enfraquecimento, do regime. Também não podemos aceitar que a luta das ruas e a insatisfação que cresce contra Bolsonaro seja canalizado para as eleições de 2022, porque até lá muitos outros ataques serão aprovados, como quer o PT e Lula, que já disse que perdoa os golpistas e se nega a reverter todos os ataques que vieram com o golpe institucional.

Por uma nova Constituinte imposta pela luta

Muitos dizem que é preciso defender a Constituição de 88 porque a direita está querendo acabar com ela, mas a verdade é que o golpe institucional e o país que vivemos hoje já rasgou até mesmo o pouco que tinha de conquistas naquela Constituição e governam com todo tipo de autoritarismo.

O que quer dizer a “Assembleia Constituinte Livre e Soberana” que viemos defendendo para mudar as regras do jogo e varrer esse regime golpista? Seria em base à dissolução do atual Congresso e da Presidência, com poderes soberanos sobre todas as instituições do regime político e mudaria todo o sistema político e judiciário. Seria conformada por novos representantes do povo eleitos por bairros pelo país, que poderiam ser 1 para cada 100 mil eleitores, conformando uma grande assembleia com 2100 representantes de todo o país. Qualquer trabalhador ou jovem poderia se candidatar sem ter que ser filiado a partido. Estes representantes deveriam ganhar o salário de uma professora e serem revogáveis pelos seus eleitores se não cumprem com a defesa da população. Ser livre e soberana quer dizer que não tenha os limites que teve a de 1988, que foi tutelada pelos militares e muitos direitos que estão no papel nunca viraram realidade.

Nós somos comunistas e lutamos por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo. Mas, como setores amplos das massas trabalhadoras ainda não compartilham dessa perspectiva, estamos dispostos a defender junto aos trabalhadores e jovens, frente à crise dramática no país, todas as demandas democráticas da população contra as instituições golpistas desse regime. Propomos lutar por uma nova Constituinte, Livre e Soberana, que seria o mais democrático que pode haver no marco da democracia representativa. É uma ilusão pensar que apenas trocando um presidente se transformaria a vida real da classe trabalhadora, do povo pobre e dos setores oprimidos, enquanto continuar o peso dos militares e de todas as instituições reacionárias deste regime, como o Congresso e STF. É necessário enfrentar todas essas instituições com nossa mobilização independente. Numa Constituinte como essa, poderíamos discutir uma saída de fundo para que a crise seja paga pelos capitalistas, como o não pagamento da dívida pública e a revogação de todas as reformas que vieram com o golpe.

A luta por uma Constituinte como essa e o que ocorreria se fosse convocada ajudaria a que muitos compreendessem a necessidade de os trabalhadores colocarem de pé seus organismos de auto-organização para enfrentar a repressão da classe dominante contra as resoluções da Constituinte, abrindo espaço para a luta por uma nova sociedade através de uma revolução, por um governo dos trabalhadores que ponha fim ao capitalismo.

Veja também: Bolsonaro vai cair?




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