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Misógino reconhecido, Bolsonaro diz que violência doméstica é culpa da quarentena

Em mais uma de suas abjetas declarações o presidente, conhecido por seu histórico machista e misógino, disse que a responsabilidade pelo aumento da violência doméstica é a falta de comida em casa, e que “quando todos brigam ninguém tem razão”.

segunda-feira 30 de março| Edição do dia

Enquanto milhares de pessoas estão morrendo vítimas da Covid-19 em todo mundo, Bolsonaro está em campanha ativa para defender os lucros dos patrões, obrigando os trabalhadores a voltarem para seus locais de trabalho sem nenhuma garantia de segurança contra a pandemia . Como se não bastasse todas as abjetas declarações que vinha fazendo nos últimos dias, agora o presidente tentou usar da violência doméstica contra as mulheres para embasar sua campanha para intensificar ainda mais a exploração da classe trabalhadora, mesmo com o avanço da doença no país e no mundo. Segundo o presidente, as mulheres estão apanhando mais devido a falta de comida nas casas dos trabalhadores e a solução contra isso seria obrigar todos a voltarem para o trabalho. Bolsonaro, que sempre foi um misógino de primeira linha teve a cara de pau de fazer a seguinte declaração:

“Tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Como é que acaba com isso? Tem que trabalhar, meu Deus do céu. É crime trabalhar?”

Essa asquerosa declaração reafirma como Bolsonaro não se preocupa nem um pouco com a vida das mulheres. Segunda a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), houve um aumento de 18% nos casos de denúncias de violência doméstica desde que começou a quarentena. Num país que já possuía uma das maiores taxas de violência de gênero em todo mundo. Mas para o direitista que sempre fez apologia ao machismo e chegou a declarar que não estupraria uma deputada porque ela não merecia, o motivo da violência contra as mulheres seria somente a falta de comida em casa, como se não houvesse opressão de gênero. Um absurdo tão grande, quanto a conclusão irresponsável de mandar todos voltarem ao trabalho, sendo que nem o mínimo, que são equipamentos básicos de proteção e testes massivos, vem sendo garantido pelos governos e patrões.

Capitalismo e patriarcado fizeram um casamento tão bem sucedido, que toda violência e opressão contra as mulheres é hoje bastante funcional para a manutenção dos lucros da classe dominante. Manter as mulheres como responsáveis pelo trabalho doméstico, embasando esse argumento numa inexistente habilidade maior do gênero feminino para essas tarefas, nos obrigando a ter duplas ou até triplas jornadas de trabalho, foi a solução perfeita para que os capitalistas pudessem aumentar seus lucros não tendo que pagar por um trabalho que é vital para a manutenção da vida de todas as pessoas. A própria defesa da família que Bolsonaro e a ministra Damares Alves tanto fazem, não é em nome das relações de amor e afeto que o capitalismo busca minar todos os dias, mas sim, uma defesa dos valores patriarcais que buscam colocar as mulheres como seres inferiores e acaba por legitimar a violência cotidiana a que todas nós estamos submetidas, sendo os casos de agressão uma das suas expressões mais visíveis.

No capitalismo, a opressão milenar contra as mulheres é perpetuada dia a dia em nome da exploração de uma classe sobre a outra. Ao contrário do que diz Bolsonaro, a violência doméstica não acontecesse somente pela falta de pão nas casas dos trabalhadores, mas porque existe uma ideologia reacionária que busca dividir a classe trabalhadora, colocando as mulheres como seres inferiores e subordinados, nos tratando como uma propriedade e não como seres humanos. O aumento dos casos de violência frente ao agravamento da pandemia, diante da situação de quarentena e isolamento social a que parte da população está submetida, é uma expressão de como a ideologia reacionária da burguesia é a principal responsável pela violência contra as mulheres, e como em momentos de crise, onde se sente mais duramente os contornos da exploração, também se intensificam os casos da opressão machista.

Ao usar da situação das mulheres para justificar sua defesa de que os trabalhadores precisam voltar a ser ultra explorados em nome dos lucros dos grandes empresários, Bolsonaro reafirma como para ele a vida das mulheres é o que menos importa. Se durante toda sua vida ele buscou perpetuar essa ideologia machista, agora diante da crise do coronavírus segue sem apresentar até mesmo medidas básicas para lutar contra essa dramática situação. Diante dessa situação, o mínimo que o Estado deveria fazer era ampliar enormemente as equipes para a prevenção, acolhimento e assistência às mulheres vítimas de violência. Apresentar medidas emergenciais como assegurar habitações, abrigos temporários e casas de acolhimento estatal, custeadas pelos impostos das grandes empresas e fortunas do país, para todas as mulheres (e seus filhos) que estão passando por um processo de violência de gênero e não tem casa própria ou cuja sua permanência implica uma ameaça à integridade física, psicológicas e/ou sexual. Avançando em propostas de subsídios para as mulheres vítimas de violência, que as permita sair do cerco econômico no qual implica uma relação de poder, além de licenças trabalhistas imediatas. Medidas pelas quais o movimento de mulheres internacional vêm lutando há anos, e que frente a pandemia do coronavírus e o agravamento da crise em todos os âmbitos, se tornam ainda mais elementares na luta em defesa da vida das mulheres, que passa também por se organizar contra esse sistema que está mostrando toda sua falência ao ser incapaz de combater uma doença que ele mesmo criou.




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