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Melo reafirma linha bolsonarista em primeiro debate do 2º turno em Porto Alegre

Na manhã desta quarta-feira (18) ocorreu o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre, Manuela D'Ávila (PCdoB) e Sebastião Melo (MDB), organizado pela Rádio Gaúcha. O debate teve alguns pontos importantes. Veja a seguir uma breve análise sobre o debate.

quarta-feira 18 de novembro| Edição do dia

O debate começou pelo tema da pandemia, onde Melo reafirma sua proximidade com a linha negacionista de Bolsonaro. Melo defendeu a todo custo a reabertura da economia, falando pouco ou quase nada sobre as condições sanitárias impostas aos trabalhadores. Sobre a possibilidade de vacina afirmou que "não vamos obrigar ninguém a tomar vacina (...) toma vacina quem quiser", deixando evidente que não será critério estar imunizado para trabalhar. Além disso, essa afirmação de Melo é um falsa polêmica, pois o que a realidade aponta é que uma possível vacina tende a ser negada para a maioria dos trabalhadores.

Saiba mais: Contra Bolsonaro e Dória, defendemos todas as medidas contra a covid e o direito à vacina para todos!

Manuela rebate o negacionismo de Bolsonaro e toma como exemplo o governo de Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão. O mesmo governador que reabriu a economia e tentou emplacar a volta às aulas presenciais, tudo sem as devidas condições sanitárias, mesmo com 100% dos leitos de UTI ocupados na capital São Luiz. Ou seja, para combater o negacionista bolsonarista representado por Melo, apresenta uma política que zela pelo lucro dos empresários em prol da vida de milhares de trabalhadores. Além de tudo isso, Flávio Dino se pinta de oposição ao Governo Federal, mas aplicou a nível estadual a reforma da previdência, atacando brutalmente os trabalhadores, principalmente as mulheres.

Seguindo o debate, os candidatos trataram de outros temas, como o IPTU, transporte público, situação das mulheres na cidade, segurança, entre outros.

Sobre o transporte público, Melo, como já denunciamos aqui, reafirma sua sanha privatista dizendo que "esse negócio de ’tudo público’ (...) não funciona em nenhum lugar do mundo". Uma política desprezível que busca aumentar o poder dos empresário do transporte da cidade, setor que já manda e desmanda em Porto Alegre. Manuela, por sua vez, defende a criação de um fundo para subsidiar a baixa do preço da passagem.

Passando de ponto: a situação das mulheres em Porto Alegre. Em um dos pontos fortes dessa parte, Manuela denunciou que Melo sequer cita "mulheres" em seus materiais de campanha. Também defendeu atender toda a demanda por vagas na educação infantil, hoje faltando cerca de 7 mil vagas. Melo, seguindo sua linha (e de Bolsonaro) de desprezo às mulheres, afirmou que "não tem condições de, em um governo só, colocar 6 mil crianças para dentro". O dinossauro da política gaúcha "esqueceu" de falar que foi vereador por 3 mandatos, vice-prefeito e deputado estadual. A questão é que o acesso à educação infantil é um direito previsto na Constituição de 88, mas nunca foi realmente cumprido. Melo, como atual representante do bolsonarismo, além de garantir que não vai cumprir a lei constitucional, promete que manterá essa situação absurda que afeta principalmente as mulheres trabalhadoras.

Por fim, um ponto que Manuela fez questão de enfatizar que tem em comum com Melo: a segurança pública. Manuela deu ênfase em aumentar a verba para a guarda municipal e o "cercamento eletrônico" da cidade, aumentando a vigilância do aparato repressivo do estado sob a cidade. Na prática, sabemos que as câmeras sempre apontam para o lado mais pobre, periférico e negro da cidade, assim como a polícia em suas abordagens racistas. Melo, sem apresentar discordância alguma, defendeu escolas em turno integral e um "combate severo às drogas". Melo, como citamos no parágrafo anterior, sequer irá atender a demanda para a educação infantil, vai garantir turno integral? Além dessa demagogia descarada, a farsa da guerra às drogas é na verdade uma política de perseguição, assassinato e encarceramento da população negra e pobre. Além disso, Melo e Manuela concordam com o aumento de verba para a repressão, representada pela Guarda Municipal. Essa mesma GCM que espanca ambulantes no centro da cidade para garantir os lucros dos grandes capitalistas.

Nós do Esquerda Diário somos parte dos que querem derrotar Melo, toda a direita local e também Bolsonaro, os militares e o regime golpista. Sabemos, entretanto, que essa derrota só se dará pelas mãos da classe trabalhadora organizada, junto às mulheres, negros, LGBTs e todos os setores oprimidos, em uma grande luta nacional que se enfrente também com todas as reformas impostas nos últimos anos e as privatizações.




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