Gênero e sexualidade

8M ESTADO ESPANHOL

Madri: governo proíbe manifestações do 8M, “vamos às ruas e que nos prendam se tiverem coragem”

A Delegação do Governo de Madri proíbe também as concentrações com capacidade reduzida a não mais de 500 pessoas que já estavam se preparando em quatro locais de Madri. Uma violação escandalosa do direito de manifestação. O Pão e Rosas chama todos e todas a se mobilizarem e não acatarem a proibição.

quinta-feira 4 de março| Edição do dia

Aquele que se apresentava há apenas um ano atrás como o governo “mais feminista da história” decidiu proibir todas as manifestações e concentrações do 8M na cidade de Madri. Assim foi comunicado nesta manhã pela Delegação do Governo, que já tinha restringido as mobilizações a uma capacidade máxima de 500 pessoas.

“Depois de estudar detalhadamente cada uma das petições apresentadas e tendo em conta as possíveis confluências de distintas concentrações multitudinárias em várias zonas de Madri, foi tomada a firme decisão de proibir todas as manifestações e concentrações convocadas”, declarou a Delegação do governo de Madri, ou seja, o representante do governo “progressista”, em um comunicado.

Há apenas alguns dias, a ministra da saúde tinha dito que “não tem lugar” para as manifestações do 8M e depois isso se concretizou nas restrições de concentrações com não mais de 500 pessoas, que já estavam se preparando em quatro praças de Madri. Mas nem isso permitiram. A justificativa é que em Madri segue tendo altos índices de contágios. Como denunciava recentemente Lucia Nistal, militante da CRT, organização irmã do MRT do Brasil, e também parte do grupo internacional de mulheres Pão e Rosas (em espanhol, Pan y Rosas), enquanto proíbem as manifestações de mulheres, permitem as aglomerações “no transporte ou nos locais de trabalho e estudo, onde milhares de mulheres trabalhadoras e jovens estão expostas ao contágio”.

Tradução do tweet para o português: “O governo ‘progressista’ proíbe mobilizações da esquerda. Ao mesmo tempo que não tomam as medidas urgentes para as maiorias, querem garantir que não podemos protestar. Temos que tomar as ruas!”

Isso se trata de uma enorme violação de um direito fundamental, o de manifestação, que o governo “progressista” só nega à esquerda e aos movimentos sociais. Assim fez com outra mobilização em defesa dos serviços públicos e pela república no último 14 de fevereiro, na manifestação dos aposentados e agora nas do 8M.

Enquanto tanto as manifestações da direita e extrema direita, inclusive as de caráter fascista, como a recente homenagem à Divisão Azul (unidade de voluntários espanhóis e portugueses que apoiavam o exército nazista), contam com autorização e presença da Polícia Nacional como convidada especial. Isso foi denunciado por Josefina Martínez da CRT e também do Pão e Rosas, que chamou todos a desobedecerem as proibições com um contundente “vamos para as ruas e que nos prendam se tiverem coragem”.

Tradução do tweet para o português: “O governo proíbe as concentrações do #8M2021. Não podemos permitir! Vamos para as ruas e que nos prendam se tiverem coragem. Deixam a direita, mas proíbem as mulheres de se manifestar!!!!”.

A ministra da Igualdade de Oportunidades, Irene Montero, até agora não falou absolutamente nada diante dessa violação do direito à manifestação. Uma cumplicidade absurda com essa decisão liberticida do governo que há um ano se vendia como o “mais feminista da história”, mas que se incomoda com as manifestações de mulheres nas ruas.

Tradução do tweet para o português: “Vocês se lembram quando começaram a falar de conselho de ministras e dizer que estava chegando um novo governo feminista com @IreneMontero para tornar o feminismo uma bandeira do governo? Pois este governo acaba de proibir todas as manifestações em Madri para o 8M”

Tradução do tweet para o português: “O governo de Madri proíbe as convocatórias para o 8M em Madri. Não vão nos deter! Somos as filhas e netas das mulheres, das trabalhadoras e das imigrantes que vocês nunca puderam parar! Às ruas sem as nossas Irene Montero, o feminismo ministerial não irá nos parar”.

O PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e Unidas Podemos estão há muito tempo trabalhando para uma desativação do movimento feminista, porque preferem um feminismo moderado e ministerial, mas essa medida de agora ultrapassou todos os limites: querem diretamente amordaçar a principal jornada de luta e mobilização pelos direitos das mulheres. Como declaram as mulheres do Pão e Rosas, é uma proibição que não podemos acatar. Neste 8M, mais do que nunca, as ruas têm que se encher de roxo e violeta. Que sejamos milhares de mulheres dizendo que nossos direitos são conquistados com luta e não entregaremos um direito tão elementar como o de manifestação.




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