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MINAS GERAIS

MG: Conflitos por acesso a água entre empresários e população tem aumento de 14% em 2020

Os conflitos pelo acesso à água em regiões de Minas Gerais entre donos de mineradoras, latifundiários e a população tiveram aumento de 14% em relação a cinco anos atrás, ocorrendo um salto de 57 localidades com conflitos hídricos para 65 no último ano.

quarta-feira 6 de janeiro| Edição do dia

Foto: rio Jequitinhonha/ Gazeta de Araçuaí On Line

O relatório publicado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, intitulado Gestão e Situação das Águas em Minas Gerais, de 2020, revelou um aumento alarmante das áreas de conflito hídrico – aquelas onde a demanda pelo uso da água é maior que a capacidade de concessão de uso -, em 14% desde 2015.

Segundo o relatório, há cinco anos, o número de locais onde a água captada não era suficiente para todos que dependiam do seu uso era de 57. Em 2020, esse número se ampliou para 65. O relatório do IGAM aponta como responsável por esse aumento a intensificação do uso da água pelo grande latifúndio e os mineradores, além alterações no ciclo hidrológico.

As regiões mais afetadas pelos conflitos pela escassez de água em Minas Gerais são o norte e noroeste. E são regiões do estado que historicamente possuem condições sociais mais desfavoráveis, e onde tem bacias hidrográficas muito importantes como a do São Francisco e Jequitinhonha, além de serem áreas invadidas pelo grande empresariado das minas e os fazendeiros do latifúndio, que usam da água de forma extremamente abundante para manterem seus lucros, ao mesmo tempo em que a população fica sem acesso a água a mercê da sede e da fome.

O relatório ainda responsabiliza o setor agropecuário por 72% do aumento da captação dos recursos hídricos no estado. A indústria consumiu outros 9% e o abastecimento público e consumo humano corresponderam a 15%.

Por causa da política entreguista de “passar a boiada” defendida pelo governo Bolsonaro, o ano de 2020 foi um ano de ataques extremamente brutais ao meio ambiente. Em Minas Gerais não foi diferente nas comunidades que dependem de recursos hídricos e que precisam disputar com as grandes mineradoras e latifundiários o acesso ao direito básico de usar a água.

O governo de Romeu Zema do partido Novo, alinhado com o Governo federal de Bolsonaro que atuou e ainda atua para aplicar mais ataques ao meio ambiente vem demonstrando que a prioridade da gestão é o lucro dos empresários tanto do setor agropecuário que tem prioridade sobre o uso da água ,ao contrário das populações locais, quanto no setor da mineração, onde crimes como o da Vale, que destruiu uma das bacias hidrográficas mais importantes do estado ,o rio Doce , e tirou centenas de vidas de trabalhadores e moradores segue impune, além da iniciativa de privatização de dezenas de parques e áreas de preservação que guardam recursos minerais estratégicos.




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