BRUMADINHO

Fruto do desleixo capitalista, famílias em Brumadinho seguem sofrendo com vazão de lama

Dois anos após o crime da Vale em Brumadinho, o município segue sofrendo com o descaso das mineradoras. Um novo vazamento de lama deixou moradores do Córrego do Feijão em clima de preocupação, desde a manhã de sexta-feira (19) efluentes sólidos sob responsabilidade da MIB Mineração Ibirité Ltda alagaram a estrada que liga as comunidades de Casa Branca e Córrego do Feijão, na região conhecida como “Reta do Jacó”.

segunda-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

O vazamento fluiu também para dois afluentes do Rio Paraopeba, o mesmo segue contaminado com os rejeitos tóxicos da Vale, dois anos depois do rompimento da Barragem I, da Mina do Córrego do Feijão, que deixou 272 pessoas mortas.

A comunidade do Córrego do Feijão foi a mais afetada pelo crime da Vale, no povoado foram 27 pessoas mortas e um ano após o rompimento, 49 famílias já haviam deixado o local, por conta de traumas ou por terem suas propriedades compradas pela mineradora.

Em matéria para Brasil de Fato, Atamaio Ferreira ex-segurança da Vale, que mora na comunidade há mais de 30 anos disse:

“Isso aconteceu nesta proporção seis anos atrás. Nessa época, a gente colocou umas manilhas e limpou tudo. Para suportar só o que desce da área da Vale, aí tudo bem, estava aguentando. Só que essa mineração da MIB agora ela começou a lavrar também na cabeceira, aí foi duas caídas e o serviço que a gente fez não aguentou”
Atamaio também contou que o derramamento é reincidente nos períodos de chuva, e nunca é, de fato resolvido pelas mineradoras que atuam na região, MIB e Vale.

Em nota para o jornal O Estado de Minas na última sexta-feira (19), empresa MIB Mineração Ibirité Ltda informou que a lama não é toxica, pois “a empresa não opera com o sistema de barragem de rejeito e não tem nenhuma barragem de rejeito em operação ou desativada”. A mineradora definiu o acidente como “um pequeno carreamento de sólidos” causado pelas chuvas.

A nascente antes da atuação das mineradoras era usada para irrigação e consumo próprio das famílias do Córrego do Feijão. Indignado com o posicionamento da MIB, Atamaio questionou

“É evidente que eles vão falar que aquilo ali não tem nada a ver, que aquilo não contamina. Mas como uma lama daquela não contamina? Onde passa uma lama daquela não nasce nada” o ex-funcionário da Vale revelou.

Eu me preocupo muito porque, além de a gente ter vidas lá embaixo, temos o meio ambiente que está sendo prejudicado daqui até chegar no Paraopeba”, completa.

A população de Brumadinho segue sofrendo com o tamanho descaso que o capitalismo tem com suas vidas, no Córrego do Feijão onde 27 pessoas perderam suas vidas no pior crime ambiental no Brasil, onde 49 famílias não tiveram como ficar em suas casas, as mineradoras como a Vale seguem lucrando ao máximo, com recordes nos valores de suas ações. As perdas e a impunidade seguem com o aval dos governadores e do judiciário, um governo que além de beneficiar os grandes capitalistas da mineração segue em defesa do agronegócio brasileiro. Por isso nós do Esquerda Diário colocamos que a luta por justiça é também pela estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular.

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