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Ensino híbrido do Rossieli: ficar exposto ao vírus e trabalhar o dobro

Conversamos com uma professora da rede pública estadual de São Paulo que trabalha na capital do estado, sobre como é a rotina de uma professora com o ensino híbrido implementado e propagandeado pelo secretário de educação de Doria, Rossieli Soares. Dá para resumir assim: “ficar exposto ao vírus e trabalhar o dobro”.

sábado 29 de maio| Edição do dia

Estamos longe de a pandemia acabar e longe das escolas voltarem a ser ambientes seguros, ao menos contra a Covid. Muito pelo contrário, desde a reabertura insegura das escolas, só no estado de São Paulo são foram centenas de mortes de educadores e milhares de contaminações. Estamos à beira de uma terceira onda da pandemia no estado e no país, mas as escolas seguem abertas e tudo indica, como diz Rossieli, o secretário de educação do Dória, serão os últimos estabelecimentos a fechar. Preocupado com a educação das nossas crianças e jovens? Não. Preocupados de verdade apenas com os interesses dos empresários da educação.

Mas desde que as escolas foram reabertas no estado de São Paulo foi inaugurado o tal do Ensino híbrido na rede. Modalidade que o Rossieli disse que veio para ficar. Parte presencial parte à distância para os alunos, mas para os professores quer dizer trabalho em dobro, como essa professora de uma escola da rede pública estadual da cidade de São Paulo nos diz:

“Tenho que dar aula presencial e postar na plataforma ao mesmo tempo, estou trabalhando dobrado agora! Passo o dia todo tomada pelo trabalho, muitas vezes não é possível postar junto e temos que fazer no nosso intervalo, ou justamente no horário em que poderia preparar minhas aulas. Agora então, quando que eu preparo as minhas aulas? Além disso também preciso tirar as dúvidas do aluno que está no remoto, mas muitas vezes não é possível fazer isso tudo no horário da escola, sou uma pessoa só!”

E fora isso os professores ainda precisam dedicar grande parte do seu tempo fazendo um interminável trabalho burocrático lidando com as instabilidades e precariedades do sistema de registros escolares. Nos últimos as reclamações sobre o sistema SED eram um dos principais assuntos entre os professores nas escolas e nas redes sociais.

Veja em: Indignação com trabalho burocrático e apagões do diário digital vira memes entre educadoress

“Quando acaba nossa jornada com as aulas começa o a terceira jornada de preencher o sistema SED. Que é interminável, você pensa que acaba uma coisa, mas nunca acaba. Terminou de preencher uma parte já tem outra. Assim que terminamos de preencher tudo do primeiro bimestre já começamos a preencher do segundo. A gente não vence. É insuportável!”

Relatos como esse são parte daquilo que virou o trabalho docente com a reabertura das escolas e o ensino híbrido em curso. O que Rossieli e Doria vendem como futuro da educação, estamos vendo que é mais exploração dos educadores e precariedade de ensino para os alunos. Só quem ganha mesmo são os empresários das plataformas educacionais.

Veja mais: Maratona pedagógica: Professora como foi seu primeiro bimestre?




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