Política

ELEIÇÕES 2020

Eduardo Paes sinaliza para ter Rodrigo Amorim como vice, mal menor bolsonarista?

Percebendo a pouca inserção de sua figura entre os setores evangélicos e conservadores, Eduardo Paes faz um cálculo eleitoral para obter votos. O ex-prefeito, que é opção para o “mal menor” de parte do eleitorado progressista presta sua confiança para a extrema-direita quando lhe convém.

Carolina Cacau

Professora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

terça-feira 25 de agosto| Edição do dia

Imagem: Extra

Foi dessa forma no segundo turno de 2018, quando providenciou um santinho com uma foto ao lado de Bolsonaro para competir com Witzel.

Se na aparência, por vezes, Paes ataca a extrema-direita, a prática é outra história. Até mesmo essa deformação enganosa de seu discurso pode ir embora, caso esse seja o cálculo eleitoral. Ambos os lados dessa história querem colocar a classe trabalhadora carioca na sarjeta e tornar o Rio terra arrasada em 2021.

Eduardo Paes é esse ex-prefeito que fez empreiteiros e a máfia dos ônibus viverem como reis, e enquanto jorrava dinheiro para suas obras faraônicas, removia 60 mil pessoas de suas casas sem qualquer indenização digna. De seu projeto, o que importava era a realização do lucro. Paes também fez cortes bilionários na saúde e implementou o sistema de Organizações Sociais, que terceiriza a saúde para empresários lucrarem com um direito. A Iabas, que saqueou os cariocas em plena pandemia, prestou serviços à prefeitura em sua gestão.

Agora até mesmo sua fachada de “democrata” está caminhando para o ralo. Sinaliza ter o deputado estadual Rodrigo Amorim como seu vice, esse mesmo que quebrou a placa da Marielle, assassinada brutalmente sem respostas até hoje e que se refere ao laranja Queiroz como “o cara”, seu “irmãozão”. Isso é a maior demonstração que essa pinta de se colocar como “mal menor”, rapidamente se transmuta para se igualar ao “mal maior”.

Escolher Paes como mal menor de Crivella é como escolher entre dois tipos de venenos, que tem efeitos diferentes, mas são igualmente fatais.

No marco de que há uma reaproximação entre o PSL e Bolsonaro, o posto do partido está em uma disputa em aberto sobre o apoio do partido a Crivella ou a Paes. Recentemente, Crivella cotejou ter Major Fabiana para o posto de vice e agora Paes procura Rodrigo Amorim. De fato, não são princípios que guiam o PSL para essa disputa. Post no Twitter sobre o tema:

Precisamos construir um terreno nessa eleição para preparar para os grandes embates que vem pela frente. A crise econômica aguda afetará em cheio a cidade no próximo período e os grandes empresários serão audaciosos em não querer pagar por essa crise. Vão querer empurrar – com Crivella ou Paes – para que uma classe trabalhadora numerosa, sofrida, precária e que ficou espremida entre o desemprego, a fome e a pandemia pague com sua vida para garantir os lucros.

Esse cenário aponta a necessidade de levantar um programa nessas eleições para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Por isso, em minha pré-candidata do MRT por candidatura democrática pelo PSOL a vereador, estou levantando a necessidade de uma reforma urbana radical, que seja implementada pela auto-organização dos trabalhadores em aliança com o povo pobre, que possa garantir que todos tenham acesso a moradia digna, direito ao tempo, ao lazer e ao saneamento básico.




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