Política

Doria impõe lockdown noturno após recorde de internações, mas aulas e comércio seguem durante o dia

Enquanto mantém o funcionamento normal das atividades durante o dia, Doria impôs restrições a circulação no período entre as 23h e as 5h. O governador fecha o olho para o transporte lotado, para as escolas abertas sem as devidas condições sanitárias.

quarta-feira 24 de fevereiro| Edição do dia

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

O governador tucano João Doria impôs restrições à circulação no período das 23h as 5h em todo o estado. A medida passa a valer a partir desta sexta-feira 26 e vale até o dia 14 de março.

Principais pontos da nova medida:

  • Serviços essenciais, como postos de gasolina, transporte público e supermercados, podem funcionar no horário de restrição.
  • Bares, restaurantes e comércios não podem operar no horário. No entanto, esses estabelecimentos já eram restritos pelo Plano SP, e devem fechar às 20h ou às 22h, a depender da região do estado.
  • Escolas públicas e particulares podem funcionar seguindo os protocolos já estabelecidos.
  • Na prática, governo diz que vai endurecer fiscalizações no horário das 23h às 5h.
  • Polícia vai fazer blitze de orientação à noite, mas não serão aplicadas multas para pessoas que estiverem nas ruas após as 23h.

Um dia após São Paulo atingir novo recorde de internações pela COVID-19, com 6.500 pessoas internadas em leitos de UTI, o tucano buscou fazer alguma demagogia para se mostrar preocupado com o agravamento da pandemia no estado. Entretanto, é evidente a nulidade da medida, que segue permitindo todo tipo de aglomeração durante o dia, como bem sabe todo trabalhador que utiliza o transporte público, ou os professores e os alunos que tem enfrentado duras condições no retorno às aulas.

O discurso de Doria se apoia na responsabilização individual e na repressão, alegando que junto da medida irá aumentar a fiscalização e o combate às festas clandestinas. Enquanto durante toda a pandemia, o governador foi negligente com as medidas consequentes de combate à propagação do vírus, como a realização de testes massivos, se vale dessa estratégia de individualização para fugir a sua responsabilidade. Mais uma medida demagógica de Doria que desmonta seu discurso de preocupação com as vidas, o governador busca evitar nova ira dos comerciantes que já protestaram contra as medidas de lockdown.

O vírus não respeita horário de circulação, são necessárias medidas consequentes para conter a sua propagação e a sobrecarga do sistema de saúde. Por isso, seguem necessárias a realização de testes massivos, a ampliação das vagas de UTI de forma permanente, contratação de profissionais da saúde. É preciso batalhar por todas essas medidas, assim como pela vacinação de toda a população, que por mais que Doria faça sua demagogia se promovendo com a Coronavac, a lentidão da campanha de imunização mostra que só será conquistada com a quebra de patentes e a estatização dos laboratórios das grandes farmacêuticas.




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