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STMC | Desafios dos servidores de Campinas passada a eleição sindical

Nos últimos dias 22 e 23 de setembro aconteceram as eleições para o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC). O resultado foi a continuidade de uma direção burocrática e pelega em um dos sindicatos mais importantes da região. Frente a isso, e todo um cenário de ataque aos trabalhadores por parte dos governos enquanto seguimos em uma crise sanitária que já tirou quase 600 mil vidas, quais são os desafios dos servidores de Campinas?

Guilherme ZanniProfessor da rede municipal de Campinas.

sexta-feira 1º de outubro | Edição do dia

Na última semana aconteceu a eleição para o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC). Terminado esse processo, o resultado foi mais um mandato da chapa que já era direção e tem como prática sindical recorrente métodos burocráticos, afastamento da base dos trabalhadores e compromissos com a prefeitura. A continuidade da gestão burocrática e pelega do STMC é um dos principais desafios que a categoria precisará enfrentar em um contexto de ataques em todos os níveis. Nacionalmente, a Reforma Administrativa. No Estado de São Paulo, o projeto de Lei Complementar 26/2021 de Dória que altera o Estatuto do Servidor Público e do Magistério e retira mais direitos dos servidores estaduais. E em Campinas, a implementação da Reforma Da Previdência a nível municipal (PLC 56/2021). Que pese pequenas nuances e diferenciações de discurso oportunistas, Dario Saadi, Doria e Bolsonaro estão unidos quando se trata de atacar os trabalhadores.

As eleições deste ano do STMC começaram com métodos antidemocráticos, por parte da direção do sindicato, que apesar de escandalosos, já são conhecidos pela categoria. Com uma manobra burocrática, a assembleia que definiu a comissão eleitoral aconteceu somente com a base da direção, enquanto dezenas de trabalhadores que fazem oposição ao sindicato foram impedidos de participar. A continuidade da eleição seguiu no mesmo caminho, com a chapa 1 disseminando mentiras entre sua base de aposentados e recorrendo aos comissionados da prefeitura para se eleger novamente, escancarando mais uma vez sua ligação com a gestão de Dario Saadi (Republicanos), assim como era com o antigo prefeito, Jonas Donizette (PSB). O resultado foi a vitória da chapa 1 com uma diferença de 156 votos, de 2733 no total.

A margem apertada indica que existe uma rejeição importante na categoria contra a atual diretoria e os seus métodos. Parte da categoria sabe que a direção de nosso sindicato estará do lado da prefeitura e governos contra a mobilização independente da categoria. Em um contexto de alta na inflação, mais um ano sem reajuste salarial, ameaça de mais uma reforma da previdência a nível municipal, ataque aos servidores públicos com a reforma administrativa de Bolsonaro - além de uma crise sanitária que já tirou quase 600 mil vidas e segue tirando mais 500 vidas todos os dias - é fundamental construir métodos de auto organização pela base, que possa se enfrentar com a burocracia do STMC.

A vanguarda da categoria, junto com aqueles que fazem oposição à atual direção do sindicato, possuem o desafio de mobilizar a categoria em defesa dos nossos direitos e contra os ataques à nossa classe que vem de Dario, Doria e Bolsonaro. Porém, há que se ver os limites de uma unidade com setores que dizem ser oposição ao sindicato, como aqueles ligados ao PT e a CUT, mas que em sindicatos onde é direção não tem métodos tão diferentes, acabam por impor uma paralisia da nossa classe, não realizando qualquer mobilização real contra o governo de Bolsonaro e Mourão, e na prática apostam numa estratégia eleitoral com Lula em 2022. Basta ver o que é a Apeoesp dirigida pela Bebel, ou mesmo a subsede de Campinas, também dirigida pelo PT para ter um retrato dessas práticas.

Frente a essa situação e com mais um dia de atos e mobilização contra Bolsonaro e Mourão chegando, no dia 2 de outubro, é fundamental construirmos a unidade na ação dos trabalhadores e movimentos sociais contra os ataques em curso, o desemprego, a inflação e a destruição ambiental. Esse caminho é distinto da ideia de unidades a qualquer custo com objetivos eleitorais, e principalmente, do chamado a unidade com a “oposição de direita” a Bolsonaro. Consideramos que é necessário construirmos nesse dia blocos classistas, com independência de classe, que não subordine nossas lutas a alianças e acordos com a direita.

Acreditamos que a conformação de blocos classistas pode ser um importante primeiro passo para apresentar uma política de independência de classe também nas bases de categorias como a dos servidores públicos municipais. Seria uma forma de avançar na construção de programa operário para enfrentar a crise - um programa que inclua medidas como o reajuste automático dos salários de acordo com a inflação e a repartição das horas de trabalho entre empregados e desempregados, sem redução salarial, para enfrentar o desemprego. Ao contrário de baixar nossas bandeiras e o que defendemos, em nome se unir com setores da direita que atacam nossos direitos como quer os setores que hoje dirigem esses atos, a construção de um bloco classista pode ser uma forma de avançarmos rumo a um pólo classista e anti burocrático que reúna a esquerda, seus sindicatos, parlamentares em uma forte campanha nacional por um plano de lutas real, unificando os processos de luta já em curso e contra a paralisia imposta pelas centrais sindicais como a CUT e CTB - que visam somente a eleição de Lula em aliança com a direita em 2022.

Chamamos os servidores municipais que querem um plano real de luta para derrubar Bolsonaro, mas também o racista e saudosista da ditadura, General Mourão a se mobilizarem por um bloco assim. Sem nenhuma confiança no STF, governadores e centrão que agora tentam aparecer como alternativa a Bolsonaro, mas foram parte de elegê-lo e defendem os mesmos ataques neoliberais contra os trabalhadores.




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