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Defensor de eletrochoque é nomeado para Coordenação Geral de Saúde Mental por Pazuello

Nesta quinta (18), o Ministro da Saúde Eduardo Pazuello nomeou o psiquiatra bolsonarista e defensor do eletrochoque Rafael Bernardon para o cargo de coordenador-geral de saúde mental, Álcool e outras drogas do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, da Secretaria de Atenção Primária em Saúde.

sexta-feira 19 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Revista Fórum

Dando sequências aos ataques do governo bolsonaro à saúde mental, como o revogaço das portarias que garantem serviços ofertados pelo sus para pacientes psiquiátricos, agora há o avanço de uma perspectiva médica relacionada à tortura e aos anos sombrios de internações manicomiais representado pela nomeação de Rafael Bernardon.

A eletroconvulsoterapia (ECT), popularmente conhecida como eletrochoque, é diretamente associada às práticas manicomiais da década de 30, utilizadas também como forma de tortura. Tais práticas remontam a um passado em que os manicômios eram salões de tortura para doentes mentais, negros, LGBTs e mulheres que ousavam desafiar as normas sociais, e, na visão médica capitalista, essa população merecia ser tratada com os métodos mais esdrúxulos e sem seus direitos humanos.

Após a reforma psiquiátrica, fruto de muita luta de trabalhadores, de pacientes e da população, o eletrochoque foi perdendo muito espaço nos tratamentos, justamente por não ter uma eficácia comprovada e por ter efeitos colaterais controversos que vão desde a perda de memória até a volta da doença ou até mesmo a morte. Essa técnica é hoje usada para pacientes com transtornos depressivos graves sem resposta a outros tratamentos, numa lógica de “agitar” o cérebro do indivíduo para ver se há alguma diferença na sua resposta e, eventualmente, há, ainda que não haja uma explicação científica comprovada baseada em fatos. É uma explicação baseada somente em empirismo que sustenta a defesa de uma prática duvidosa que, agora, é defendida por alguém como Rafael Bernardon, que irá ocupar o cargo de coordenador geral em saúde mental.

Nesse sentido, nomear para a área da saúde mental um médico defensor de um método desumanizante é um claro ataque às conquistas de décadas de lutas dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde. Isso porque essas pessoas lutaram por anos para que o tratamento em saúde mental tivesse o ser humano como centro de sua melhora, e não os fármacos e as técnicas violentas que subjugam o paciente a um saber médico inquestionável.

Além disso, esse ataque bolsonarista se insere num contexto de desmonte do SUS, que vem se intensificando desde a PEC do Teto de Gastos, já que os serviços de atenção primária estão praticamente todos inseridos na área da saúde pública.




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