AMAZÔNIA

Crime do agronegócio: 72% das queimadas em 2019 na Amazônia ocorreram em grandes fazendas

Projeto da Ambiental Media, utilizou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre monitoramento de queimadas para cruzar com informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro público de propriedades rurais que abarcam áreas ambientais. O estudo contradiz as declarações de Bolsonaro, que atacou os índios, os culpando pelos incêndios criminosos.

sábado 26 de setembro| Edição do dia

Imagem: Daniel Beltrá/Greenpeace

Em estudo por cruzamento de dados, projeto “Cortina de fumaça” chegou à informação de que 72% das queimadas de 2019 na Amazônia, nas áreas críticas, partiram justamente de médias e grandes propriedades rurais, o que corrobora a suspeita sob os grandes proprietários de terras, latifundiários que possuem interesse estratégico no desmatamento, e contradiz as falácias do presidente Bolsonaro que, na última semana, voltou a atacar os índios, responsabilizando-os pela gigantesca onda de aumento nas queimadas e nos desmatamentos pelo qual o Brasil passa desde 2019 com a Amazônia, e agora, também, com os incêndios na região do pantanal. Os municípios que mais desmataram em 2019 foram Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM)

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), em uma nota técnica, também apontou que, no primeiro semestre de 2020, metade das queimadas aconteceram somente em propriedades de media e grande porte, acima de 440 hectares (equivalente ao mesmo número de campos de futebol). Bolsonaro, claramente, não baseia suas declarações em nenhuma fonte de dados e pesquisas sobre o desmatamento e as queimadas, mas em outros propósitos.

Bolsonaro utiliza da estratégia obscurantista, ora para falsear a origem das queimadas, ora para negar a própria existência da crise ambiental que ocorre no país. De todo modo, sua prática está voltada a proteger e endossar as práticas criminosas realizadas pelos grandes ruralistas, protegendo o setor e atacando as agências de controle e informações sobre queimadas e desmatamento. A aliança entre o setor ruralista e o governo Bolsonaro significa uma de suas principais bases políticas no país, ficando evidenciado, inclusive, nos últimos dias, quando o presidente passou por MT para receber homenagem dos ruralistas locais e realizou discurso negando as queimadas, mesmo tendo que arremeter vôo devido a fumaça oriunda dos incêndios do Pantanal.

O governo e diversos outras instâncias reacionárias trabalham arduamente para encobrir a destruição do bioma brasileiro e fazer demagogia com o combate ao desmatamento, com o ministro Salles que segue no papel de afrouxar o controle ambiental e “passar a boiada”, com o exército, com mourão à frente, realizando operações inócuas que demandam orçamentos gigantescos, e até mesmo, por último, com a PF atacando instituição que fornece imagens via satélite do Pantanal. Os lucros dos capitalistas latifundiários, cada vez mais, mobiliza as instâncias de poder para acabar com o meio ambiente e com as condições de vida no país.




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