Mundo Operário

METROVIÁRIOS DE SP

Chapa 4: Nenhuma confiança na justiça! Só a mobilização dos metroviários em aliança com a população pode barrar Doria!

A luta dos metroviários de SP contra o ataque do governo João Doria e o Metrô na última quarta-feira enfrentou o governo e a mídia. Na televisão se via uma intensa campanha anti-greve que a mídia golpista e reacionária encampou, mas apesar dela não foi possível evitar o apoio da população, que nos piquetes e nas redes sociais se colocaram ao lado desta luta. Uma luta que, apesar de ter sido interrompida com o término da greve no mesmo dia, segue, não terminou, e temos a certeza de que só acreditando em nossas próprias forças, aliados à população, e não confiando nas promessas da justiça, é que podemos ainda vencer esta batalha.

Fernanda Peluci

Diretora do Sindicato dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

Larissa Ribeiro

Metroviária de SP e e militante do Mov. Nossa Classe e Pão e Rosas

domingo 23 de maio| Edição do dia

Foto: Paulo Iannone/Sindicato dos Metroviários

Nesta semana os metroviários de SP protagonizaram uma forte greve em defesa de seus direitos e por um transporte público de qualidade para toda a população, fazendo sentir sua força. A greve teve a duração de quase 24h e mostrou uma enorme unidade e força da categoria, com todas as áreas do Metrô de SP aderindo à mobilização, da manutenção e operação ao Centro de Controle Operacional (CCO). Foi realmente impactante ver essa energia com o apoio da população nos piquetes aplaudindo os metroviários.

Apesar da greve ter acabado no mesmo dia, o conflito segue aberto e os metroviários não podem ter nenhuma confiança na justiça, e sim seguir acreditando unicamente na força de sua mobilização. Se por um lado, foi essa força que fez com que o TRT fizesse uma proposta melhor do que a da empresa, por outro o Metrô não aceitou essa proposta e a greve foi encerrada sem nenhuma garantia, e portanto está em aberto qual será o resultado. Está em aberto qual será a decisão do TRT, se vai preservar ou não o Acordo Coletivo e direitos, como reajuste e PR, ou se vai impor os ataques, e em que medida. E mesmo depois disso, está em aberto se a empresa vai recorrer ao TST, como veio ameaçando, e se o TST vai impor ataques mais duros.

E inclusive, ao mesmo tempo, a empresa tenta impor outros ataques, marcando a venda da sede do sindicato para a próxima semana. É por isso que nós, da Chapa 4 - Nossa Classe defendemos a continuidade da greve, e é por isso que agora, mais do que nunca, não podemos ter ilusões na justiça e precisamos saber que é a força da nossa mobilização que vai decidir o resultado. Com esses cenários em aberto, só a nossa organização e disposição de luta, e nossa busca pela aliança com a população e a nossa classe, é que podem garantir nossos direitos. 

Recordemos que esse mesmo tribunal determinou que fosse aplicada uma multa de 100 mil reais, caso os metroviários não cumprissem a determinação judicial de manter o Metrô de SP funcionando em meio a greve em 80% no horário de pico e 60% no horário de vale., Um forte ataque contra o direito democrático de greve dos trabalhadores, que depois se intensificou para uma multa de 1 milhão de reais em qualquer cenário de greve. E inclusive o TRT na conciliação fez uma proposta melhor do que a da empresa mas, frente à recusa do metrô (que já era esperada), determinou a "cláusula de paz" em que o fim da greve era condição para não haver punições, que servia para a empresa ameaçar punir e demitir caso a greve seguisse, ou seja, a atuação do TRT na conciliação foi calculada com o objetivo de encerrar a nossa greve, e sem nenhuma garantia. 

E enquanto a justiça faz seu papel contra os trabalhadores atacando o direito de greve, Doria e a direção do Metrô de SP atacam este direito por outro lado, colocando pra funcionar um Plano de Contingência que colocou centenas de milhares de vidas em risco, e que ocasionou um gravíssimo acidente com um funcionário que ali estava trabalhando sem a devida segurança, que foi atropelado por um trem e ainda segue na UTI.

E de mãos dadas à justiça está Doria e o secretário de transportes Baldy, que passou o dia inteiro mentindo sobre os salários dos metroviários em greve na televisão. E junto deles a corja reacionária da mídia que durante todo dia jogou todas suas fichas para colocar a população contra a greve, mas não conseguiu.

Com destaque especial para a atuação de Datena contra a greve, que frente a esse apoio popular, começou com um discurso manso, com elogios e "reconhecimento" aos metroviários, bem calculados, para em seguida dizer que se os metroviários seguissem com a greve mostrariam que não se importam com a população. Dizendo que deveriam aceitar encerrar a greve sem nada e seguir negociando, colocando Baldy ao vivo pela décima vez, para dizer que se a greve seguisse os trabalhadores seriam demitidos. Uma mostra de que, apesar das disputas políticas, quando o assunto é ataque aos trabalhadores e privatizações como a da Eletrobras e Cedae, Doria está do mesmo lado do reacionário e negacionista Bolsonaro.

Essa guerra declarada da mídia e do governo pela opinião pública marcou a greve dos metroviários na última quarta-feira. E infelizmente a ala majoritária da diretoria do Sindicato dos Metroviários de SP, quando teve a oportunidade de ouro de se ligar de forma mais profunda aos anseios da população, quando poderia fazer diálogos (por exemplo na televisão) para disputar essa opinião, não o fez. Falou de forma corporativista das demandas pelas quais os metroviários estavam lutando, sem colocar com peso a relação dessa luta com a defesa do transporte público de qualidade para a população que sofre com a superlotação do metrô, ignorando a consigna dos coletes pretos que os metroviários usaram durante o último mês inteiro nos seus locais de trabalho reivindicando vacina para todos já. Não disseram que o Metrô e Doria queriam atacar os metroviários para fazê-los de exemplo para atacar ainda mais todos os trabalhadores.

Lamentavelmente, com exceção da Chapa 4 Nossa Classe - e de uma ala minoritária da Chapa 2 composta pela CST/PSOL que compartilhou essa defesa conosco, ainda que sem colocar a mesma defesa de uma política contra o corporativismo da diretoria, pela unidade com a população e outras categorias - a diretoria do Sindicato resolveu apostar todas as suas fichas na decisão futura da justiça burguesa, defendeu o encerramento da forte greve que estava em curso, deixando todo o Acordo Coletivo dos metroviários nas mãos de nada mais, nada menos, que dos tribunais e da empresa.

Ao invés de buscar fortalecer a batalha que já estava em curso e que demonstrava já ter apoio popular, colocando no centro a busca por essa aliança com a população, a diretoria optou por não travar esta batalha. Poderia ter chamado a que as grandes centrais sindicais (que inclusive são maioria na diretoria do sindicato como CUT e CTB) buscassem unir nossa classe na luta, organizando solidariedade ativa em outras categorias e coordenando com a resistência de outras categorias que estão sendo atacadas. Imaginem se todos os sindicatos, parlamentares, correntes de esquerda tivessem de jogado com tudo em uma forte campanha nacional? Para isso deveria servir os sindicatos e a esquerda.

É decisivo fortalecer a mobilização, aprovando um forte plano de luta na assembleia dessa semana. Para isso é preciso que a diretoria de nosso sindicato, mude a sua posição, e construam esse plano. Os direitos e a garantia de seguir batalhando por um transporte público, de qualidade e a serviço da população não vai vir das mãos da justiça, e sim única e exclusivamente da organização e mobilização dos trabalhadores do transporte, como os metroviários.

Os metroviários devem acreditar nesta força e buscar, cada vez mais, formas de potencializar a aliança com a população, que é o que Doria e a mídia mais temem. É necessário seguir a mobilização, ter a confiança na tradição de luta dos metroviários, na sua capacidade de organização, na unidade pela base, na democracia operária com assembleias onde todos possam falar e fazer propostas, e na sua potência de parar a cidade e fazer o governo tremer como fizeram no último dia 19 de maio.




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