Opinião

ELEIÇÕES PORTO ALEGRE

A misoginia animalesca de Rodrigo Maroni e os homens que temem as mulheres

Rodrigo Maroni é a expressão mais abjeta e misógina das eleições de Porto Alegre, quiçá do país. Candidato pelo PROS e deputado estadual, o “defensor dos animais” não perde uma oportunidade para vomitar sua misoginia durante os debates, em especial contra Manuela D’Ávila, com quem já teve uma relação política e pessoal próxima.

sábado 14 de novembro| Edição do dia

Desde o primeiro debate eleitoral, Maroni expressa uma profunda obsessão com a candidata do PCdoB. No debate da Band chegou a dizer que Manuela traiu várias pessoas próximas ao longo de sua vida, inclusive ele… Afirmou que Manuela não gostava do Lula, queria vê-lo preso, que se refere à Maria do Rosário de uma forma “não feminista” (seja lá o que isso signifique) e comandou o primeiro gabinete do ódio do país. Mesmo quando as perguntas não eram relacionadas a Manuela, Maroni fazia questão de falar dela, evidenciando uma obstinação doentia. O debate como um todo em Porto Alegre, capital do estado que quase lidera índices de feminicídio, foi recheado de machismo, promessas e demagogia por parte da direita.

No último debate da RBS, a misoginia foi gritante. O homem claramente possui problemas com mulheres. Em sua primeira pergunta direcionada a Juliana Brizola, começou dizendo que “as mulheres sempre foram muito importantes na minha vida” e fez questão de citar mulheres que tinha como referência. Parece aqueles homens racistas que antes de dizer algo racista precisa reafirmar que não é racista. “Até tenho amigos que são, mas…”, diria o outro homofóbico na mesma lógica. Mas o chorume maior veio depois. Sem ninguém perguntar, Maroni atacou Manuela D’Ávila dizendo que ela é mentirosa, que processou a Juliana Brizola durante a eleição e portanto não poderia ter amor por outras mulheres por causa disso e seguiu repetindo que ela é mentirosa. Espezinhadas baixas, com o objetivo fracassado de tentar dirimir sua insignificância com uivos ofensivos e misóginos.

Mesmo quando a pergunta era sobre seu programa para a causa animal, Maroni desviou do assunto e logo voltou para a oponente. Obcecado com a vida pessoal de Manuela, Maroni chegou ao cúmulo de dizer que ela é uma “patricinha, mimada, que poderia tá comprando bolsa, indo no shopping e resolveu ser prefeita”. Para Maroni, mulheres devem ficar quietas em seu lugar, fazendo compras, passeando no shopping e não fazendo política. Nenhuma diferença política com Manuela foi apresentada. Pelo contrário, foram latidos misóginos que visavam exclusivamente depreciar a figura da oponente. Por respeito aos animais, na verdade, nenhum merece ser comparado a Rodrigo Maroni.

O ponto ápice do debate foi quando o desprezível candidato do PROS disse: “se eu fosse abrir minha boca eu não acabava com a tua eleição, eu acabava com a tua carreira e é em graças a tua filha que eu não falo tudo o que eu sei”. Léguas de distância de qualquer pudor, Rodrigo Maroni é a expressão mais acabada de homens amedrontados diante de mulheres que fazem política. A ofensa pessoal é desespero grotesco, recheado de misoginia de alta intensidade. Nós do Esquerda Diário não depositamos nenhum apoio político a Manuela ou ao PCdoB, mas repudiamos os ataques machistas de Rodrigo Maroni, silenciados por quase todos os outros candidatos, com exceção de Melchionna, e permitidos pela RBS.

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O PROS é o mesmo partido de outro misógino, também Maroni, mas de São Paulo e de nome Oscar. Oscar Maroni foi candidato do PROS a deputado federal em 2018 e, além de ser famoso por ser dono de uma casa de prostituição famosa na capital paulista, protagonizou um dos episódios mais abjetos que precederam a vitória de Jair Bolsonaro: o presente a Sergio Moro e Carmen Lúcia, com duas mulheres semi-nuas, em meio a uma horda de homens ricos em sua boate.
Rodrigo Maroni, Bolsonaro, Oscar Maroni e tantos outros reacionários possuem uma coisa em comum: o temor diante das mulheres que fazem política. Querem as mulheres submissas, controladas, quietas, reclusas, recebendo salários inferiores, em trabalhos precários, exploradas e oprimidas para o agrado do patriarcado e dos grandes capitalistas. O próprio bolsonarismo é uma reação ao movimento de mulheres que explodiu internacionalmente e veio crescendo desde antes de 2018 no país. Expressões misóginas vem ganhando força nacionalmente, como o caso do Robinho ou da Mari Ferrer, índices de feminicídio vem crescendo no país e a extrema-direita de Damares avança até sobre o direito ao aborto em casos de estupro.

Devemos enfrentar o machismo com a força organizada das mulheres que, aliadas aos trabalhadores, podem botar abaixo o patriarcado e todo o sistema capitalista que o sustenta.




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