Literatura

A Machado de Assis

"(...) eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor (...)"

terça-feira 29 de setembro| Edição do dia

(Stephanie S Oliveira)

Gênio; negro; a frente do seu tempo; epilético; fundador da Academia Brasileira de Letras; para muitos, o maior escritor brasileiro, talvez do mundo, Machado de Assis, sem dúvidas, marcou profundamente a história da literatura mundial com suas palavras precisas e irônicas.

Hoje, no dia 29 de Setembro de 2020, completam-se 112 anos da sua morte. Ironicamente, sua análise profunda e sensível das contradições sociais o tornam mais atual do que nunca.

A exemplo disso, vemos no romance Esaú e Jacó uma crítica contundente à transformação superficial do regime político imperial para o republicano. Custódio troca a antiga tabuleta "Confeitaria do Império" para a nova "Confeitaria da República". Machado de Assis, assim, reduz a proclamação da República a uma simples troca de tabuletas, mudança só de nomes. República e Império se equivalem como rótulos de fachada.

Hoje lemos Dom Casmurro e, diferente da interpretação da época em que foi escrito na qual o personagem Bentinho era tido como exemplo de cidadão e homem, percebemos as críticas ao ciúmes doentio fruto de uma estrutura patriarcal podre e miserável. Ou então, o não tão sutil questionamento à eugenia, tendência forte do século XIX, na construção da personagem Eugênia em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Numa tentativa de domesticar suas fortes ideias e a sua figura, a classe dominante o branquificou e buscou fazer leituras tortas das suas obras, propositalmente ignorando as ironias machadianas. Todavia, há intelectuais que são grandes demais para caber nas sufocantes caixas da burguesia. Machado é uma dessas pessoas.

Em nome de todos os beletristas que se apaixonaram pala literatura através dos seus livros ou sentem suas mentes explodirem a cada releitura, muito obrigado ao nosso eterno "defunto autor".




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