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Ásia Central | Tropas da Rússia ingressam no Cazaquistão em meio a forte repressão do governo

São dezenas de mortos e mais de mil pessoas feridas na repressão ordenada pelo presidente Kasim-Yomart Tokáyev, frente aos protestos de centenas de milhares de pessoas que saíram às ruas contra o aumento no preço dos combustíveis, com forte expressão na cidade de Almaty. Nesta quinta-feira (6), a Rússia e seus aliados enviaram tropas para apoiar o governo da ex república soviética da Ásia Central

sexta-feira 7 de janeiro | Edição do dia

Durante a última quarta-feira (5), milhares de manifestantes tomaram a sede do governo na principal cidade cazaque, Almaty, e foi lançada uma brutal repressão. O Cazaquistão vem sendo atravessado por uma onda de mobilizações e revolta social crescente nos últimos dias, frente às provocações do governo, que logo se viu obrigado a renunciar pela pressão dos protestos. Nas ruas das principais cidades do país, há conflitos com as forças repressivas, resultando em dezenas de mortes, milhares de feridos, e circula até mesmo a informação de decapitações nos confrontos.

A gota d’água foi o aumento em dobro no preço do gás líquido, o que obviamente resultou um aumento substancial no preço dos combustíveis, produto indispensável para a população. No primeiro dia de janeiro de 2022, a resposta foi a irrupção de grandes mobilizações que seguem há dias, culminando na tomada de prédios públicos e governamentais. Isto se explica pela exaustão das maiorias populares cazaques com condições e custos de vida que encarecem mais a cada dia.

A renúncia do governo e o anúncio de algumas concessões de Tokáyev, como a regulação estatal do preço do combustível e de serviços públicos durante apenas seis meses, não acalmou os ânimos.

Além dos manifestantes assassinados durante os protestos, o Ministério da Saúde divulgou que mais de mil pessoas foram feridas, dentre as quais 62 seguem em estado grave.

Foto: © EPA

Rússia e países aliados enviam tropas à sua “zona de influência”

A Rússia e seus aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) anunciaram o envio do primeiro contingente de uma “força coletiva de manutenção da paz” ao país vizinho, a pedido do governo cazaque.

Trata-se da primeira vez, desde sua fundação em 1992, que esta aliança, liderada pela Rússia e integrada por países como Bielorússia e Armênia, adota uma medida como esta.

Nesta quinta-feira, aviões com tropas russas foram enviados à ex república soviética da Ásia Central. A Rússia argumenta, segundo o ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, que os acontecimentos “foram inspirados internacionalmente através de formações armadas treinadas”, citando a região do Afeganistão atualmente governada pelo Talibã.

Uma verdadeira falácia, se considerarmos que a população saiu às ruas farta de aumentos no custo de vida, que corroem os salários e as economias dos lares cazaques. A Rússia demonstra estar disposta a incrementar a repressão que até então vinha sendo levada adiante por Tokáyev. As chamadas “missões de paz” com estas características são uma forma de ocultar o verdadeiro objetivo dos militares: preservar a “ordem” às custas da vida da população.

Há vários dias, o governo de Tokáyev vem impondo um toque de recolher e decretou estado de emergência em todo o país, de onde lentamente chegam imagens e notícias devido ao corte de internet e das conexões telefônicas.




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