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Declaração | Valéria Müller: O assassinato em Foz é expressão do reacionarismo da extrema-direita. É a força da luta de classes que vai derrotar essa corja

Declaração de Valéria Müller, pré-candidata e dirigente do MRT sobre o assassinato de Marcelo Arruda, militante do PT em Foz do Iguaçu (PR) que demonstra o nível de reacionarismo da extrema-direita bolsonarista. Devemos rechaçar esse ato de violência nos apoiando na força da classe trabalhadora.

segunda-feira 11 de julho | Edição do dia

"O ato de violência cometido na madrugada deste domingo, é uma demonstração do nível de reacionarismo que presenciamos no Brasil de Bolsonaro. A escalada da extrema-direita, não começou apenas com a eleição de Bolsonaro, mas ela cresceu desde o golpe institucional de 2016 e marcado pelo assassinato de Mariele Franco no começo de 2018 e com o assassinato do Mestre Moa de Katendê em pleno período eleitoral. Isso tendo sua força com sua base reacionária na polícia e nas forças armadas.

O assassinato de Marcelo Arruda também aconteceu diante dessa base politica. Em sua festa de aniversário, cerca de 20 minutos antes dos disparos, o assassino parou o carro do lado de fora de onde ocorria a comemoração e começou com provocações. O bolsonarista assassino voltou e invadiu o local de arma em punho, realizando os disparos. O assassino, José da Rocha Guaranha, Policial Penal Federal, esbanjava nas redes sociais a defesa de Bolsonaro, tendo inclusive fotos com Carlos Bolsonaro.

Não se trata de “apenas mais uma briga”, como declarou o vice-presidente, Mourão, nessa manhã, se trata de um assassinato por fins políticos incentivado por Bolsonaro e por sua corja desde seu aparecimento enquanto figura pública. Demagogicamente, Bolsonaro fala para seus apoiadores que recorrem à violência para que “mudem de lado” culpando a esquerda por incentivar atos de violência. Enquanto isso podemos recordar todas as vezes em que o presidente esbanjou ódio contra diversas identidades e contra a esquerda, como a vez em 2018 que, em plena campanha eleitoral, falou que iria “metralhar toda a petezada” no Acre.

Por isso, os trabalhadores não podem cair na hipocrisia de Bolsonaro. É necessário barrar a extrema-direita nas ruas, sem confiança no judiciário e nas instituições burguesas que correspondem sempre aos interesses da burguesia e passam medidas contra os trabalhadores avançando em seu autoritarismo. Não podemos deixar nas mãos desse judiciário racista e anti-operário a batalha contra a extrema-direita. As polícias no país, que são o braço armado do Estado, que assassinam sistematicamente a população jovem negra e periférica do país, como vimos nas diversas chacinas que aconteceram nos últimos anos, como no Jacarezinho e da Vila Cruzeiro, celebradas por Bolsonaro, não podem ser as únicas que realizam as investigações sobre esses casos de violência. É necessária uma investigação independente para fazer justiça, já que são agentes do Estado que são responsáveis por estas violências.

E para realizar esse combate de forma consequente devemos nos apoiar na força da mobilização da classe trabalhadora, tomando como exemplo a força da luta dos povos indígenas que hoje, vão às ruas gritando por Justiça por Dom e Bruno, outras vítimas da escalada reacionária respaldada por Bolsonaro. A unidade entre os distintos setores da classe trabalhadora, do povo negro, indígena, lgbtqiapn+ que sofrem diariamente com violências reacionárias, tem o potencial explosivo como tantos outros momentos de luta já demonstraram na história A extrema-direita não irá ser derrotada apenas nas eleições, ela deve ser varrida no terreno da luta de classes.

E para isso, não podemos apenas esperar até as eleições. É necessário que as centrais sindicais, como a CUT a CTB, dirigidos pelo PT e PCdoB, e as entidades estudantis, como a UNE, organizem mobilizações contra a violência da extrema-direita, e contra o conjunto dos ataques a classe trabalhadora, como a reforma trabalhista que ceifa a vida de diversos trabalhadores que cada vez mais explorados e sem direitos trabalhistas, optam pelo trabalho precarizado. A passividade do movimento operário e estudantil frente os diversos ataques, fortalecem essa odiosa extrema-direita que sai cada vez mais as ruas para esbanjar seu reacionarismo. Da mesma forma, realizar alianças com a direita, também fortalece esse setor, como observamos com o Golpe de 2016 no Governo Dilma, que abriu porta para reacionários de todo tipo. O PT anda na contramão do combate quando se unifica com a direita neoliberal, a partir da formação da Chapa Lula-Alckmin. Apenas a força da mobilização pode colocar novamente essas figuras na lata de lixo da história.”

Para ver mais: Unidade para enfrentar o autoritarismo nas ruas




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