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Universidade de São Paulo | USP aumenta a capacidade dos bandejões em 75%, mas segue não contratando funcionários

Na última segunda-feira, a Pró-reitoria de graduação que os bandejões aumentariam sua capacidade de atendimento para 75%, no marco das imensas filas que se seguiram neste início de semestre em meio a volta presencial das aulas, porém o mesmo comunicado também não aponta nenhuma medida por contratações de funcionários, gerando diversas contradições acerca das condições de retorno.

Clara GomezEstudante | Faculdade de Educação da USP

quarta-feira 20 de abril | Edição do dia

IMAGEM: REPRODUÇÃO

As primeiras semanas de aula na USP estão sendo marcadas pelas enormes filas dos bandejões que fazem muitos estudantes terem que escolher entre chegarem atrasados nas aulas ou comerem. A mesma situação acontece nos circulares e ônibus, o que leva estudantes e trabalhadores a atravessarem a universidade a pé até conseguirem outra forma de voltar para casa. Essas situações absurdas escancaram tanto as facetas da política privatista no estado encabeçada pelo PSDB com o governador Doria e também pelo ex-tucano Alckmin, como também a negligência da reitoria que teve dois anos para garantir um retorno seguro com condições adequadas para trabalhadores e professores, assim como permanência estudantil e não fez isso para priorizar seus supersalários e para beneficiar a iniciativa privada que avança sobre a USP por diferentes vias.

Nesta segunda-feira, estudantes foram comunicados em seus e-mails por meio da Pró-reitoria de graduação que o bandejão aumentaria sua capacidade de atendimento para 75%, a fim de amenizar a situação das filas que agravam as já precárias condições de permanência estudantil na USP. Porém, o mesmo e-mail não anuncia qualquer contratação para essa categoria que nos últimos 15 anos não tem admissão e só vê seu quadro de funcionários reduzir cada vez mais, sendo que a contratação é um dos principais meios para trabalhadores não serem ainda mais sobrecarregados e para os estudantes de fato terem o direito à alimentação garantido, sem terem que enfrentar enormes filas que aumentam a cada ano que passa. Inclusive, essa mesma política também afeta muitos estudantes que também trabalham na universidade como estagiários e que sofrem constantemente com o desvio de função, quando muitas vezes tal atividade deveria ser realizada por profissionais da universidade, mas não há funcionários suficientes dado essa situação de conjunto.

As demandas pelo direito à alimentação nos bandejões e por permanência, como direito à moradia, a bolsas maiores entre tantas outras, são fruto da mesma política de desmantelamento que acomete os trabalhadores, o que deve fortalecer a aliança entre estudantes e trabalhadores contra a privatização e a terceirização na universidade. Essa unificação deve se inspirar na força que os funcionários do bandejão expressaram em sua paralisação de 42 dias no começo deste ano e que contou com apoio de outros setores como estudantes e professores, contra a negligência da reitoria que os submeteu a um surto covid-19 na unidade e que buscou ao máximo lavar as mãos frente a isso.

Saiba Mais: 23/01 - Trabalhadores do bandejão paralisados: Surto de covid e descaso da USP

Foi pela via dessa paralisação e da forte organização que esses trabalhadores conquistaram suas demandas, fortalecendo espaços de discussão e auto-organização que aconteceram diariamente entre eles. Essa força deve servir de como exemplo para dar um basta à política privatista que impede estudantes de algo básico que é a alimentação e que faz várias trabalhadores negras e negros sofrerem de doenças, fruto da sobrecarga de trabalho e dos movimento repetitivos que eles fazem nos bandejões.

Para isso, é fundamental que o DCE construa massivamente espaços de auto-organização assim como iniciativas de luta entre os estudantes em aliança com os trabalhadores partindo da necessidade de se contratar um contingente maior e pela efetivação de terceirizados sem a necessidade de concurso público, assim como pelas demandas estudantis que são urgentes frente ao retorno dos diversos problemas que vêm sendo colocados, como as filas nos pontos de ônibus, o risco de cortes nas impressões da pró-aluno, a falta de moradia estudantil, por exemplo. Só assim, poderemos assegurar o funcionamento adequado da universidade, sem que isso signifique numa precarização do trabalho ou mesmo em riscos à saúde dos trabalhadores e dos próprios estudantes.




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