Política

RENDA BRASIL

Bolsonaro proíbe mencionar Renda Brasil até 2022

“Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra ‘Renda Brasil’. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”, afirma Bolsonaro na manhã desta terça-feira (15).

terça-feira 15 de setembro| Edição do dia

Imagem: Alan Santos/PR/Divulgação

Em discurso emergencial na manhã desta terça-feira (15), Bolsonaro deu o anúncio de que o programa Renda Brasil, que vinha sendo a grande aposta do governo para manter sua popularidade entre a população pobre mais atingida pela crise, está fora de cogitação até 2022.

A razão disso está na falta de consenso entre o presidente e sua equipe econômica em torno de qual corte deveria ser aplicado para garantir recursos para o programa. "Eu já disse, há poucas semanas, que eu jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem porventura vier propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho. É gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento de como vivem os aposentados do Brasil", disse o presidente.

Trata-se de pura demagogia. Afinal, não é preciso tirar nenhum centavo do bolso dos trabalhadores tanto para garantir a continuação do auxílio emergencial em formato de Renda Brasil quanto para aumentar esse benefício para dois mil reais, patamar mínimo para que os desempregados possam alimentar suas famílias nesse período de alta absurda dos preços dos alimentos. O antigo valor de R$600,00, valendo destacar que a proposta inicial por parte de Guedes e Bolsonaro era de que fosse apenas de R$200,00, já se mostrava insuficiente para o custo de vida no país, pois, de acordo com o DIEESE, em pesquisa realizada em dezembro do ano passado, o salário mínimo deveria ser de R$4.342,57 para sustento de uma família de 4 pessoas.

Na verdade, basta tirar dinheiro dos banqueiro e dar para os mais pobres. Nesse sentido, a mentira de que não há dinheiro se desmonta quando se verifica que o governo Bolsonaro deixa bem claros seus interesses e prioridades ao destinar R$1,2 trilhão para salvar os bancos logo no início da pandemia. A medida passou sem trâmites e discussão nenhuma, sendo este valor 4,8 vezes maior do que o auxílio emergencial gastou até agora, ajudando na renda de mais de 65 milhões de brasileiros desempregados, que correm o risco da fome e sofrem com as péssimas condições de vida.

Contra essa realidade é preciso uma forte defesa do não pagamento dessa dívida pública que é ilegítima e fraudulenta. É preciso repudiar essa fala de Bolsonaro que, na prática, deixa nega a prorrogação do auxilio emergencial até 2022 nesse novo formato e não se contentar com a diminuição no valor ou em cortes para financiar o Renda Brasil como a equipe do governo vem defendendo, pois o dinheiro pode e deve sair do bolso dos banqueiros e capitalistas.

Com a renda que os patrões conseguem especulando os títulos da dívida no mercado financeiro, é ṕossível ir além e garantir um valor mínimo de R$ 2 mil reais, que é a renda média que um trabalhador precisa para assegurar suas necessidades elementares em tempos de crise sanitária e riscos à vida. Isso junto às condições adequadas para se proteger, com testes massivos, EPIs, contratações na saúde etc., numa pandemia que em nosso país já arrancou mais de 125 mil vidas, graças ao negacionismo de Bolsonaro e a sede de lucro dos grandes capitalistas. Os recursos do país devem estar em função dessas necessidades e não do lucro.




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