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Declaração do Quilombo Vermelho | Toda força na luta por Justiça para Moïse Kabagambe! Abaixo o racismo e a xenofobia!

Declaração do Quilombo Vermelho

terça-feira 1º de fevereiro | Edição do dia

Arte: Esquerda Diário

O jovem trabalhador congolês, Moïse Kabagambe, refugiado de guerra do Congo, foi espancado até a morte por ter cobrado seu pagamento em um quiosque na Barra da Tijuca, posto 8, zona oeste do Rio de Janeiro. Essa é a cara racista e xenófoba da precarização do trabalho no país de Bolsonaro e Mourão.

Moïse trabalhava por diárias no quiosque e tinha ido cobrar pelos seus dois dias de trabalho que estavam atrasados e foi recebido por seu patrão com um pedaço de madeira e em seguida outras pessoas chegaram com taco de beisebol e pedaços de madeira para agredi-lo. Essa cena brutal e violenta durou quinze minutos. O corpo de Moïse foi encontrado amarrado.

Moïse Kabagambe foi vítima do ódio racista e xenófobo no país onde se aprofunda a precarização do trabalho. Imaginem que um refugiado político que chegou ao Brasil em 2014 com sua família, vivendo uma vida precária e trabalhando sem carteira assinada e na informalidade, como é a maioria dos casos dos imigrantes no Brasil, foi assassinado por exigir algo que é seu por direito. Segundo denúncias, o dono do quiosque possuiria relações com a milícia carioca.

Imaginem que esse mesmo trabalhador foi encontrado com suas mãos e pés amarrados e com uma corda no pescoço porque exigiu que se pagasse as diárias que ele trabalhou. Esse é o Brasil do Bolsonaro e Mourão, onde racistas criminosos se sentem à vontade para espancar e assassinar um trabalhador negro na rua. Não bastassem as incontáveis declarações racistas de Bolsonaro e seu vice ao longo desses anos, esse é o governo que defende as milícias, a impunidade de racistas como os que mataram Moïse, a naturalização da xenofobia e do trabalho precário que remete aos tempos da escravidão.

Mas esse também é o Brasil do Centrão e do STF que querem que se aprofunde mais e mais a precarização do trabalho. Cenas como estas vão se tornando mais comuns e não podemos deixar que isso ocorra. Seria uma naturalização da barbárie.

Os trabalhadores informais e imigrantes vão encontrar apoio na luta por seus direitos. As centrais sindicais deveriam tomar a luta por justiça para Moïse com centralidade, organizando desde as bases dos trabalhadores efetivos a força necessária contra esse absurdo caso de racismo, como uma resposta contra a divisão da nossa classe promovida pelos patrões e políticos burgueses. Basta dessa super-exploração que mostra como o racismo que deu lugar à escravidão segue vivo, com esses reacionários atacando um trabalhador que tem todo direito de exigir o pagamento de seu salário. Mais que isso, não deveria existir esse tipo de condição de trabalho, que é o que faz com que o povo pobre e negro, nativo ou imigrante, siga de cabeça baixa na fila do osso, e sofrendo com o aumento da inflação, do desemprego, da falta de moradia, etc.

Foi isso que disse o primo de Moïse, Chadrac Kembilu: “Uma pessoa de outro país que veio ao seu país para ser acolhido. E vocês vão matá-lo por que ele pediu o salário dele?” Infelizmente o ódio racista e xenófobo que vitimou seu primo segue sendo destilado por vários setores da elite brasileira que querem descontar toda a crise econômica nas nossas costas e, se possível, às custas não apenas do nosso suor, mas também do nosso sangue. O Brasil tem suas elites herdeiras da escravidão e uma série de reacionários que tem suas mãos sujas de sangue negro.

Mesmo o PT ocupou militarmente o Haiti com as tropas brasileiras da Minustah, e o próprio Congo em 2013, quando general Santa Cruz foi designado pela ONU como comandante das tropas na Missão das Nações Unidas para a "Estabilização" da República Democrática do Congo, ou seja, operações de repressão chefiadas por militares que hoje estão no governo Bolsonaro.

Sentimos com muita dor a notícia de mais um jovem trabalhador imigrante e negro vítima do capitalismo que quando não lhes obrigam a fugir por conta da fome, de guerras, etc., de nossos países, como foi o caso de Moïse e sua família, lhes destinam um futuro de precarização e violência em outro lado do mundo.

Mas nada disso ficará sem resposta. A luta de classes em nosso país sempre foi negra, como a luta de Zumbi e Dandara, que nunca se curvaram à política de conciliação e que por isso faziam a Coroa temer a força revolucionária dos quilombos. É neste espírito que devemos lutar por justiça, com a força da luta e mobilização. E nós do Quilombo Vermelho, grupo de negros e negras impulsionado pelo MRT e independentes, e que construímos o Esquerda Diário, vamos colocar todos esforços para organização de atos e uma forte campanha por justiça.

Exigimos justiça pela morte de Moïse Kabagambe e nos solidarizamos com seus amigos e familiares no Brasil e no Congo. E também fazemos um chamado a todos aqueles trabalhadores e jovens, as organizações de esquerda, do movimento negro, entidades dos direitos humanos e movimentos de favelas que se indignam ao ver um irmão nosso de raça e classe sendo espancado até a morte, a lutarmos consequentemente por justiça para Moïse!

Todos ao ato neste sábado, 10h, no quiosque do racista na Barra da Tijuca! Este ato está sendo convocado por um amplo leque de organizações em conjunto com familiares de Moïse! Este ato precisa ser parte de uma campanha que arranque justiça e estabeleça um elo de solidariedade com familiares e congoleses, mostrando que não aceitaremos que sejam tratados assim no Brasil! Chamamos a organizar também atos em outras cidades do país!

Abaixo o racismo e a xenofobia!

Basta de precarização do trabalho!

Vida negras importam!




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