Política

DISPUTA DE AUTORITARISMOS

STF recua na decisão de apreensão do celular de Bolsonaro e Executivo sai fortalecido

Nessa segunda-feira (1), Celso de Mello anunciou que arquivaria pedido de apreensão dos celulares de Jair e Carlos Bolsonaro, após nota em tom de ameaça do General Heleno.

terça-feira 2 de junho| Edição do dia

Após os partidos PDT, PSB e PV solicitarem ao Supremo a apreensão imediata dos celulares de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, para dar continuidade na investigação a cerca da interferência do presidente na Polícia Federal, ainda estava em aberto os caminhos que tomaria a crise política nacional.

Bolsonaro, em entrevista à Jovem Pan, afirmou nessa semana que não entregaria o celular nem que fosse aprovado pelo Supremo, fala que foi rapidamente respondida pelo decano do STF, Celso de Mello, que afirmou que a ação infligiria a Constituição e configuraria um crime de responsabilidade. Logo após essa afirmação, o general Augusto Heleno soltou uma nota em tom de ameaça na qual tenta coibir o STF para que o celular não fosse entregue, afirmando que tal medida, se aceita, teria consequência imprevisíveis na estabilidade nacional.

Entretanto, nessa segunda feira (1), o ministro Celso de Mello decidiu atender ao pedido da PGR e arquivar o pedido apresentado pelos partidos em questão, de forma que Jair e Carlos Bolsonaro não têm mais que entregar seus respectivos celulares.

Vemos de um lado o autoritarismo do STF, que se apoia em setores da mídia burguesa, principalmente na Globo, disputando o papel de quem tutela o regime brasileiro e, de outro lado, o autoritarismo de Bolsonaro, com apoio de grande parte dos militares, que com ameaças faz o STF e os governadores recuarem, mostrando como está muito fortalecido em comparação às outras forças do regime brasileiro.

Em comum, essas duas forças descarregam a crise nas costas da classe trabalhadora. Não podemos cair na oposição ao governo que faz o STF e a mídia burguesa. É necessário que os trabalhadores se apoiem nos exemplos do protesto antifascista, levantado por torcidas organizadas, em São Paulo, no último domingo (31), nos movimentos nos Estados Unidos que se deram após a morte de George Floyd pela polícia, criando um polo de oposição independente e classista.




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