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Professora da UFMA posta “Bolsonaro genocida” e sofre intimidação após inquéritos da LSN

Militantes bolsonaristas comentaram na postagem divulgando um email para serem enviadas postagens desse tipo, ou seja críticas ao presidente, pois estariam sujeitas à ações judiciais.

segunda-feira 22 de março| Edição do dia

A professora do Departamento de Medicina III da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Marizélia Ribeiro, recebeu intimidação em uma postagem de instagram feita na noite de sábado (20) em que compartilhava uma imagem com os dizeres “Bolsonaro genocida”. (Veja aqui)

Militantes bolsonaristas comentaram na postagem divulgando um email para serem enviadas postagens desse tipo, ou seja críticas ao presidente, pois estariam sujeitas à ações judiciais.

Denicy Alves, também docente da UFMA, uma militante bolsonarista, comentou a postagem com um print do perfil “Conservadores do Brasil (OACB)” com os dizeres: “A organização garantiu que irá ingressar com ações judiciais contra todos os autores das mensagens”, diz o texto. Completou comentando: “cuidado professora”, em claro viés intimidatório.

Nas últimas semanas, o uso da Lei de Segurança Nacional contra aqueles que dizem: "Bolsonaro Genocida", uma verdade inconteste, passou a ser generalizado. Nas redes, jovens que postaram no Twitter foram perseguidos, assim como o youtuber Felipe Neto teve a Polícia Federal batendo na porta de sua casa. Quatro manifestantes em Brasília foram presos e 25 pessoas em Uberlândia foram intimadas.

Semanas antes, outra professora, Érika Suruagy, presidente do Sindicato Docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco-ADUFRPE em 2020, foi intimada pela polícia federal para inquérito criminal a pedido de Jair Bolsonaro, pelo sindicato ter feito manifestação política com um outdoor com os mesmos dizeres que reiteramos: “Bolsonaro Genocida”. Um claro ataque a liberdade de expressão na universidade e uma medida antissindical contra a manifestação política da entidade.

É evidente que o uso desse entulho da ditadura a torto a direita, somando 77 inquéritos nesse governo, envalentam setores bolsonaristas a querem perseguir jovens, professores, trabalhadores, nas redes sociais. É uma herança resgatada pelo regime do golpe institucional, inclusive para fazer oposição ao governo Bolsonaro por parte do STF, quando prendeu Daniel Silveira com base na mesma lei. Nesse sentido que criticamos os setores da esquerda que alegremente aplaudiram a prisão de Daniel Silveira. Não é com as mãos dessa justiça golpista, muito menos baseado na LSN, que o bolsonarismo será derrotado, pelo contrário, apenas fortalece a perseguição contra a esquerda e os movimentos sociais como estamos assistindo.

É urgente a derrubada da LSN e a punição dos torturadores, para varrer todos os resquícios do que significou a ditadura militar. A defesa de Marizélia Ribeiro e de cada professor, estudante, trabalhador, de todos os perseguidos nas últimas semanas só podem ser defendidos confiando na própria força da auto-organização dos trabalhadores contra Bolsonaro e todo o regime do golpe institucional. Ou seja, uma luta que é pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, assim como todos os golpistas do STF, do Centrão e dos governos estaduais, que descarregam a pandemia e a crise nas costas dos trabalhadores, e fortalecem mecanismos para perseguir qualquer tipo de “desordem” nas ruas, nos locais de trabalho e estudo.

Essa luta passa em primeiro lugar por exigir a anulação de todos os 97 inquéritos abertos até hoje, que somam 20 abertos durante os anos de Dilma e Temer, assim como vingar cada um dos perseguidos e assassinados pela ditadura.

Veja também: Letícia Parks: "Pelos 434 mortos e desaparecidos da ditadura, precisamos derrubar a LSN"

Mas também agora para barrar a Comissão Especial que vai apreciar o Projeto de Lei 1595/2019, por ordem do presidente da Casa, Arthur Lira, para treinar uma “polícia antiterrorista”, baseada nos princípios da lei “anti-terrorismo” criada nos anos do PT para reprimir manifestações da Copa do Mundo de 2014.

Veja também LSN: porque o resquício da ditadura ganha força no regime golpista?




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