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CRISE PERU

Presidente interino do Peru renuncia após cinco dias de governo

domingo 15 de novembro| Edição do dia

O presidente interino do Peru, Manuel Merino, renunciou ao cargo neste domingo (15), o seu quinto dia no poder.

Ele enfrentava uma onda de protestos que pediam a sua saída. Nesses atos, duas pessoas morreram. Também houve pessoas feridas.

Merino assumiu a presidência na última terça-feira (11). Ele foi nomeado depois que o Congresso afastou Martin Vizcarra do governo por acusações de aceitar propina durante seu período como governador.

O atual líder do Congresso, Luis Valez, já havia dito neste domingo (15) que os líderes haviam concordado em pedir a renúncia imediata de Merino.

Duas pessoas morreram no sábado durante protestos contra a presidência de Merino.

O coordenador nacional de direitos humanos do Peru disse que 102 pessoas ficaram feridas e pelo menos 41 estão desaparecidas. O Ministério da Saúde informou que 63 pessoas foram hospitalizadas após sofrerem ferimentos ou inalar gás lacrimogêneo. Pelo menos nove tiveram ferimentos a bala, disseram as autoridades.

No dia 9 de novembro, Martin Vizcarra havia deixado formalmente o governo após o Congresso aprovar um impeachment por "incapacidade moral".

Desde então, peruanos fizeram marchas e atos políticos nas ruas para protestar contra a destituição de Vizcarra. No sábado, os manifestantes lotaram as praças no centro de Lima.

Os trabalhadores não podem confiar em nenhuma alternativa burguesa. O problema não é mudar algumas peças no interior do podre regime político de 1993, herdado do fujimorismo. Como dizem os companheiro da Corrente Socialista dos Trabalhadores, "O problema fundamental não é mudar os governos. O problema real é acabar com o regime de dominação capitalista que a burguesia nos impõe. Para avançar nesse caminho, a classe trabalhadora deve entrar em cena com seus próprios métodos de luta e suas formas de auto-organização. Para que isso aconteça, devemos exigir, em conjunto com os trabalhadores, às direções das grandes centrais sindicais como a CGTP, que convoquem o mais rapidamente possível um encontro nacional dos trabalhadores e dos setores populares, onde se discuta e se aprove um plano de luta em escala nacional que tenha como eixo principal a implementação de uma Greve Nacional, que deve servir como uma medida para repelir os empresários e seus planos de ajuste que certamente o governo Merino continuará a implementar.

Esta Greve Nacional também nos ajudará a impor, desde a mobilização e auto-organização operária e popular, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que nos permitirá acabar definitivamente com o regime de 1993 que é a herança concreta do fujimorismo. Esta Assembleia Constituinte deve ter funções executivas e legislativas e uma das primeiras medidas deve ser a implementação de um plano de emergência que faça com que as consequências desta profunda crise econômica e de saúde deixem de ser suportadas pelos trabalhadores, portanto, irá revogar todas as medidas anti-trabalhistas e pró-patronais de Vizcarra, bem como as que foram aprovadas pelos governos anteriores, que se encontram regulamentadas na Constituição de 1993. Nesta Assembleia Constituinte aprovaremos que os representantes do povo possam ser revogados se não cumprirem os seus compromissos e que ganhem como um trabalhador médio ou um professor universitário. Aqui também votaremos para que juízes e promotores sejam eleitos por voto universal e ganhem o mesmo que um trabalhador médio".

Uma Assembleia Constituinte com estas características não nascerá das novas eleições ou de um referendo constitucional, mas das ruínas do antigo regime de 1993. A luta por esta Assembleia Constituinte Livre e Soberana também contribui para a luta por um governo operário, com uma saída que nos permitirá acabar com a exploração capitalista e caminhar para o socialismo.




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