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Ônibus superlotados em dia de maior abertura econômica no Recife ameaça a vida da população

Com apenas 54% da frota de ônibus operando, o reforço de 120 coletivos foi insuficiente para evitar uma enorme aglomeração de trabalhadores, comerciantes e outros setores que voltaram às ruas nesse dia que avança a abertura gradual da economia em Grande Recife.

segunda-feira 8 de junho| Edição do dia

Foto: Terminal Integrado de Passageiros da Joana Bezerra - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

A redução das frotas já vinha sendo um problema para a população que teve que seguir trabalhando em meio a pandemia, enfrentando ônibus cheios para chegar ao local de trabalho. Hoje foi um dia que aprofundou o processo de reabertura gradual da economia na grande Recife, com atividades de comércio atacadista e construção civil se somando a outras atividades não essenciais, como na indústria, que seguiam obrigando seus funcionários a se exporem pelo vírus para garantir os lucros dos empresários.

Nos horários de pico, longas filas de passageiros concentrados tomaram terminais de ônibus, aumentando a disseminação do vírus e pondo em risco a vida da população. Isso porque os governantes mantiveram a redução de 54% da frota de ônibus, disponibilizando insuficientes 120 coletivos, o mesmo esquema oferecido depois do lockdown. Além disso, o Metrô que liga cidades do interior com Recife, também estava em operação parcial, funcionando apenas nos horários de pico, aumentando a aglomeração nas linhas.

Não houve justificativa por parte da prefeitura senão a que impôs a redução da frota: os empresários do transporte alegam um prejuízo de R$ 155 milhões nas viagens.

Sem higienização adequada dos ônibus, falta de álcool gel aos motoristas, pelo menos 14 rodoviários morreram por conta do descaso do governo de Paulo Câmara e da Geraldo Júlio, ambos do PSB. Números não oficiais falam em 30 trabalhadores mortos pela COVID-19, enquanto a patronal dos transportes aproveitou a pandemia para demitir 3000 famílias, segundo o sindicato dos transportes.

Os donos das empresas de transporte, junto aos governos estaduais, provam mais uma vez que só pensam em seus lucros, e querem que os rodoviários, suas famílias e os milhões de passageiros de ônibus sejam os prejudicados, com suas vidas e empregos, pela pandemia.

Nos colocamos ao lado desses trabalhadores que exigem readmissão imediata de todos os funcionários dos transportes, inclusive os cobradores cuja função já vinha sendo eliminada, sobrecarregando o trabalho dos motoristas, que agora estão tendo que manusear cédulas de dinheiro sem ter condições de se higienizar.

Se a empresa não da condições sanitárias para os trabalhadores e a população, a única alternativa é esses trabalhadores junto a população assumirem às rédeas dos transportes, começando por exigir a imediata abertura do livro de contas da empresa e garantir que todo lucro seja revertido na readmissão e aumento imediato da frota de ônibus. Além disso, criando comissões de higiene e trabalho, poderiam se organizar para exigir as medidas sanitárias mínimas da empresa e a liberação remunerada de todos os setores do grupo de risco.

É inadmissível que o governo do PSB de Recife e Pernambuco estejam colocando serviços não essenciais para funcionar, em nome dos interesses dos grandes empresários do estado, enquanto estes seguem aumentando as demissões e pouco se importando com a vida dos trabalhadores. É urgente que proíbam as demissões, liberem todos os trabalhadores dos serviços não essenciais e garantam uma remuneração mínima de R$ 2000 para que possam garantir suas condições de vida na pandemia.




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