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Acampamento indígena em Brasília | Onde estão as centrais sindicais na luta dos indígenas contra o Marco Temporal?

A maior luta em curso hoje no país, com milhares de indígenas acampados em Brasília contra o Marco Temporal a ser votado pelo STF, é marcada pelo silêncio criminoso não só da mídia capitalista, mas também das centrais sindicais que poderiam estar em uma forte campanha nacional de solidariedade.

quarta-feira 25 de agosto | Edição do dia

Milhares de indígenas de diferentes povos estão acampados desde domingo em Brasília, em uma vigília histórica contra a aprovação da tese do Marco Temporal pelo STF, em votação que ocorrerá hoje. O Marco Temporal é um profundo ataque do governo Bolsonaro, do Congresso Nacional e do STF contra os povos originários e suas terras e está previsto também no PL490 que tramita na Câmara. No STF, será julgado em um processo judicial do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), para questionar a demarcação da Terra Indígena Ibirama-Laklaño, onde vivem os povos Xokleng, Guarani e Kaingang. Caso aprovado, abre uma cobertura jurídica para a revogação da demarcação de outros territórios homologados após 1988.

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Esse ataque é a continuidade contemporânea da invasão colonial e do extermínio dos povos originários, iniciado há mais de 520 anos no Brasil. Também com o PL 490 e outras medidas, os três poderes se colocam em defesa dos interesses da ala mais reacionária da elite nacional: o agronegócio racista e assassino, que vem destruindo nossas florestas, recursos hídricos e a fauna brasileira em nome de seus lucros de bilhões de dólares em commodities para exportação.

A gravidade da ofensiva do latifúndio e de seus representantes políticos privilegiados e encastelados nesse regime autoritário e progressivamente degradado é enorme. Junto com a mídia burguesa e sua operação de boicote midiático à luta indígena, dão todas as mostras de que Bolsonaro, militares, STF e o Congresso estão prontos para colocarem as diferenças de lado e indiscutivelmente unidos quando se trata de nos atacar em nome dos lucros dos grandes patrões. E por isso é tão criminosa a postura das centrais sindicais e sindicatos nesse conflito.

A CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, respectivamente, poderiam estar levantando uma grande campanha de solidariedade ao acampamento dos povos indígenas em Brasília, levando essa luta para cada categoria onde têm influência e abrindo espaço para a unidade entre a luta dos trabalhadores e dos povos originários - afinal, nossos inimigos são exatamente os mesmos - principalmente nesse momento onde avançam com uma nova reforma trabalhista e outros ataques pró-patronais como a reforma administrativa e privatizações. Porém, pelo contrário, essas centrais se encontram em omissão completa quanto à luta indígena. As mobilizações que convocam - ao invés de servirem à auto-organização dos trabalhadores junto com os setores populares para levantar um plano de lutas nacional, que unifique e fortaleça todas as lutas em curso nacionalmente e prepare uma greve geral contra o governo e os ataques - estão a serviço de uma estratégia eleitoreira que visa desgastar Bolsonaro enquanto segura o freio do descontentamento social. Uma traição com o objetivo de eleger, em outubro de 2022, Lula e seu programa de conciliação com a direita e o empresariado (entre eles o agronegócio).

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Como escrevemos aqui, não podemos confiar em nenhuma ala que se propõe a gerir esse regime político, como faz Lula e o PT, que governaram por mais de 10 anos ao lado do agronegócio, dos militares e da direita mais nojenta e racista, atacando os povos originários, e que ainda o fazem nos estados e prefeituras onde governam.

A atuação que essas entidades vêm tendo é de garantir que qualquer tipo de iniciativa seja fragmentada, espaçada no tempo e minoritária. Já passaram muitos dias de luta e seguem havendo datas e manifestações, cada uma com uma pauta diferente, sempre legítima, porém fragmentada, dispersando energias e forças dos que querem se organizar para lutar. Por isso, é necessário exigir que as centrais sindicais e as entidades estudantis, como a UNE, dirigidas pelo petismo e pelo PCdoB, rompam com a omissão eleitoralista - que evita se sujar com o agronegócio racista para preservar futuras alianças e cujo resultado é o acúmulo de derrotas que estamos sofrendo - e organizem os trabalhadores e a juventude contra os ataques e em unidade com os povos originários e seu grande exemplo em Brasília.

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As centrais sindicais como a CSP-Conlutas e as Intersindicais, onde PSTU e PSOL têm peso, deveriam dar exemplo nas categorias onde estão, com assembleias de base que votem uma exigência unificada à CUT e CTB, que dirigem setores de massas. Isso poderia ser fortalecido a partir das entidades estudantis que dirigem e dos parlamentares da esquerda, buscando também chegar nas bases das categorias das grandes centrais e apontar um caminho alternativo, que parta de fortalecer as batalhas em curso no país como o acampamento em Brasília.

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