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ENTREVISTA | Chamado à esquerda para construir um Comitê Nacional pela Greve Geral

Conversamos com Fernanda Peluci diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Flávia Valle professora em Minas Gerais e Marcello Pablito, do Conselho Diretor de Base do Sindicato dos Trabalhadores da USP sobre a proposta de um Comitê Nacional pela Greve Geral.

terça-feira 29 de junho | Edição do dia

Esquerda Diário: Como vocês estão analisando a situação política depois do escândalo da Covaxin?

Fernanda: Bom, a gente considera que este escândalo é mais uma mostra da política reacionária do governo Bolsonaro, né? Que se soma a todos os ataques que estão em curso, como as reformas, os cortes e as privatizações. Por isso é importante dizer também que em relação a estes ataques tanto o STF quanto o Congresso Nacional e os governadores estão de acordo. Em nossa visão está colocada a necessidade de batalhar para fazer com que a classe trabalhadora entre em cena na luta contra o governo Bolsonaro-Mourão. Há uma grande tentativa de querer fazer da gente espectadores da CPI, mas essa CPI cheia de golpistas não vai derrubar o Bolsonaro. Quem pode derrubar o Bolsonaro e o Mourão são os trabalhadores, com os nossos métodos de luta ao lado dessa juventude, dos movimentos sociais, dos indígenas que já estão em pé de guerra contra a ofensiva do governo e do povo pobre. Só que a gente tá vendo que as centrais sindicais como a CUT e a CTB não estão organizando a nossa luta, muito pelo contrário, estão dividindo os estudantes e os trabalhadores, tentando canalizar a força que se expressou nas ruas eleitoralmente, querendo atos apenas de pressão para que o Congresso vote um impeachment que significaria a entrada do racista do General Mourão, e nós queremos derrubar esse governo todo com a luta.

Esquerda Diário: Qual a proposta vocês estão defendendo diante dessa situação?

Pablito: Então, como a Fernanda colocou, a gente quer defender o caminho da luta de classes pra derrubar esse governo, como debatemos no Encontro de trabalhadores do Esquerda Diário, nesse último sábado, com mais de 200 trabalhadores de todo o país. Por isso é que agora mais do que nunca é necessário lutar por uma greve geral pra derrubar o Bolsonaro, o Mourão e cada um dos ataques como as reformas, cortes e as privatizações, além de defender nossos empregos, enfrentando as demissões e a precarização do trabalho. Mas nós queremos derrotar o Mourão também, e não eleger ele através de um impeachment, por isso, como explicamos mais no editorial do Esquerda Diário, vamos lutar para impor uma nova Constituinte, que seja livre e soberana e na qual seja a maioria da população a decidir os rumos do país sem estar subordinada a todas essas instituições do golpe institucional. Colocar de pé essa greve geral significaria paralisar amplos setores da classe trabalhadora, imagina a força, todo mundo viu algumas semanas atrás os metroviários de São Paulo parando, e mesmo sendo numa escala menor do que uma Greve Geral, já mostrou a força que tem, então imagina organizar varias categorias de trabalhadores paralisados junto com a juventude e os movimentos sociais, como por exemplo indígenas. Por isso, consideramos que é decisivo exigir que se realizem imediatamente assembleias de base em todos locais de trabalho e estudo, enfrentando a política de decisões de cúpula das burocracias sindicais. Para gente isso é o mais democrático e necessário.

Esquerda Diário: Qual chamado estão fazendo para a esquerda?

Flávia: Estamos chamando toda a esquerda a colocar de pé um Comitê Nacional pela Greve Geral. Esse é o chamado. Estamos participando de todas as manifestações de rua, sempre denunciando a tentativa das direções de transformar os atos em combustível eleitoral pro Lula em 2022, e também defendendo os métodos de luta da classe trabalhadora. Um Comitê como esse pode reunir imediatamente amplos setores da esquerda com este mesmo objetivo, uma frente única com objetivos de ação na luta de classes, batalhar por uma Greve Geral para que a classe trabalhadora junto aos estudantes possam golpear com um só punho o governo. A esquerda deveria dar o exemplo, organizando de forma coordenada assembleias nos sindicatos e entidades que dirigem para votar a exigência às centrais sindicais para que elas construam uma greve geral. Imaginem centenas de sindicatos dirigidos pela CSP-Conlutas e pelas duas Intersindicais aprovando essa exigência? A força que isso pode ter para impor que a CUT e a CTB parem de dividir a nossa luta e evitar que a classe trabalhadora entre em cena. O PSOL, seus parlamentares, o PSTU, PCB, UP e todas as correntes de esquerda poderiam se unificar nesse Comitê para dar essa batalha de maneira unificada, para além das importantes divergências que a gente debate no próprio movimento, como Pablito colocou muito bem em relação a nossa proposta de lutar por uma nova Constituinte imposta pela luta. No movimento estudantil algumas dessas organizações também têm peso e seria muito importante se somar nesse comitê, organizando com esse conteúdo a força dessa juventude que tá aí na linha de frente dos atos.

Esquerda Diário: E quando começarão a divulgar essa proposta?

Pablito: Imediatamente, já estamos divulgando essa ideia no Esquerda Diário e vamos buscar as organizações de esquerda pra debater essa proposta. A gente chama todos os trabalhadores e jovens a divulgar com a gente. Como disse a Flávia seria, na prática, organizar um polo da esquerda em torno de um ponto comum, a Greve Geral, pra buscar impor essa política em alguns setores dirigidos pela burocracia sindical. Acreditamos que essa batalha é urgente e é para agora.




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