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Geopolítica e Luta de Classes | O que está em jogo na geopolítica para a China nos 100 Anos do Partido Comunista?

Hoje se completa o centenário do Partido Comunista Chinês, em meio a uma elevação de tom dos EUA junto da União Europeia com as cúpulas do G-7 e da OTAN. A atualidade da caracterização leninista da época imperialista de crises, guerras e revoluções se revela com enorme clareza nas disputas entre esses países. Apenas a luta de classes pode dar uma saída e golpear o capitalismo imperialista, algo que o PCCh abandonou a muito tempo, depois de capitanear a restauração burguesa na China e trair a revolução de 1949.

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

quinta-feira 1º de julho | Edição do dia

"Qualquer um que tentar fazer isso se verá em rota de colisão com uma grande muralha de aço forjada por mais de 1,4 bilhão de chineses", disse Xi Jinping durante o evento que comemorou o 100º aniversário do Partido Comunista Chinês, pois “os chineses nunca permitirão intimidação, opressão ou subjugação estrangeira”. No caso, esse é um claro recado ao Ocidente, em especial aos EUA, para que não atrapalhem seus planos.

Essa data histórica e o gigantesco evento são parte da resposta política chinesa às recentes disputas geopolíticas. Biden intensificou o tom contra o gigante asiático e elegeu o país como a principal ameaça a sua hegemonia imperialista - como fez no documento de segurança nacional dos EUA em março. A retomada da OTAN e o alinhamento do G7 para endurecer a mão em relação à China são sintomáticos: a guerra comercial, a disputa tecnológica e geopolítica são a expressão de que, em uma época de crise da hegemonia estadunidense, a China não pode avançar.

Trata-se de um verdadeiro jogo de xadrez. Ainda que atualmente nem China, nem Estados Unidos pretendem entrar em um confronto militar aberto, é evidente que as tensões militares vêm aumentando. "Resolver a questão de Taiwan e realizar a reunificação completa da pátria são as tarefas históricas inabaláveis do Partido Comunista Chinês e a aspiração comum de todo o povo chinês" - disse Xi Jiping em seu discurso. Taiwan é um entreposto estratégico dos EUA, produtor de semicondutores, é fundamental para a China e sua supremacia na região - e não parece que o PCCh esteja disposto a voltar atrás nesse quesito. Da mesma forma, o domínio do Mar da China Meridional é fundamental em termos de defesa e interesses geopolíticos; Japão, Austrália, Índia e EUA já retomaram o Quad, aliança bélico-militar no Pacífico, ao passo que a Rússia estreita laços com os chineses. Há uma escalada armamentista e os revolucionários devem reconhecer isso com clareza.

A irredutibilidade em relação à assimilação de Hong Kong ao modus operanti político de Pequim e as disputas na indústria militar e de alta tecnologia também são de extrema relevância. Não à toa, as ações na Bolsa de Valores da China fecharam em alta nesta quarta-feira, com os principais índices de tecnologia do país registrando seus maiores ganhos trimestrais em um ano com o suporte de Pequim e fortes expectativas de balanços. É uma mostra de que o mercado financeiro chinês está junto de Pequim e do Partido Comunista. Os bilionários das gigantes multinacionais como Huawei, Xiaomi (ambas privadas), agradecem.

Saiba mais: [PODCAST] Internacional - Biden, o G7 e a OTAN

De conjunto, essas tensões renovam e dão vida a caracterização de Lenin da época imperialista como de crises, guerras e revoluções. Para enfrentar o imperialismo e a miséria capitalista em todo o mundo, é preciso confiar apenas na força da classe operária para construir a revolução socialista. O PCCh faz 100 anos, mas ele não é o mesmo partido fundado pela classe trabalhadora chinesa em 1921 no calor da Revolução de Outubro. Com a stalinização da Internacional Comunista e após a histórica e vitoriosa Revolução Chinesa de 1949, o PCCh é o partido - mesmo diante de inúmeras contradições internas nesse complexo processo - é o partido que conduziu, às custas da classe trabalhadora e dos camponeses pobres, a restauração do capitalismo na China.

O PCCh passou para o lado oposto da barricada, é hoje um partido de conciliação de classe e burguês, que diante do horizonte da guerra mantém os 1,4 bilhões de chineses sob a linha de produção (essa também de aço) da exploração do trabalho e da morte. Para combater o imperialismo, apenas a classe operária organizada em um partido revolucionário internacional, imbuída da tática e estratégia soviética e leninista é que pode dar um horizonte à humanidade: socialismo ou barbárie! Torna-se tarefa número zero dos revolucionários colocar de pé um movimento internacional pela reconstrução da IV Internacional de Trotski, o único partido que combateu o fascismo, imperialismo “democrático” e o stalinismo confiando apenas nas forças da classe operária internacional.

Dossiê: 100 anos da fundação do Partido Comunista Chinês




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