Educação

No RS, proibição de inscrições no EJA nega ensino à milhares de alunos

Em 2020, Eduardo Leite (PSDB) proibiu a abertura de novas turmas nas modalidades EJA, Neeja e cursos técnicos. O motivo seria "a pandemia de coronavírus e as dificuldades sociais impostas pelo contexto mundial", segundo resposta da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) à imprensa. Justificativa essa que destoa das medidas do governo durante a pandemia, quando sempre buscou retornar às aulas por cima das decisões e da saúde da comunidade escolar.

sexta-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Foto: MARCOS SANTOS/USP IMAGENS

A decisão do governador ocorreu em meio à pandemia de coronavírus, a abertura estadual de novas turmas para 2021 no sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA), assim como a proibição de matrículas para o Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos e Cultura Popular (Neeja) e para cursos técnicos em escolas estaduais.

Milhares de adultos e adolescentes sofrem diretamente por esse ataque contra a educação pública. O EJA, assim como os outros cursos já vinham sofrendo sucateamento anteriores à pandemia. Eduardo Leite aproveita-se do coronavírus para avançar com os planos de exclusão de milhares da educação, em especial aqueles que já tiveram uma trajetória de vida que os obrigou a buscar a conclusão do ensino fundamental e médio somente quando adultos.

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A justificativa do governo para a proibição de matrículas foi a pandemia do coronavírus. Contudo, o mesmo governo tentou por diversas vezes retornar às aulas presenciais nas escolas, procurando usar diversas medidas autoritárias para impor sua vontade sob a comunidade escolar.

Escolas e instituições vêm denunciando o fechamento de turmas e o desmonte do sistema EJA, assim como solicitações para a reabertura das inscrições para 2021. A pressão chegou à Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, tendo como resultado um debate com representantes de instituições de ensino e a definição de uma audiência pública que debaterá os problemas.

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O retorno das inscrições no EJA, assim como a sua ampliação e melhora, só é possível quando as decisões sobre os rumos da educação, que afeta diretamente a vida dos estudantes, professores e pais trabalhadores sejam tomadas pela própria comunidade escolar, e não implantada de forma autoritária pelos governos de acordo com interesses de empresários e capitalistas.




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