Economia

Não satisfeito com congelamento, Guedes propõe PEC para cortar 1/4 do salário dos servidores

Guedes já havia conseguido negociar o congelamento do salário dos servidores públicos (exceto dos policiais) até 2021 em troca de um auxílio para estados e municípios. Mas, não satisfeito, quer impor por uma Proposta de Emenda à Constituição a redução de 25% da remuneração destes trabalhadores.

sábado 27 de junho| Edição do dia

Como noticiamos em detalhes aqui, Guedes já havia conseguido negociar o congelamento do salário dos servidores públicos (exceto dos policiais) até 2021 em troca de um auxílio para estados e municípios. Isso está previsto numa lei para estados e municípios, da qual foi barrada pelo STF a permissão de redução da jornada e do salário dos servidores públicos. Ou seja: a equipe econômica de Guedes e Bolsonaro passa da conta até mesmo na avaliação de inimigos dos trabalhadores como são os privilegiados ministros do Supremo.

Mas, não satisfeito, Guedes insiste no seu ataque e quer colocar em votação duas Propostas de Emenda à Constituição (Emergencial e do Pacto Federativo) que estão no Senado desde o ano passado. Sim, a sanha ultraneoliberal de Guedes o leva a propor alterar a constituição, que já permite uma série de ataques ao funcionalismo por via por exemplo da Lei de Responsabilidade Fiscal, para atacar ainda mais, em plena pandemia, podendo levar à redução de 25% da remuneração destes trabalhadores.

Como, infelizmente, era de se esperar, o discurso de Guedes se baseia na falácia de que os servidores são privilegiados. Em live com Jair Bolsonaro na última quinta ele vai além, alegando que a população pode ver com maus olhos se o funcionalismo não sofre ataques, porque isso seria um privilégio. Com isso, o “Chicago Boy” deixa claro suas intenções políticas e econômicas. Não se trata “apenas” de chantagear governadores e prefeitos para atacarem seus respectivos servidores, o que sabemos que estão dispostos mas que podem encontrar resistência e luta de classes. Se trata de rebaixar as condições de vida até dos setores da classe trabalhadora que mantém o mínimo de direitos trabalhistas, para que aqueles trabalhadores da iniciativa privada que já sofrem com redução de horas, salário, suspensão de contratos e demissões, não possam reclamar ter direitos iguais aos de trabalhadores do funcionalismo.

Por isso é essencial não aceitar nenhum retrocesso nos direitos dos trabalhadores, e unificar efetivos, terceirizados, estáveis, precários e informais, defendendo as demandas dos que mais estão sofrendo, como os entregadores de aplicativos, que são a maioria negros, e batalhando contra os patrões, seus políticos e ministros como Guedes, para barrar os ataques a qualquer trabalhador e avançar para questionar as condições de trabalho e vida de toda a classe, desde os mais vulneráveis, passando pelos servidores públicos ultraexplorados, como são os trabalhadores da saúde e da educação.




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