Juventude

LIBERDADE PARA PABLO HÁSEL!

Juventude declara guerra à monarquia espanhola

Hoje a juventude no Estado Espanhol toma as ruas pela sétima noite consecutiva pela liberdade imediata de Pablo Hásel, rapper detido dentro de uma universidade por injúria à coroa.

terça-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

Em pleno 2021, existir uma monarquia seria cômico se não fosse trágico e repressivo. E tragicamente combina com a forma medieval que os Estados respondem à pandemia, que já matou 67 mil somente no Estado Espanhol. Nos últimos dias, a raiva que se gesta na corrente sanguínea da juventude se fez sentir nas ruas.

Mas o Estado Espanhol não é governado por “socialistas”? O Partido Socialista Operário Espanhol, está em um governo de coalizão com o Unidas Podemos, Esquerda Unida e o Partido Comunista da Espanha (próximo à tradição política de Pablo Hásel), e se auto-intitularam como o governo mais progressista da história, SENDO QUE SEQUER CUMPRIRAM ALGUMAS DE SUAS PRÓPRIAS PROMESSAS: acabar com a Lei da Mordaça e outros artigos do Código Penal que são instrumentos de perseguição da liberdade de expressão, como o aplicado contra Hásel, POR "injúrias à coroa ou enaltecimento do terrorismo". E assim garantem que existam rappers na prisão ou no exílio, jornalistas ou twitteiros punidos, e a própria repressão das manifestações.

Pedro Sánchez, o presidente, PARA PROTEGER A MONARQUIA CORRUPTA afirmou: “Em uma democracia plena é inadmissível o uso da violência” para condenar a juventude que se rebela. Choveram memes no twitter que diziam “Ai, isso não aconteceria se o Podemos estivesse no governo”. Enfim, o que esperar de quem se propõe a gestar o capitalismo?

A juventude que se rebela tem majoritariamente entre 16 e 22 anos, e possui condições de vida que se degradam em uma geração que praticamente não conheceu outra vida que não a em crise econômica, afinal, se hoje a juventude está em mais de 50% desempregada, nos últimos anos a taxa esteve em torno e 34% (qualquer semelhança com a nossa realidade BR é mero capitalismo). O Estado Espanhol, além de ser o primeiro país em desemprego na juventude, também é o que tem a maior parte em trabalhos temporários, com 69,5% dos jovens submetidos a esta instabilidade. É uma geração para a qual o acesso e permanência no ensino superior se transformou em verdadeiro artigo de luxo. O ódio à repressão e à monarquia que se expressa nas ruas não é nem um pouco gratuito.

Tampouco é recente, e se aprofundou em 2020, LEVANDO A até uma tentativa de fuga do país, com o estouro de casos de corrupção milionários em meio à falta de insumos básicos nos hospitais. Em 2018, se realizou um movimento de Referendos sobre a monarquia quando mais de 90 mil estudantes votaram contra ela, além dos referendos auto-organizados em periferias e povoados. Isso ocorreu após a luta pela autodeterminação da Catalunha em 2017, quando uma repressão brutal por mando da monarquia franquista e apoiada pelo Podemos buscou calar manifestações multi-etárias. Anterior a isso, com os impactos da crise econômica de 2008, agravada hoje pela pandemia do coronavírus, o Estado Espanhol foi palco também do movimento dos Indignados, de 2011 a 2015, com ocupações de praças, escolas, e um forte rechaço às mazelas do sistema capitalista. Estes processos de luta foram canalizados eleitoralmente também pelo Unidas Podemos, cuja atuação hoje é digna do termo reacionário, e pode significar uma experiência de fundo das massas para superar o neorreformismo, demonstrando sua total incapacidade de responder às mazelas que atingem a população.

A crise que se expressa com o governo de coalizão é parte de ampararem a corrupção da Monarquia e de não terem cumprido nenhuma outra promessa elementar, como é a anulação da reforma trabalhista: responsável pela precarização do trabalho e pela entrega de bilhões de euros para as 35 maiores empresas do Estado Espanhol.

A crise também atinge os setores independentistas no governo da Catalunha, os mossos, a tropa especial que prendeu Hásel, estão sob suas ordens, os mesmos que reprimiram em Barcelona, Girona, Vic, e outras (Esquerda Republicana da Catalunha e Juntos pela Catalunha), localizando-os como parte da sustentação do Regime de 78. A adaptação ao atual regime demonstra a incapacidade do neorreformismo e do independentismo catalão em enfrentar a extrema-direita que ficou evidente no último domingo, quando o Vox obteve a marca inédita de 7,7% dos votos.

A nova geração de lutadores está batalhando para desenhar uma saída a partir das ruas: se enfrenta com um Regime de 78 apoiado em um poder legislativo que censura com a Lei da Mordaça, com um Poder Judicial que exerce repressão apoiado na Audiência Nacional herdeira da Ditadura de Franco, com um Poder Executivo que reprime, e com o fortalecimento de uma extrema-direita que se apoia em um discurso anti-sistêmico para propor medidas anti-imigrantes e anti-operárias. Em contrapartida essa juventude organiza greves em várias universidades, inspirados na força das trabalhadoras da saúde e nas operárias têxteis de Mianmar que hoje foram linha de frente de uma Greve Geral contra o golpe militar neste país.

Na última onda de luta de classes, interrompida pela pandemia, o ponta pé foram os catalães. Em 2011, a juventude do Estado Espanhol irrompeu para acompanhar a Primavera Árabe. Quais ventos traz agora? Precisarão ser aqueles que atualizem Maiakowski, para que à juventude caiba queimar de uma vez as vestes monárquicas que ainda restam e sacuda o que puder. Rumo ao 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, milhares prometem tomar as ruas novamente. Se o FMI prevê novas revoltas, que batalhemos para que com a organização da classe trabalhadora a disposição de luta não seja canalizada por aqueles que se propõe gestar este sistema de miséria, opressão e exploração, mas sim que as revoltas possam se transformar em revoluções.

Nossa organização irmã da Fração Trotskista no Estado Espanhol, a CRT, se coloca a serviço desta juventude que se levanta, pela liberdade de Hasel e todos os presos políticos, contra a repressão e para acabar com a monarquia franquista em uma perspectiva anticapitalista e revolucionária. Um movimento deste tipo poderia ter impacto na classe operária e estimular sua entrada em cena para dar uma resposta à crise e nesta perspectiva, e defende a centralidade de avançar para construir uma esquerda anticapitalista e de classe na Europa.




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