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MACHISMO

“É tentativa de estupro” diz advogada de vítimas que acusam ator Marcius Melhem, ex-Globo

O ator ex-Globo foi acusado por Dani Calabresa e outras mulheres de assédio sexual e abuso. O caso ganhou repercussão após publicação da Piauí. A Globo afastou o ator, mas manteve silêncio.

sexta-feira 4 de dezembro de 2020| Edição do dia

O ex-Globo, Marcius Melhem é acusado de assédios e abuso por Daniela Calabresa e outras funcionárias do grupo Globo desde o início de 2020. A notícia ganhou repercussão após publicação da revista Piauí. A Globo afastou o ator, mas manteve silêncio sobre o caso.

A advogada das vítimas relatou que os episódios relatados na matéria da revista Piauí são de tentativa de estupro, além dos assédios. "Desde o início, a gente quer manter a privacidade das vítimas, não expor, dar o tempo que elas precisam. A meu ver, como advogada, o que está descrito na matéria vai além do assédio sexual. É uma tentativa de estupro".

Na matéria, se relata que Marcius Melhem teria perseguido Dani Calabresa diversas vezes após o primeiro caso de assédio, ocorrido em 2017. Ele teria tentado beijar Dani Calabresa de forma forçada, e depois a imobilizado na saída do banheiro, lambido seu rosto e esfregando o pênis em sua perna. Ambas as cenas tem testemunhas que corroboram as acusações.

Dias depois um novo caso de assédio ocorreu, no Projac, estúdio de gravações da rede Globo, onde, também com testemuhas, Melhem teria dito à Calabresa “Que culpa eu tenho do que aconteceu! Quem mandou você estar muito gostosa?”

A reportagem da Piauí disse ter escutado 43 pessoas para a matéria, dentre elas duas vítimas de assédios do ex-ator global. A grande maioria das pessoas deu depoimentos com a condição do anonimato, com medo de represálias da rede Globo, que se diz ser uma “defensora dos direitos humanos”, mas gera este medo em seus funcionários.

A Globo, após enorme repercussão, divulgou nota oficial sobre o caso, sem tomar qualquer tipo de posição, tentando limpar a própria cara, e dizendo que reformulou seu DAA (Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico, departamento que recebe queixas dos funcionários da área). A antiga chefe deste departamento, Monica Albuquerque, decidiu sair do cargo nesta semana.

Veja abaixo a nota oficial da Globo, que se esquivou de comentar o caso, justificando o sigilo pelo processo ainda corrente:

A Globo não comenta questões de compliance, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento. A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado. Neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo. Por esse Código, assumimos o compromisso de sigilo do processo, assim como o de investigar, não fazer comentários sobre as apurações e tomar as medidas cabíveis, que podem ir de uma advertência até o desligamento do colaborador. Mesmo nas hipóteses de desligamento, as razões de compliance não são tornadas públicas.

Somos muito criteriosos para que os estilos de gestão estejam adequados aos comportamentos e posturas que a Globo quer incentivar e para que as medidas adotadas estejam de acordo com o que foi apurado. Não foi diferente nesse caso. O acolhimento e a empatia com quem relata situações de violação do Código de Ética são pontos essenciais do programa de compliance da empresa.

Isso não quer dizer que os processos de compliance sejam estáticos. Ao contrário. Eles evoluem constantemente para acompanhar as discussões da sociedade. As práticas e as avaliações são revistas o tempo inteiro, assim como são propostas e acolhidas sugestões de melhoria nos mecanismos de comunicação interna. A própria sociedade está se transformando e a empresa acompanha esse processo.




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