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ATRASO BOLSAS PIBID E RP | "É minha forma de permanecer na universidade": Vejam depoimentos de bolsistas PIBID e RP da UFSCAR sobre atraso de bolsas

Atraso prolongado de bolsa PIBID afeta estudantes da UFSCar: “São 400 reais que a gente sabe que faz falta, principalmente levando em consideração que as coisas estão absurdas de caras.”

quarta-feira 10 de novembro | Edição do dia

Foto: Nelson Almeida/AFP

Desde o começo de setembro, milhares de estudantes bolsistas, tanto do PIBID quanto da Residência Pedagógica, estão sofrendo na pele o corte devastador na Ciência e Educação realizado por Paulo Guedes, o então ministro da economia de Jair Bolsonaro. Já são inúmeros os relatos dos estudantes que estão sendo afetados de alguma forma com a ausência do pagamento, afinal de contas, R$400 reais faz toda a diferença para muitos poderem quitar as dívidas mensais que não param de aumentar, em meio a uma crise produzida pelos capitalistas e seus governantes.

Tanto o PIBID (Programa de Iniciação a Docência) quanto a Residência Pedagógica são programas fundamentais para que os alunos de cursos da licenciatura possam tomar contato com a experiência da docência, demandando uma disposição e tempo consideráveis e que exigem um grande comprometimento por parte dos bolsistas. Nesse sentido, é absurdo que o auxílio de um programa com tal magnitude e importância não esteja sendo repassado aos estudantes. Sabemos bem que o sistema capitalista faz de tudo para tirar o máximo de nosso trabalho sem garantir nada em troca, nesse caso, o sucateamento da educação pública pela postura neoliberal de Paulo Guedes vem de encontro com o objetivo de arrancar qualquer qualidade de estudo e de trabalho da juventude, jogando principalmente a população negra e os mais pobres em trabalhos precarizados e informais.

O atraso das bolsas também é um ataque à permanência estudantil

Assim como está ocorrendo em inúmeras universidades no Brasil, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) a permanência estudantil está em risco, uma vez que muitos estudantes dependem do pagamento dessas bolsas para complementação de sua renda. Diante dessa situação, nós do Esquerda Diário e da Juventude Faísca reunimos depoimentos de alunos com bolsa PIBID que denunciam a situação atual causada pelos atrasos nas bolsas, como é o caso de Matheus e Beatriz, estudantes de filosofia que afirmam:

“é uma baita desvalorização em relação aos profissionais da educação, porque querendo ou não somos nós que formamos, educamos e alfabetizamos. (...) Muitos dependem dessa bolsa para pagar o aluguel, pois são de outra cidade, ou para ajudar a pagar a alimentação, que é o meu caso.”

“Faz muito tempo que a gente tá sofrendo com essa falta de prioridade para com a educação e isso é refletido tanto na jornada de trabalho dos professores, na infraestrutura das escolas, quanto na própria formação desses.” (Beatriz, estudante de filosofia UFSCar)

Outro depoimento semelhante é o de Tábata, estudante de letras na UFSCar que deixa claro o quanto a crise econômica do capitalismo afeta a juventude

“São 400 reais que a gente sabe que faz falta principalmente levando em consideração que as coisas estão absurdas de caras. (...) Ficou faltando coisa, tive que pedir auxílio para amigos etc. Existem pessoas que dependem completamente dessa renda. Pode ser pouco, mas faz uma grande diferença”

Embora a constituição burguesa ame falar que a educação é um direito básico, sabemos bem que para o capitalismo nosso ensino não passa de mera mercadoria, a tal ponto que questões de suma importância como nossa permanência na universidade está constantemente ameaçada pelos ataques dos capitalistas e seus governos. Nesse sentido, muitos estudantes acabam tendo que procurar um trabalho para poder se sustentar nas cidades universitárias, o que por sua vez resulta em uma carga horária de afazeres extremamente alta e desgastante, tudo isso para garantir a permanência na universidade, o que deveria ser garantido enquanto um direito.

“A gente da licenciatura está em constante ataque (...) Minha permanência já estava complicada com a bolsa, tudo que eu estava fazendo ainda não fechava um salário mesmo trabalhando mais de 8 horas por dia (...) Foi bem traumático pra mim, pois é minha forma de renda e de permanecer na universidade.” (Débora, estudante de filosofia UFSCar)

Os relatos de Débora escancaram a decadência do sistema capitalista e de sua incapacidade de garantir o mínimo para a permanência na Universidade dos filhos da classe trabalhadora. Em meio a um governo genocida encabeçado por Bolsonaro, Mourão e militares, somos nós, estudantes da classe trabalhadora, que sofremos na pele o efeito de todos os ataques da burguesia aos nossos direitos, à nossa educação, saúde, etc. Além disso, nossa classe acaba tendo como única perspectiva enfrentar a fila do osso, do lixo, e do auxílio, este que está longe de proporcionar uma renda minimamente decente para suprir nossas necessidades básicas.

Além disso, é importante enfatizar que cortes como do PIBID e Residência Pedagógica não são ataques isolados, mas consequência de uma política capitalista cujo projeto é impedir ao máximo a entrada e permanencia nas universidades públicas de filhos da classe trabalhadora, sendo muitos negros e indígenas.

Por isso, precisamos tomar como exemplo a luta dos indígenas em BSB, e agora dos professores de SP em greve para seguir com a unidade entre o conjunto dos estudantes, professores, graduandos e pós-graduandos, por nossos direitos. Os estudantes bolsistas estão dispostos a lutar pelo que é seu por direito, pois sabem que apenas na luta podemos garantir uma vida melhor para nossa classe.

“Eu vejo isso como um total descaso. É muito triste que não haja essa valorização da educação e dos profissionais. Mas continuemos na luta para cobrar os nossos recursos.” (Matheus, estudante de filosofia UFSCar)

“É um projeto muito interessante, muito importante, e eu acho que devemos lutar por ele, fazer o que for possível.” (Débora, estudante de filosofia UFSCar)

“Se torna tão necessário para nós bolsistas e futuros professores que resistamos a esses cortes e que consigamos trazer todos para essa luta” (Beatriz, estudante de filosofia UFSCar)

Nesse sentido, a única maneira de barrar os ataques à pesquisa científica e à educação é organizar nossa luta lado a lado de nossa classe, com o objetivo de fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise, pois não devemos nada a esse sistema apodrecido que vive de nossa exploração.

A UNE tem a obrigação de convocar junto aos bolsistas assembleias de base em cada universidade. Hoje a UNE (União Nacional dos Estudantes), a principal e maior entidade estudantil do país, é dirigida majoritariamente pelo PT, pelo PCdoB (UJS) e Levante Popular. Sua direção, principalmente a UJS, corrente de sua presidenta Bruna Brelaz vem atuando com uma política de aliança com a direita que nos ataca. O restante da majoritária aposta na estratégia eleitoral, em uma espera passiva das eleições de 2022 para eleger Lula. Essas alternativas não respondem os dilemas e miséria da juventude que passa fome hoje. É inadmissível que tenham junto às Centrais Sindicais cancelado as manifestações pelo #ForaBolsonaro do dia 15, transformando-as em reuniões de cúpula e seguimos a exigência de que organizem os estudantes desde as bases para apontar para um caminho de defesa dos programas.

As correntes que se colocam à esquerda do PT, Juntos (MES-PSOL), UJC, Correnteza, Vamos à luta e outras estão à frente de entidades em todo o país e precisam dar exemplo com a convocação destas assembleias e com a defesa de um comando de delegados bolsistas e não bolsistas eleitos pela base que possam definir os rumos da mobilização. A juventude pode cumprir um papel explosivo levantando demandas como o reajuste salarial de acordo com a inflação neste país de fila do osso e fila do lixo, combinado ao reajuste das bolsas.

É necessário que tenham assembleias de base e gerais em cada local de estudo, e que o DCE da UFSCar assim como as direções dos centros acadêmicos convoquem esses espaços para que os estudantes bolsistas estejam na linha de frente contra os contínuos ataques vindos de Bolsonaro e Mourão, e para que essa luta esteja nas mãos dos próprios estudantes e sem qualquer confiança nas alianças reformistas com a burguesia, pois só com nossas próprias forças e independência de classe que iremos barrar todos os ataques dos capitalistas!

PELOS PAGAMENTOS DAS BOLSAS JÁ!
FORA BOLSONARO, MOURÃO E TODOS OS MILITARES!
QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE!




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