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"Direita e extrema direita na Band: diferentes caras para atacar os trabalhadores", diz Pablito

O debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo na Band apresentou a cara da direita e da extrema direita, esse leque de candidaturas que trocam farpas na TV, mas que estão de mãos dadas em prol das reformas e das privatizações para fazer você pagar pela crise.

sexta-feira 2 de outubro| Edição do dia

O debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo na Band apresentou a cara da direita e da extrema direita, esse leque de candidaturas que trocam farpas na TV, mas que estão de mãos dadas em prol das reformas e das privatizações para fazer você pagar pela crise.

Defesa de ainda mais chumbo policial contra os moradores da Cracolândia; ainda mais privatizações para entregar tudo aos empresários e destruir os serviços públicos; defesa inescrupulosa de Bolsonaro; defesa da reforma da previdência; defesa de atrelamento do Estado e Igreja; acabar com o transporte público; calçadas e pernilongos: o debate mostrou a miséria que é o debate político e a capacidade da direita e da extrema direita de pensar saídas aos problemas da cidade.

Russomanno, o candidato em primeiro lugar nas pesquisas, mostrou que é o candidato de Bolsonaro. O que mais se ouviu de sua boca foi "eu, como amigo de Bolsonaro": assim dizia que conseguiria investimento na cidade, renegociação da dívida pública que é o ralo orçamentário que vai direto pro bolso dos capitalistas. Repetia em tom monótono que iria "cuidar de gente" mas perdeu a linha quando Guilherme Boulos, do PSOL, falou sobre os episódios em que humilha trabalhadores na televisão. Russomano se "importa com gente" como Bolsonaro, que em nome dos lucros dos capitalistas permitiu a morte de 150 mil pessoas por Covid-19. É a mesma política reacionária que o aliado de Edir Macedo quer trazer pra São Paulo, e que expressou no debate com sua fala mansa e pastosa.

Bruno Covas mostrou que se orgulha do legado tucano da total entrega de SP aos bolsos dos grandes empresários e reafirma que, se reeleito, seguirá neste caminho, que é o mesmo das reformas que fazem os trabalhadores pagarem pela crise. Foi o legado que aprovou a reforma da previdência municipal, fazendo com que os trabalhadores, inclusive da saúde que estão na linha de frente da luta contra a pandemia, tivessem que trabalhar muitos anos a mais para se aposentar. O mesmo legado de Doria que aprovou a reforma da previdência estadual, que confisca uma parte do salários dos servidores, e vai fazer que muitos delas, inclusive os professores, trabalhem até morre. Mentiu sobre as creches públicas para fazer demagogia em relação à educação, como se não fosse o prefeito que quer colocar milhões de crianças à exposição de contaminação pelo coronavírus, como se não fosse o prefeito da privatização dos CEUs e da precarização das merendas com demissão de milhares de merendeiras em plena pandemia.

Joice Hasselmann e Mamãe Falei deixaram claro mais uma vez a escrotidão da extrema direita. Hasselmann, como quem nunca andou de ônibus, quer destruir o transporte público e oferece solucionar os problemas da Cracolândia com "Cristolândia", falando de Deus e botando igrejas para solucionar os graves problemas sociais da região. Arthur do Val, o almofadinha que fez pose de trabalhador, é o cretino que quer acabar com a cultura negra, privatizar a educação pública e fazer jovens brincarem de start ups com o dinheiro público.

O candidato petista Jilmar Tatto foi uma nulidade no debate, mas nos momentos em que abriu a boca era para tentar se apoiar na herança de Haddad e de Marta, gestões em que foi secretário de transportes. Se gabou de ter "criado o bilhete único" e o "passe livre estudantil", mas lembramos muito bem de Haddad e Alckmin de mãos dadas para reprimir as manifestações de 2013, que arrancaram as conquistas enquanto a preocupação dos petistas foi aumentar o subsídio para engordar as máfias dos transportes. Tatto sequer criticou o governo de extrema-direita de Bolsonaro, mostrando o quão adaptado ao regime reacionário está o PT, que em 140 cidades saiu aliado com o ex-partido de Bolsonaro e atual de Joice Hasselman, o PSL. De "trabalhadores" nesse partido, sobrou apenas o nome.

Marcello Pablito, da Bancada Revolucionária de Trabalhadores do MRT, disse: "É de dar ódio e nojo em qualquer trabalhador ouvir as bizarrices que saem da boca dos políticos patronais, com sua defesa dos lucros, das privatizações, das reformas que atacam nossos direitos, da repressão policial aberta e escancarada. Entre a direita ’tradicional’ de Russomano e Covas, e a ’nova direita’ espumante de mamãe falei e Joice Hasselmann, fica evidente que é necessário construir com toda a força uma alternativa independente dos trabalhadores para varrer esses políticos e o regime podre do qual fazem parte, que só tem miséria e exploração para reservar aos trabalhadores e aos setores oprimidos no capitalismo. Por isso, não podemos repetir a conciliação de classes do PT, que governou junto com essa direita, e agora está coligada com partidos como o PSL em mais de 140 cidades. Assim como consideramos um erro o caminho escolhido pelo PSOL de Boulos que está entrando no mesmo vale tudo eleitoral, fazendo coligações pelo país com partidos como o PSC, PSDB, MDB e DEM. Nossa luta tem que ser independente dos golpistas e patrões."

A absoluta falta de democracia dessas eleições se expressa também pelo fato de que as candidaturas de Vera Lúcia (PSTU), única mulher negra que participaria, e Antonio Carlos Silva (PCO) sequer puderam participar do debate. Todas as candidaturas patronais tiveram sua participação garantida, mas as candidaturas de partidos de esquerda são proscritas e, sem ter os milhões dos partidos burgueses para financiar campanhas espalhafatosas, são marginalizadas por emissoras capitalistas que monopolizam os debates.




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