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CORTES NA EDUCAÇÃO | Cortes de 40% na UFMG atingem em especial os terceirizados e a permanência estudantil

A maior universidade do estado, e uma das maiores da América latina, começou o primeiro semestre letivo na última semana com a perda de mais de 40% de recursos devido aos cortes do governo Bolsonaro. A universidade pode ficar sem caixa para pagamento de contas, contratos de terceirizados, pagamento de bolsas e retorno a atividades presenciais.

Pedro GrongaEstudante de Ciências Contábeis da UFMG

terça-feira 25 de maio | Edição do dia

(Foto: Iana Coimbra) Assembleia dos estudantes da UFMG contra os cortes de gastos 2019.

O sucateamento do ensino público superior vem se tornando cada vez mais drástico, principalmente pós-golpe institucional. Os ataques presentes também no governo PT, e no governo do Temer golpista, vêm destacando-se no governo Bolsonaro que desde a posse apresenta as universidades como inimigas e alvo de ataques, intervenções e cortes.

A UFMG foi atingida em cheio em 26,72% (mais de R$ 50 milhões). Na sequência, houve ainda o bloqueio de 13,8% do orçamento do MEC, o equivalente a R$ 2,79 bilhões, de forma linear em todas as instituições federais de ensino. Para a Federal de Minas, essa última ação significou perdas de R$ 76 milhões (36,5% do orçamento de 2020). A reitora estima que os cortes de recursos fizeram o orçamento da UFMG retroagir a patamares de 2009, quando a universidade ainda não tinha realizado seu projeto de expansão, reestruturação e inclusão.

Sobre o assunto: Entenda a Lei Orçamentária que pode cortar 1,1 bi das federais

Além de afetarem despesas com manutenção da instituição e investimento em ações de ensino, pesquisa e extensão, os cortes prejudicam as políticas e ações afirmativas de inclusão e assistência de estudantes em condições de vulnerabilidade. Hoje, cerca de 8,5 mil dos mais de 32 mil estudantes de graduação da UFMG são apoiados por essas ações. O corte proposto representará perda de cerca de R$ 6 milhões em relação aos recursos da ordem de R$ 34 milhões recebidos no ano passado para esse fim e que não foram suficientes.

Os estudantes, professores e trabalhadores das universidades já vinham combatendo e denunciando esses cortes na educação brasileira, principalmente após a Lei orçamentária anual 2021 (LOA) que retira 1,4 bilhão do orçamento destinado ao Ministério da educação (MEC) e consequentemente às universidades, IF’s e unidades administradas pelo MEC. Além de reduções bilionárias também nos ministérios da saúde, ciência, meio ambiente e outros.

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Esse ataque irá atingir sobretudo os estudantes que necessitam da permanência estudantil, em especial os cotistas, e também os trabalhadores terceirizados. Mostrando que no país onde a polícia assassina negros em suas casas, como fez no massacre de Jacarezinho, os governos também buscam expulsá-los das universidades e aprofundar a precarização do trabalho.

Em um momento que o mundo enfrenta uma grave crise sanitária, o governo Bolsonaro junto à burguesia brasileira demonstra a quem o Estado serve com suas políticas de desmonte dos serviços de atendimento à população. É preciso ressaltar que esse projeto de sucateamento dos serviços públicos e precarização da vida da juventude e dos trabalhadores é levado não só pelo Bolsonaro, mas por Mourão, Militares e os golpistas. Além do congresso nacional e o STF que junto com Bolsonaro sempre apoiou medidas de ataques como a PEC que congelou os gastos públicos em saúde e educação por 20 anos.

Por tudo isso, nossa luta é pela unificação da juventude com a classe trabalhadora para derrubar as reformas, as privatizações e leis burguesas de ataque as universidades, ao trabalhador e de precarização a vida.

Estaremos nas ruas dia 29, defendendo que esse dia seja parte de um plano de lutas para derrotar os cortes e toda agenda de ataques aos trabalhadores e a população, como a reforma administrativa e as privatizações. Por isso defendemos que a UNE deve organizar assembleias com voz e voto aos estudantes em todas as universidades federias , para que os estudantes possam se organizar e lutar. Construindo levando à frente o grito de revolta por Fora Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas.

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