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Conselho Diretor de Base do Sintusp denuncia retorno inseguro de atividades na FAU-USP

Reproduzimos a nota deliberada no Conselho Diretor de Base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) em repúdio à pressão da diretoria da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) para o retorno inseguro das atividades presenciais nesta unidade.

segunda-feira 24 de maio| Edição do dia

Nota do CDB em apoio à Luta das trabalhadoras da Biblioteca da FAU

Mais uma vez, funcionárias da Biblioteca FAUUSP estão sofrendo pressão. Desta vez, a pressão é para retomar o trabalho presencial devido a uma mudança de parte do acervo da FAU Cidade Universitária para a FAU Maranhão. No pior momento da pandemia!

Sob a ironia da faixa “Luto pela vida” fixada na entrada do edifício Vilanova Artigas por ordem da própria diretora Ana Lanna que agora convoca para o trabalho presencial “emergencial”. Após uma tentativa de diálogo com a chefia, na intenção de que houvesse uma participação efetiva das trabalhadoras no planejamento desta mudança, receberam uma resposta autoritária, com a convocação para que 9 pessoas estivessem presentes todas as tardes na biblioteca, entre os dias 18 e 21 de maio, para o empacotamento de aproximadamente 7.000 itens entre livros circulantes, especiais e revistas especiais (o que, por si só, já caracteriza desvio de função)!

Não foi aberto espaço para diálogo, não foram considerados sequer os compromissos do teletrabalho, previamente assumidos para prosseguir com as atividades, como por exemplo a representação da biblioteca em diversas instâncias e eventos. Tentaram argumentar com o item 2 do 15º Plano USP (5/5/2021), que permite o retorno ao trabalho presencial de funcionários e docentes duas semanas após a segunda dose da vacina.

Na biblioteca da FAU, apenas duas funcionárias se encontram nessa situação. Ignoraram que existem funcionárias dependentes de transporte coletivo (sabidamente o maior transmissor do vírus), que existem também maiores de 60 anos, pessoas com comorbidades, pessoas em recuperação de cirurgia e da própria Covid-19. Nada disso foi considerado. Em suma, não foi feito nenhum tipo de consulta sobre as possibilidades e o estado de saúde das trabalhadoras e seus familiares.

Ao contrário, a chefia da biblioteca e a direção da FAUUSP reafirmaram o assédio e o tratamento desigual punindo com corte de ponto as 3 trabalhadoras que mantiveram seu posicionamento contrário à convocação coletiva. A punição desvaloriza a competência e o trabalho realizado pelas funcionárias ao longo dos anos. Estão sendo pressionadas e punidas por não concordar com a política mesquinha de concluir uma mudança de acervos sem necessidade emergencial, pois esse patrimônio não está em risco.

Elas estão sendo punidas por temerem por sua saúde, de sua família e do coletivo, afinal a pandemia continua ceifando vidas e deixando sequelas terríveis nos sobreviventes. “A opção foi feita e as consequências vêm junto com essas escolhas”, disse a chefe da biblioteca sobre a anotação das faltas no espelho do ponto. Além do corte de ponto entre os dias 18 e 21, já existe a ameaça para corte nos próximos dias, pelo menos, até 4 de junho. O negacionismo (explícito ou seletivo) dos governos eleitos coloca toda a população numa roleta russa, com uma estabilidade absurda de 2.000 pessoas, em média, perdendo a vida todos os dias, e com o risco iminente de uma terceira onda ainda mais letal! Isso é normalizar um genocídio!

São Paulo, 21de maio de 2021 Conselho Diretor de Base




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