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CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA E DOS EUA

Confira intervenção de Christian Castillo da FT-QI na primeira mesa da Conferência Latino-americana e dos EUA

Confira a intervenção de Christian Castillo, dirigente do PTS na Argentina e integrante da Fração Trotskista - Quarta Internacional (FT-QI), na primeira mesa da Conferência Latino-Americana e dos EUA, que começou ontem (30) e irá até o dia 1 de agosto, com grandes debates entre as organizações revolucionárias do continente americano.

sexta-feira 31 de julho| Edição do dia

Ontem, 30, ocorreu o primeiro debate da Conferência Latino-Americana e dos EUA, com o tema "Crise mundial e a rebelião no Império". A conferência está sendo impulsionada pela Frente de Esquerda dos Trabalhadores da Argentina, reunindo organizações e partidos socialistas de todo o continente americano, e acontecerá até o dia 1 de agosto.

Confira a programação:

Christian Castillo foi um dos representantes da FT-QI, junto com Jimena Vergara. Ele faz parte da direção do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), partido Argentino que, assim como o MRT no Brasil, compõe a FT-QI e que impulsiona o portal La Izquierda Diario, da rede internacional de diários que o Esquerda Diário integra.

Confira a fala de Christian, com transcrição traduzida abaixo:

Bom, companheiras e companheiros, quero em primeiro lugar fazer uma saudação à Conferência e o debate que está se realizando, e assinalar algumas coisas a partir de algumas das questões que se levantaram nessa mesa.

A primeira coisa é que acredito que foi sem dúvidas um grande acerto de incluir nessa Conferência Virtual os Estados Unidos. Foi uma proposta que fizemos desde o PTS e foi acordada logo com todos os partidos da FIT. Acredito que, com a rebelião que se produz no centro do imperialismo mundial - e que vai ter e já tem influências, sem nenhuma dúvida, não somente na América Latina, mas em nível internacional - poder ter essa reflexão comum entre revolucionários dos Estados Unidos e da América Latina é algo de primeira ordem.

Em segundo lugar, eu acredito que, sobre uma questão que levantou Miguel Sorans, eu não acredito que se possa afirmar que não existe a possibilidade de haver enfrentamento bélico entre EUA e China. Os elementos que têm em comum, sobre a exploração dos trabalhadores, os interesses das multinacionais, não invalidam que possa haver um salto na disputa, não só da guerra comercial, mas da disputa por áreas geopolíticas, de controles econômicos, de influência. E é uma disputa que os EUA tem em sua agenda para limitar o crescimento chinês. Isso pode ou não ter expressões em conflitos bélicos limitados, conflitos “indiretos”, que já existem, mas não podemos descartar em nenhuma maneira a hipótese de algum conflito quente no período que vamos viver daqui para frente. Porque o próprio caráter capitalista dos Estados não exclui o fato de que podemos ter enfrentamentos bélicos. Já o vimos na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. Não estamos, no entanto em uma situação que já se diga que é inevitável, mas sim que há atritos de todo o tipo, e que os EUA em sua decadência procuram tratar de frear o crescimento chinês, e isso está inserido na luta de classes.

O segundo aspecto que queria mencionar, tem haver com remetermos aos fenômenos que vieram depois da crise de 2008. Vimos emergir fenômenos neo-reformistas, como Syriza, e PODEMOS, e uma parte muito importante de toda a esquerda internacional seguiu essa política, levantou que estava superada a tarefa de construir partidos revolucionários e abraçou isso como uma novidade. Parte do que se chamou de “nova esquerda”. Uma parte da esquerda chamou a votar em Syriza, a empossar-los, e dar um passo adiante.

Disso há uma conclusão política muito importante, porque agora a crise pode dar lugar a abertura de situações pré-revolucionárias na próxima etapa. Já vimos isso no Chile, com a grande greve do dia 12 de Novembro, antes da pandemia, havia aberto uma situação pré-revolucionária, e a burguesia se juntou toda para conseguir fechá-la, e sem dúvidas, as consequências dessa crise descomunal, de crise tripla: sanitária, econômica e social, vão a dar lugar a uma agudização na luta entre os Estados, e da luta de classe, e a possibilidade de abertura de situações pré-revolucionárias. Mas provavelmente vão surgir todo o tipo de coisas para frear o movimento de massas para que não chegue a posições revolucionárias. Acredito que nesse sentido levantar uma bandeira clara de independência de classes e a necessidade de um partido revolucionário da classe trabalhadora é uma tarefa central que temos à nossa frente e que essa Conferência tem que levantar e sustentar. Sem que isso signifique deixar de trabalhar sobre os fenômenos progressivos do movimento de massas, dialogando e tendo todo o tipo de táticas para avançar com isso.

Nós desde o PTS e da FT queremos aportar e colocar o que temos conquistado e acumulado neste período para essa saída. Uma rede de diários que teve 13 milhões de acessos no mês de abril, que é um aporte que vemos em cada acontecimento convulsivo da luta de classes, como o papel que cumpriu o Révolution Permanente na França, ou La Izquierda Diario no Chile e na Bolívia, e agora o Left Voice. Também temos realizado, e colocamos a disposição também, uma acumulação teórica e estratégica, que realizamos em distintos campos, com a elaboração e edição de um conjunto de trabalhos: Estratégia Socialista e Arte Militar, a Análise da Questão Indígena na Bolívia, a relação de trabalho entre Trotsky e Gramsci, para colocar alguns [aportes] de temas centrais que tratam dos debates estratégicos, e que temos hoje no movimento revolucionário.

A última coisa que queria colocar é uma proposta para a Conferência, que me parece muito importante, porque no documento de convocatória, deixamos marcado os pontos de acordo com os que convocamos e também os pontos de divergência que vão estar presentes nos debates desta Conferência. E acreditamos que este debate tem que continuar. Temos o desafio de editar um boletim comum entre todas as organizações que estão participando dessa Conferência, para realizar esses debates centrais para ir afinando a ferramenta que permite à classe trabalhadora chegar a vitória.

Muito Obrigado!

Veja também a íntegra do primeiro dia da conferência:




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