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Luta por justiça | Chamado ao movimento de mulheres a repudiar a agressão com ácido sofrida por Francieli

Vimos, indignadas, nesta quarta-feira um patrão jogar ácido no rosto e no corpo de uma trabalhadora, Francieli Priscila Correa Froelich, mulher, empregada doméstica. E não fez isso sem insultá-la, chamando-a de vagabunda enquanto puxava seus cabelos. Queria intencionalmente arrancar-lhe a face. “Nunca mais vai usar produto de beleza”, ele dizia no vídeo.

Pão e Rosas@Pao_e_Rosas

quinta-feira 22 de julho | Edição do dia

Estamos no país onde o presidente asqueroso trata as mulheres como frutos de “uma fraquejada”, que pensa pesar negros “em arrobas”, que tem pena do patrão enquanto chama trabalhadores de vagabundos. No país de Bolsonaro, Mourão e Damares, além de outros tantos reacionários ocupando o parlamento ou vestindo toga, uma mulher é morta a cada 6 horas e meia. Mulheres trans são queimadas vivas numa praça ou têm seu coração arrancados em nome de deus. Mulheres e meninas são espancadas dentro das suas casas, violentadas. Se não é a violência machista, é a violência estatal, através do seu braço armado, a polícia, que tira a vida de uma jovem grávida cheia de sonhos ao piscar dos nossos olhos.

A violência contra Francieli é brutal, inominável. Francieli teme perder sua visão, nesse caso que escancara mais uma vez o sadismo escravocrata da patronal brasileira, que a cada ato seu tenta impedir que a sociedade enxergue "através dos olhos das mulheres". Jogaram ácido em seu rosto de forma vil e não arrancaram-lhe a beleza, mas queriam arrancar-lhe o sorriso ou qualquer lastro de alegria que em meio a um sistema tão voraz contra as mulheres, são raros, mas são sinceros e cheios de vida. Ameaçavam o seu filho de apenas 11 anos, a sua prole.

A dor é insuportável.

Estamos no país de 6 milhões de empregadas domésticas, a maioria negras. Fruto da escravidão e herança do patriarcado, essas trabalhadoras sofrem todo tipo de abuso. A primeira pessoa a morrer vítima da covid-19 foi uma mulher negra, empregada doméstica. Recentemente foi libertada outra mulher negra, escravizada pelos patrões por 38 anos. Empregadas domésticas relataram que, com a desculpa da pandemia, seus patrões não as deixavam ir embora, fazendo delas escravas 24 horas por dia. As mulheres negras recebem 60% a 80% menos que um homem branco e estão nos postos de trabalho mais precarizados.
Esses números não são meras estatísticas. Esses números representam o tamanho do exército de trabalhadoras que, se munidas do ódio contra a violência de gênero, contra o racismo e contra a exploração e unida à toda a nossa classe, podem mudar tudo.

Construir a unidade das nossas fileiras é urgente. Só a classe trabalhadora pode paralisar a produção e essa roda de dor e morte. É preciso lutar por justiça a Francieli e fazemos esse chamado à esquerda, às parlamentares do PSOL e ao movimento de mulheres.

Nesse fim de semana, ocorre no sábado, 24/07, o ato pelo Fora Bolsonaro, que precisa expressar a força das mulheres na linha de frente e que a nossa luta é uma só. A luta pelas demandas das mulheres contra o machismo e o racismo, a luta contra Bolsonaro, mas também Mourão e seu governo reacionário, deve ser uma só luta que unifique o movimento de mulheres, o movimento negro, LGBTs, indígenas, com a classe trabalhadora, batalhando em cada local de estudo e trabalho por assembleias que permitam a organização das nossas fileiras e a retomada dos nossos métodos de luta, como a greve geral tão urgente e que as centrais sindicais se negam a construir.

Nessa unidade é que temos força para enfrentar todo esse regime do golpe e também o sistema econômico que ele quer preservar.

No domingo, no dia 25/7 é dia latino-americano e caribenho da mulher negra e nada mais urgente do que se organizar para vingar cada violência que sofrida, e subverter a ordem das coisas. Como diria Trotsky, os que lutam com mais vontade pelo novo, são os que mais sofreram com o velho. O velho é justamente esta sociedade capitalista que nos divide, nos violenta, oprime e explora.

O movimento de mulheres tem que voltar a tomar às ruas no Brasil com essa perspectiva de unidade das nossas fileiras, confiando na força da classe trabalhadora com os oprimidos na linha de frente. Ser parte de uma enorme força que obrigue as centrais sindicais saírem da paralisia e romperem com a prática de dividir as nossas demandas e nossas lutas, separando-as entre econômicas e políticas e nos enfraquecendo.

Como disse Letícia Parks: “Na justiça da luta de classes vamos cobrar por cada lágrima, e vai doer mais que ácido”

Francieli, estamos ao seu lado!




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