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Campanha #MilãoNãoPara causou mortes em massa e Prefeito de Milão admite erro

Após compartilhar um cínico e grotesco vídeo, no dia 27 de fevereiro, endossando a campanha “#MilãoNãoPara”, o prefeito de Milão Giuseppe Sala reconheceu, nessa quinta-feira (26/03) seu erro ao incentivar as pessoas a continuar as atividades econômicas e sociais, mesmo com a pandemia do COVID-19. Hoje, a Itália registrou o maior número de casos em um só dia desde o começo da pandemia, totalizando quase mil mortos – somando-se aos já quase 10 mil mortos, dentre os quais 4,4 mil estão na cidade de Milão.

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

Essa situação só demonstra o descaso e a miséria dos agentes políticos da burguesia em todo o mundo; desde Bolsonaro e seu apelo anticientífico e sua campanha idêntica lançada nacional de #oBrasilnãopodeparar, até o primeiro-ministro negacionista da Inglaterra – um dos últimos países a tomar medidas reais contra o COVID-19 – Boris Johnson, o mesmo que acabou de atestar positivo para a doença. O prefeito de Milão só é mais um capacho do grande capital, assim como todo bom agente do poder burguês.

Cada ser humano morto por essa doença não é uma estatística qualquer. São trabalhadoras e trabalhadores, idosos ao relento por causa da reforma de previdência, entregadores do iFood e do Rappi, enfermeiras e faxineiras de hospitais. Cada ser humano morto por essa doença é um sintoma da decadência do capitalismo em escala global, a expressão mais real de que a dominação dos grandes empresários não dá mais!

Nesse sentido, é preciso pautar uma alternativa para além das insuficiências, da negligência e do cinismo da extrema-direita. É preciso gritar por testes massivos já, pelo mapeamento e sequenciamento racional e científico da doença, sabendo exatamente quem está doente e quem não está – tornando a quarentena e o isolamento muito mais eficazes no combate real a doença. É preciso gritar por mais leitos de UTI com respiradores já, visto que os sistemas de saúde no mundo todo estão ficando sobrecarregados, outros mais, outros menos, dependendo do nível de sucateamento e do avanço das “reformas” neoliberais sobre a saúde. É preciso gritar pela auto-organização da classe trabalhadora!

Só as trabalhadoras e trabalhadores podem esmagar o COVID-19, o vírus do capitalismo, desde seus locais de trabalho, construindo comitês de fábrica, comitês de emergência, greves – organizando a produção para atender as necessidades mais imediatas da classe trabalhadora, não os lucros dos patrões, o cinismo dos políticos burgueses! Já podemos ver exemplos reais disso: na Argentina, uma gráfica controlada por trabalhadores passa a produzir álcool em gel e máscaras; estoura uma greve na Espanha frente a recusa dos trabalhadores da Airbus a fabricarem aviões e se expor em meio a uma crise sanitária sem precedentes; greve geral na Itália, um dos países mais atingidos pelo vírus.

A classe trabalhadora está exposta. Uma hora, a faísca conduzirá a explosões. É nesse momento que devemos agir, gritar pela vida, gritar pelo fim desse sistema econômico falido e podre – que explora, mata e deprime milhões de trabalhadores. Quem não para é a revolta, é a força da classe trabalhadora disposta a sepultar o cinismo de Giuseppe Sala e de toda a burguesia.




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