Educação

INTERVENÇÃO

Bolsonaro intervém na UFPB e nomeia Valdiney Veloso como reitor

Nesta manhã de quinta-feira (5), foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) a decisão de Jair Bolsonaro onde nomeia para o professor Valdiney Veloso como reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), para os próximos quatro anos.

quinta-feira 5 de novembro| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

Segundo o texto publicado no DOU, o professor assume na quarta-feira (11), mesmo após ficar na terceira colocação (onde dividiu chapa com Liana Filgueira) na lista tríplice, sendo a menos votada na consulta pública e não ter tido nenhum voto do Conselho Pleno da instituição.

Valdiney Veloso é professor titular na área de psicologia atuando na Universidade Federal da Paraíba. Formado em Psicologia, pela Unipê (Centro Universitário de João Pessoa). Ele também é especialista em psicometria, com mestrado e doutorado em Psicologia Social.

Apesar de sua formação, a nomeação de Valdiney gerou polêmica, e o Comitê de Mobilização pela Autonomia e contra a Intervenção na UFPB, composto por diversas entidades e coletivos da comunidade acadêmica da instituição, divulgou uma nota de repúdio.

"Não vamos aceitar esta intervenção, pois não foi esta a nossa escolha. A comunidade acadêmica da UFPB escolheu a Chapa 2 nas eleições, elegendo a Professora Terezinha Martins tanto na consulta eleitoral como nos Conselhos Superiores. O professor Valdiney contou com 5% de votos na consulta e no colégio dos Conselhos Superiores não teve um único voto. A nomeação é flagrantemente ilegítima, desrespeitando a autonomia universitária e faz parte do contínuo projeto de destruição do ensino público", diz a nota.

Sobre o fato de ter sido o terceiro colocado na lista tríplice e não ter tido nenhum voto do Conselho Pleno da instituição, o professor comentou: “Normal, dado que é um processo e o processo não se encerra com a consulta pública, não é uma eleição, é uma consulta pública, encerra-se com a nomeação do presidente”. O novo reitor também acrescentou que o presidente o considerou como a “melhor opção para esta conjuntura e este momento”.

Não é de hoje que Bolsonaro vem nomeando interventores nas universidades federais, como é o exemplo da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal do Semiárido (UFERSA). Isso mostra suas medidas autoritárias de não escolher o primeiro da lista mais votado e desrespeito à autonomia universitária.

Não é à toa que Bolsonaro escolhe peças chaves para seguir com seu projeto ideológico e privatista nas universidades, como é o caso de Valdiney que em entrevista à Tv Cabo Branco disse que irá buscar parcerias com empresas “que venham a somar, que venham a trazer bolsas, recursos pra pesquisas e pra extensão”, enfatizou, acrescentando que não se pode ficar “estirando a mão e pedindo do governo federal”.

Veloso, em uma de suas falas também comentou sobre as obras inacabadas da instituição, o professor explica que é preciso entender se o problema é financeiro ou jurídico, para então executar uma resolução. “Difícil prometer quando nós não conhecemos a situação real”, acrescentou.

É necessário que as entidades estudantis e sindicais organizem uma luta dos alunos e trabalhadores das universidades para barrar todos ataques e avanços de medidas autoritárias de Bolsonaro e sua corja, lutando por uma estatuinte livre, soberana e democrática, para que sejam os estudantes e trabalhadores que decidam os rumos das universidades.




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