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Movimento estudantil | Assembléia UFABC 29M: Correnteza vota com UJS contra exigência à UNE a organizar assembleias com voz e voto

Nesta quarta-feira, no 19M o "Esquenta" pro 29M - Dia Nacional de Mobilizações contra os Cortes, mais de 80 estudantes da UFABC se reuniram em Assembléia Extraordinária convocada pelo DCE para debater a situação política do Brasil, os cortes bilionários de verbas no orçamento das Universidades Federais, muitas correndo risco de fechar em Julho e como organizar a nossa mobilização.

Bruna CarvalhoJovem trabalhadora do ABC Paulista e militante do Pão e Rosas

sexta-feira 21 de maio | Edição do dia

A Assembleia Extraordinária teve uma abertura dos coordenadores do DCE, atualmente dirigido pela Correnteza, a respeito da aprovação no Congresso Nacional, no Senado e depois dos vetos bilionários de Bolsonaro ao orçamento das federais e de como isso impacta a situação das universidades federais, com muitas já anunciando risco de fechamento por não ter o suficiente para arcar com a manutenção e salário dos funcionários e professores como é o caso da UFABC.

Foi apresentado uma visão da atual situação política e econômica do país em meio a crise sanitária que já ceifou mais de 400 mil vidas, com 14,4 milhões de desempregados e o aumento dos subempregos, a situação de ataques contra os direitos dos trabalhadores se combina a política de ataques as universidades públicas e maior precarização do futuro da juventude.

Na abertura da atual gestão do DCE, ao apresentar toda esta dramática situação que vive hoje a nossa classe e a juventude do nosso país, muitos estudantes inclusive jovens trabalhadores, colocaram como único responsável o governo genocida de Bolsonaro, e pouparam outros atores políticos fundamentais, como o vice presidente, Mourão, saudosista da Ditadura Militar e racista até a medula, que recentemente chamou os mortos pela polícia em Jacarezinho de bandidos, assim como todo o regime do golpe institucional que aprovou junto a Bolsonaro os ataques a educação, a saúde e aos nossos direitos. Para nós da juventude Faísca e do Esquerda Diário, precisamos enfrentar os ataques e cortes com mobilizações, contra o conjunto das instituições desse regime político que os aprova, que é responsável pelo aprofundamento da precarização as universidades federais, iniciada nos governos do PT.

Virgínia Guitzel, estudante do BCH, e militante da Juventude Faísca e do Esquerda Diário, pediu para dar um informe e interveio relatando a importante greve dos Metroviários de São Paulo, que nesta quarta feira fizeram uma luta contundente contra Dória que queria atacá-los como uma porta de entrada para promover ainda mais ataques ao conjunto dos trabalhadores.Os Metroviários responderam com a força da sua mobilização em aliança com a população, defendendo Vacina para todos, mais contratação de funcionários para combater a super lotação nos transportes e a garantia dos seus direitos sendo um setor que não parou um dia sequer desde o início da Pandemia. Virgínia reivindicou uma moção de solidariedade à greve dos metroviários de São Paulo colocando a força da unificação da nossa classe junto a luta nas federais para o enfrentamento não só de Bolsonaro mas de todos os golpistas.

A Assembleia contou com participação de ingressantes de 2021 e 2020, veteranos de BCH BCT e também algumas pessoas da pós graduação com muitas intervenções, reflexões e inúmeras propostas dos estudantes para ampliar a participação estudantil, pensando as dificuldades da fragmentação imposta pelo EaD, o papel das entidades representativas, as formas de construção da mobilização do dia 29M e como relacionar as demandas da UFABC ao movimento nacional das federais contra os cortes. Uma verdadeira expressão de disposição de luta e de construção de um enfrentamento com Bolsonaro, Dória e todos que atacam a educação e os trabalhadores.

Correnteza vota com UJS contra exigência a UNE a organizar assembleias com voz e voto

A Assembleia Extraordinária foi certamente um ponto de partida para organizar a luta dos estudantes da UFABC junto aos trabalhadores efetivos, terceirizados e professores para enfrentar os cortes, o ensino remoto e o sucateamento da pesquisa, entre tantos outros ataques, nas mobilizações nacionais do dia 29, junto com as demais universidades federais atingidas.

E para conseguir organizar de maneira efetiva todas as forças que podem ser cruciais para barrar esses ataques, entrou em discussão na Assembléia, quais ações deveriam ser tomadas para efetivar essa organização. Neste marco, foi proposto exigir da UNE que organize assembleias em todas as universidades com voz e voto para os estudantes decidirem os rumos da luta.

A Correnteza que está a frente da atual gestão do DCE, eleita em 2019, não apenas foi contrária a exigir da UNE como votou junto com a UJS para suprimir a proposta, sob a suposta defesa da autonomia de cada universidade a realizar as suas próprias reuniões e buscando dizer que a UNE não teria nenhuma responsabilidade a respeito disso. A UJS que está a frente da UNE há décadas é reconhecida como a Juventude do Rodrigo Maia, e foi responsável por desorganizar a nossa luta contra a Reforma da Previdência e contra o Golpe Institucional, separando as lutas da juventude dos dias nacionais de luta dos trabalhadores. Foi o que vimos em 2019, quando a entidade esteve a frente da direção de todo o processo de mobilização estudantil do tsunami da educação, mas, apesar do PCdoB e do PT dirigirem duas das principais centrais sindicais do país, não atuaram num sentido de unificar a luta dos estudantes com a luta dos trabalhadores. Durante a pandemia, a direção majoritária da UNE seguiu a mesma lógica, por um lado transformando as entidades estudantis em ouvidorias do EAD, sem organizar os estudantes, apenas promovendo ações midiáticas que comprovaram sua ineficiência e atuando burocraticamente, como seguem hoje, chamando lives com Reitorias de plenária e assembleia, sem direito a voz e voto aos estudantes. Assim, mantém entidades burocráticas que não organizam a luta dos estudantes e trabalhadores desde a base a serviço da passividade rumo as eleições de 2022, depositando todas as ilusões da juventude e da classe trabalhadora de que a saída para todas as nossas demandas virá pela via da eleição de Lula.

Nós da Faísca acreditamos que não podemos esperar 2022. Precisamos lutar agora e é por isso que estamos debatendo em todas as Assembleias pelo país onde participamos, como é inadmissível que esteja acontecendo lives ao invés de assembleias em diversas universidades, que os estudantes não podem votar e sequer falar e propor como organizar a nossa luta. Que o combate ao papel burocrático da direção majoritária da UNE levado a frente pelo PT, PCdoB e Levante é uma tarefa fundamental de quem se proponha a ser uma Oposição à ala majoritaria da União Nacional dos Estudantes. Pensando nisso, propusemos esta exigência a direção da UNE, não para substituir nenhuma entidade estudantil onde ela não esteja, mas para que ela faça cargo da sua responsabilidade de garantir espaços democráticos de auto organização, que permita com que o movimento estudantil se organize e decida cada passo da nossa mobilização. Como parte dessa mesma batalha em defesa da auto organização nacional dos estudantes, defendemos que o conteúdo da nossa luta fosse contra o conjunto dos setores que nos atacam todos os dias. Nesse sentido, defendemos a proposta de termos um Bloco da UFABC com a faixa: "Unificar a luta contra os cortes pela base! Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas", como parte de que os estudantes da UFABC possam pesar a sua organização para batalhar por uma construção democrática nacionalmente da nossa luta. Essa é a batalha que travamos na UFABC e fomos acompanhados por um setor da Assembleia, perdendo a nossa proposta por 17 votos contra 16 favoráveis.

Convidamos a todos os estudantes que concordam com a batalha por construir a mobilização do dia 29M pela base, com a garantia do direito a voz e voto nas assembleias, com uma perspectiva de unificação das federais a participar neste domingo, as 16 horas, da Plenária Nacional da Faísca para debater conosco como construir uma atuação comum em cada universidade.




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