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Política Pernambucana | As costuras políticas para as eleições de 2022 em Pernambuco

Apresentamos aqui uma breve análise sobre as articulações políticas em vista às eleições de 2022 no Estado.

sábado 31 de julho | Edição do dia

Ainda falta mais de um ano para as eleições do ano que vem. No entanto as articulações para as eleições de 2022 estão a todo vapor no estado.

A disputa que vimos ano passado entre PT e PSB é provável que se repita. Ainda que não esteja certo qual nome será pelo PSB – lembrando que Paulo Câmara está no segundo mandato, portanto não pode disputar reeleição – é quase certo que o partido tentará manter por mais 4 anos o controle do Estado que já mantém há 15. A imprensa especula o nome do ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio. Ao mesmo tempo, Marília Arraes vem se colocando publicamente como pré candidata pelo PT, e disse que não irá deixar a sigla.

No entanto, temos que ver o impacto das negociações sobre as eleições presidenciais na política local. Lula e o PT vem fazendo vários movimentos no sentido de buscar o apoio do PSB para as eleições à presidência. Uma ala do PSB tende atualmente a apoiar o ex-presidente, incluindo o governador Paulo Câmara. Por outro lado, há uma outra ala no partido – liderada por João Campos - que fala que ainda é “cedo” para pensar nisso e defende apoiar a “terceira via” ou inclusive que o PSB lidere a mesma.

Ao mesmo tempo, as disputas ainda estão abertas no PT. Em 2018, o partido rechaçou a candidatura de Marília Arraes ao governo do estado em troca do apoio ao PSB. Ano passado, uma ala também tentou impedir a candidatura de Marília, mas contando com intervenção da direção nacional e do próprio Lula Marília garantiu que o PT tivesse candidatura própria a prefeitura do Recife. Esse ano Marília vem de um importante desgaste no partido após a eleição da Mesa Diretora do Congresso Nacional, onde a deputada se candidatou e ganhou a 2ª Secretaria contra a orientação do partido, derrotando inclusive um deputado petista de Sergipe. Além disso, está em aberto o peso que as alianças para a presidência influirão na política estadual.

A direita mais abjeta também começa a se articular. O prefeito de Petrolina Miguel Coelho, filho de Fernando Bezerra Coelho (FBC) – líder do governo Bolsonaro no Senado – está se colocando como candidato. Junto com o pai, já estão articulando diversos apoios e fizeram nessa semana uma agenda com diversos prefeitos de oposição. O prefeito de Paulista, Yves Ribeiro do MDB, apoiou a candidatura, dizendo que o partido tinha de ter candidatura própria. Durante o encontro com a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), foi ressaltado a importância de se discutir uma alternativa para o estado. Já o prefeito de Olinda, Lupércio Nascimento do Solidariedade, disse que as “portas ainda estão abertas”, mas que também deseja pleitear o Palácio das Princesas

No entanto, os Coelho contam com a oposição do seu próprio partido, o MDB. Estando na base de apoio tanto de Paulo Câmara como de João Campos, a chamada “Frente Popular” (tanto de Pernambuco quanto do Recife), a direção estadual do partido soltou nota dizendo que se mantém dentro da Frente Popular e que inclusive a proximidade dos Coelho com Bolsonaro seria um impeditivo para a candidatura própria. No entanto, FBC tenta reverter a decisão no Diretório Nacional e especula-se que caso não consiga pode tentar ir para o DEM de Mendonça Filho. Ao mesmo tempo o PSB também faz seus movimentos e tenta se aproxima dos Coelho, mesmo que FBC seja líder do governo no Senado. Mostram com isso que seus interesses eleitorais estão acima de qualquer princípio político.

Outra representante da direita, a delegada Patrícia parece querer repetir seu fiasco. Após receber o apoio explícito de Bolsonaro e ficar em 4º lugar nas eleições do ano passado, com 14% dos votos, Patrícia afirmou que quer ser candidata de novo em 2022. No entanto, a delegada também disse que também está conversando com os Coelhos.

Quem são os Coelhos?

Os Coelhos são típicos representantes das oligarquias regionais com todo seu fisiologismo político. A família Coelho é uma linhagem de coronéis e políticos influentes da região de Petrolina desde pelo menos o início do século XX. Clementino de Souza Coelho, conhecido como “coronel Quelê”, era um proprietário de terras e foi sub-prefeito da cidade entre 1913 e 1916 e depois em 1927 [1] e depois foi considerado por muito tempo chefe político da cidade [2]. Seu filho Nilo Coelho fez carreira política em Petrolina e depois foi governador biônico do estado de Pernambuco durante a ditadura militar, entre 1967 e 1971. Depois, ainda foi senador pelo estado de 1979 até sua morte em 1983, sendo também presidente do Senado nesse último ano.

Um de seus sobrinhos de Nilo é justamente Fernando Bezerra Coelho. Com o pontapé inicial do tio, Fernando se filia ao PDS, ex-ARENA, para ingressar na carreira política, onde se elege deputado estadual pela primeira vez em 83. Vai para o PFL em 1986 e depois para o PMDB e depois o PPS. Pelo antigo e atual partido é que FBC ganha a primeira eleição para a prefeitura de Petrolina (depois seria eleito de novo em 2000 e 2004). Aproveitando a onda do PSB no estado, migra para esse partido em 2002 e em 2006 assume a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidir o Complexo Portuário do Porto de Suape, durante a gestão de Eduardo Campos. Deixa o cargo no final de 2010, para ser Ministro da Integração Nacional de Dilma em 2011. Com o PSB rompendo com o governo em 2013, FBC sai do cargo para disputar as eleições de Senador em 2014, conseguindo se eleger. Com o golpe de 2016, migra para o MDB para apoiar Michel Temer, que tinha selecionado seu filho Fernando Bezerra Coelho Filho como Ministro de Minas e Energia. Com a eleição de Bolsonaro, passa a ser líder do governo no Senado.

Mais do que meramente narrar a trajetória dessa figura desprezível, analisar ela nos mostra as verdadeiras faces dessas oligarquias. Assim como as figuras do centrão (do qual muitas oligarquias fazem parte) como Ciro Nogueira, que chegou a chamar Bolsonaro fascista e agora é líder do governo, FBC iniciou carreira no PDS, foi parte do governo Dilma e agora de Bolsonaro. São totalmente fisiológicos e apoiam qualquer político (ou regime) de acordo com seus próprios interesses políticos.

Notas:
[1] https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/1645/1/arquivo4945_1.pdf

[2] http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=18376&dir=genxdir/




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