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1º DE MAIO INTERNACIONALISTA DA FRAÇÃO TROTSKISTA | Argentina: "Lutamos a partir da independência de classe, na perspectiva de um governo de trabalhadores!"

Confira a intervenção de Raul Godoy, da Argentina, no Primeiro de Maio Internacionalista da Fração Trotskista - Quarta Internacional. Godoy é dirigente do PTS, ex-deputado estadual em Neuquén e operário de Zanon, fábrica sob controle operário há 20 anos.

sábado 1º de maio | Edição do dia

Dirigente do PTS da Argentina, partido irmão do MRT e parte da Fração Trotskista - Quarta Internacional, Raul Godoy discursou no Ato Virtual do 1º de Maio Internacionalista. Ex-deputado estadual em Neuquén e operário de Zanon, fábrica sob controle operário há 20 anos e hoje chamada FaSinPat: Fabrica Sin Patrones. Confira abaixo sua fala:

"A rebelião anti-burocrática em Neuquén enfrentou a condução sindical, mas mostra o caminho para toda a classe trabalhadora. Como apontamos no Manifesto por uma Internacional da Revolução Socialista, as burocracias sindicais e de outros movimentos são um fenômeno que existe em todo mundo. São a penetração do Estado na classe trabalhadora e nos movimentos sociais.

Sua função é subordinar a luta de classes às negociações por demandas corporativistas e manter a classe trabalhadora e seus aliados como movimentos parciais sem questionar em nada o capitalismo. Por isso, é fundamental desenvolver os espaços de coordenação e auto-organização entre todos os setores da classe operária, começando pela unidade entre os empregados e os desempregados, superando as demissões, as barreiras e os limites dos sindicatos.

No ano de 2003 em Neuquén, com a luta de Zanon e do Sindicato Ceramista, junto com o Movimento de Trabalhadores Desempregados, criamos a Coordenação Regional do Alto Valle, que agrupava trabalhadores empregados e desempregados, as agrupações combativas do sindicato de docentes e da saúde, junto da esquerda classista. Esta Coordenação não lutava apenas de forma autônoma, mas fazia exigências de paralisação e unidade de ação com os grandes sindicatos, muitas vezes confluindo nas ruas.

Ao mesmo tempo, desde a gestão operária convertida em uma grande trincheira de luta, estabelecemos uma aliança com o povo mapuche assediado pelas petroleiras, com a juventude secundarista, universitária, com artistas, com nossos irmãos e irmãs desempregados. Lutamos no 19 e 20 de dezembro de 2001, quando o governo De la Rúa foi derrubado pela mobilização de massas e depois disso, o kirchnerismo, apoiando-se na desvalorização prévia e na precarização de milhões de assalariados, conseguiu recompor a autoridade do Estado em base ao crescimento econômico e a uma política que tirou as massas das ruas, expropriando suas demandas. Hoje, o peronismo unificado subiu ao poder novamente como um mal menor, depois de 4 anos do neoliberalismo de Macri.

No limite do ajuste, em meio a uma crise econômica e social aguda e milhões de trabalhadores começam a fazer novamente uma experiência. Por isso, nos processos da luta de classes que vêm se dando na Argentina, batalhamos para desenvolver essa política de coordenação, junto com um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas, contra a conciliação com o grande capital e o FMI, e contra a oposição de direita e extrema direita. Lutamos desde a independência de classe na perspectiva de um governo de trabalhadores.

Viemos de uma grande jornada de mobilização no 27 de abril, em unidade entre os empregados e os desempregados de todas as lutas vigentes em Buenos Aires e a Grande Buenos Aires. Agora desde a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade estamos lutando para que se expresse a voz da classe trabalhadora e para erguer uma tribuna de classe no cenário político nacional, como vem fazendo nossos companheiros Myriam Bregman e Nicolas Del Caño em suas denúncias contra a especulação e as negociatas que fazem com as vacinas, exigindo a quebra das patentes e declarar de utilidade públicas os laboratórios que as fabricam, porque nossas vidas valem mais que o lucro deles.

Hoje, estamos diante de uma nova crise que golpeia duramente a classe trabalhadora, precisamos avançar em uma política de auto organização e coordenação. Demos um primeiro passo de coordenação com o Encontro realizado em Madygraf, fábrica sob gestão operária, no último 17 de abril. Mas temos que ir por mais. É preciso desenvolver comitês de ação desde as bases, encontros, coordenações, todos os espaços que nos permitam ir além dos limites que as burocracias sindicais impõem ao desenvolvimento da luta de classes.

Necessitamos recuperar a tradição dos conselhos operários que o stalinismo, a social-democracia e os nacionalismos burgueses combateram sistematicamente, para que o movimento de massas não saísse dos moldes impostos pelo Estado. Estas novas organizações surgidas na calor das lutas, têm de ser um ponto de apoio para impor a Frente Única Operária aos grandes sindicatos, impulsionando a democracia direta, com uma política classista e de independência em relação ao Estado, unindo a classe trabalhadora e suas organizações com o movimento de mulheres e a juventude e com um programa de saída operária para a crise.

Assim fizeram meus camaradas do PTR na recente rebelião chilena, promovendo o Comitê de Emergência e Resguardo em Antofagasta, que chegou a agrupar sindicatos da indústria metalúrgica e de portuários, docentes, a juventude precarizada e comitês de bairros populares que encabeçaram a organização e convocação da greve geral que fez tremer o governo de Piñera.

Esta política de luta pela auto-organização, assim como pela frente única da classe trabalhadora e por sua unidade com todos os setores oprimidos, é uma bandeira fundamental na batalha por construir partidos revolucionários em cada país e uma Internacional da Revolução Socialista, a Quarta Internacional. A serviço dessa política, colocamos à disposição nossa Rede Internacional de Diários, o Esquerda Diário, com suas 15 edições em 7 idiomas, com milhares de artigos e colaboradores em todo mundo, some-se a esse projeto com nós!"

Leia aqui o Manifesto internacional O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista




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