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LANÇAMENTO | Andrea D’Atri fundadora do Pan y Rosas, no lançamento do Mulheres Negras e Marxismo

Confira um trecho da fala de Andrea D"Atri durante a live de lançamento do livro Mulheres Negras e Marxismo. A live ocorreu nessa sexta-feira, 26 de março, e contou com a presença das três organizadoras do livro, Letícia Parks, Odete Assis e Carolina Cacau e as convidadas especiais Mirtes Renata, Renata Gonçalves e Andrea D’Atri.

sábado 27 de março | Edição do dia

"No sistema capitalista, as classes exploradas não são homogêneas, mas sim, são variáveis. Muito mais do que a burguesia. Os aparentes antagonismos entre identidade e classes, que aparece com um problema para muitas correntes de esquerda, é uma novidade são algo dos últimos 30 anos. Nós já víamos nos textos do Marx sobre isso na questão de identidade que os operários irlandeses sofriam com opressão (..) Marx dizia sobre esse problema entre identidade e classe, que só se resolveria se a raiz do problema fosse atacada. Ou seja, se os operários ingleses lutavam também contra a opressão nacional que a Irlanda sofreu para assim poder caminhar para uma revolução social em toda a Inglaterra. Apresento esse exemplo somente para recuperar a complexidade do pensamento marxista e uma posição a todas a simplificações ou ridicularizações que o pós-modernismo criaram para estabelecer um adversário teórico e político que fosse fácil de enfrentar. (..)

A dicotomia entre identidade e classe não faz sentido. A classe operária é formada por milhões de trabalhadores e trabalhadoras precárias, imigrantes, negros, que são os setores mais precarizados e mais empobrecidos dessa classe. São os que sofrem mais com os trabalhos mais pesados, pelas piores condições. São os que sofrem mais com o racismo, a violência machista, a falta de moradia, e a ameaça de deportação (...)

Essa classe explorada cada vez mais feminina e negra, tem em suas mãos o poder de estabelecer aliança com outros setores populares oprimidos pelo o capital. Por isso dizemos que a centralidade que tem a classe para o marxismo deriva da análise da própria sociedade em que vivemos, do modo de produção capitalista (...) se toma possível que a classe trabalhadora conquiste o poder, somente se antes conquiste a hegemonia entre os setores oprimidos (..)

Um marxismo estratégico tem o desafio também de construir uma organização para que oprimidxse exploradxs possam avançar da esforçada e paciente resistência à conquista da vitória.”




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