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EUA | Amazon quer proibir funcionários de usar palavras como “trabalho escravo” e “sindicato”

segunda-feira 4 de abril | Edição do dia

A Amazon, nos Estados Unidos, quer bloquear e marcar posts de funcionários, em um aplicativo de mensagens interno, que contenham certas palavras-chaves, segundo matéria do The Intercept.

O funcionamento daria dessa forma: um monitor automático de palavras irá bloquear uma variedade de termos que possam representar críticas em potencial às condições de trabalho na Amazon, como “trabalho escravo”, “liberdade”, “eu odeio”, “prisão”, “plantation”, ou mesmo “banheiros” (já que funcionários muitas vezes tem que fazer suas necessidades em garrafas para cumprir as metas).

Isso ocorreu poucos dias após os trabalhadores da empresa conquistarem uma vitória histórica, que é a formação de seu primeiro sindicato de Staten Island, em Nova York. Uma conquista arrancada com muita luta dos funcionários e ex-funcionários da empresa. Agora a empresa que já gastou mais de US$ 4 milhões em consultoria contra a formação do sindicato, está tentando impedir com que a sindicalização se espalhe entre os funcionários.

Segundo os documentos que o Intercept analisou, o aplicativo pretende identificar as palavras e automaticamente bloqueará o funcionário de enviar a mensagem que contenha alguma expressão “profana” ou “inapropriada”. O documento resume: “Com texto livre, nós corremos o risco de as pessoas escreverem “Shout-Outs” [um tipo de mensagem interna] que geram sentimentos negativos entre as pessoas”.

A empresa afirma também pelo o documento que com essa medida quer gerar um ambiente mais saudável entre os funcionários. é um tremendo absurdo esse tipo de censura que estão impondo aos trabalhadores. Não se pode falar a palavra sindicato após os funcionários conquistarem essa importante ferramenta de luta, em uma medida totalmente anti-operária. Mais escandaloso ainda é as palavras “trabalho escravo” e banheiro ser proibida de falar. A Amazon é globalmente conhecida pela superexploração que submete os seus trabalhadores, e assim, consegue tirar altas taxas de lucro para o seu dono que nada mais é nada menos que Jeff Bezos, um dos burgueses mais ricos do mundo.

Parece a ’novilíngua’, do 1984, de George Orwell, onde o Estado gradativamente suprimia palavras do vocabulário nacional a fim de limitar o pensamento da população. Mas não é ficção, é realidade, 2022 e a maior empresa capitalista do mundo.

Veja aqui uma lista de algumas palavras e expressões que serão proibidas pela empresa:

Eu odeio
Sindicato
Demissão
Compensação
Aumento salarial
Bullying
Assédio
Eu não me importo
Isso é preocupante
Isso é estúpido
Prisão
Ameaça
Injustiça
Diversidade
Ética
Justiça
Vacina
Acessibilidade
Salário digno
União
Escravo
Trabalho Escravo
Liberdade
Lixo
Coalizão
Robôs
Banheiros




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