DESVIO DE DINHEIRO

Wassef e advogados de Lula e Witzel são suspeitos de desvios no Sistema S

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quarta-feira, 9, a Operação Esquema S para investigar o possível desvio de cerca de R$ 355 milhões das seções fluminenses do Sesc RJ, do Senac RJ e da Fecomércio/RJ.

quarta-feira 9 de setembro| Edição do dia

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quarta-feira, 9, a Operação Esquema S para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas, escritórios de advocacia e outras empresas investigadas pelo possível desvio, entre 2012 e 2018, de cerca de R$ 355 milhões das seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) e da Federação do Comércio (Fecomércio/RJ).

Entre os alvos das buscas estão o advogado Frederick Wassef, que já defendeu o senador Flávio Bolsonaro, o advogado Cristiano Zanin, que representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a advogada Ana Tereza Basilio, que defende o governador reacionário afastado do Rio, Wilson Witzel.

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Segundo a força-tarefa da Lava Jato no Rio, a ofensiva é aberta em paralelo ao início de uma ação penal contra 26 pessoas, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo. A Procuradoria informou que a 7ª Vara Federal Cível do Rio aceitou acusação referente a parte das investigações, sendo que a peça abrange 43 fatos criminosos e trata de crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção (ativa e passiva), peculato, tráfico de influência e exploração de prestígio.

As investigações partiram da Operação Jabuti, aberta em 2018, e reuniram dados compartilhados de apurações da Receita, Tribunal de Contas da União, da Operação Zelotes, quebras de sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário, e também informações de Orlando Santos Diniz, ex-gestor das entidades paraestatais e delator, diz a Procuradoria.

O Ministério Público Federal informou que entre 2012 e 2018 o Sesc, o Senac e a Fecomércio do Rio teriam destinado mais de 50% do seu orçamento anual a contratos com escritórios de advocacia. A denúncia já aceita pela Justiça Federal aponta que de tal montante, ao menos R$ 151 milhões foram desviados em esquema supostamente liderado por Orlando Santos Diniz e integrado por Marcelo Almeida, Roberto Teixeira, Cristiano Zanin, Fernando Hargreaves, Vladimir Spíndola, Ana Tereza Basílio, José Roberto Sampaio, Eduardo Martins, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Os 11 foram denunciados por organização criminosa, indicou a Procuradoria.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o esquema incluía "o uso de contratos falsos com escritórios daqueles acusados ou de terceiros por eles indicados, em que serviços advocatícios declarados não eram prestados, mas remunerados por elevados honorários".

"As apurações comprovaram que Diniz era persuadido pelos integrantes da organização criminosa no sentido de que novos contratos (e honorários) eram necessários para ter facilidades em processos em curso no Conselho Fiscal do Sesc Nacional, no TCU e no Judiciário. Como os contratos eram feitos com a Fecomércio/RJ, entidade privada, o seu conteúdo e os seus pagamentos não eram auditados pelos conselhos fiscais do Sesc e do Senac Nacional, pelo TCU ou pela CGU, órgãos que controlam a adequação dos atos de gestão das entidades paraestatais com a sua finalidade institucional", indicou o MPF em nota.

O Judiciário é seletivo nos fatos a que escolhe dar visibilidade, escolhendo como e quando fazer sangrar figuras da política, mas sem ao mesmo tempo abrir qualquer crise política profunda envolvendo os principais atores do regime. Assim como o Congresso, que tem a frente hoje Rodrigo Maia (DEM), é parte desse jogo político e vem expressando essa mesma linha, afirmando que Bolsonaro não cometeu crime algum, logo que não tem que ser tirado da presidência, apesar das inúmeras evidências do envolvimento do governo federal com escândalos de corrupção, milícias, enfim.

Essa realidade escancara não só como há uma profunda podridão entre os jogadores, do qual o cão Bolsonaro é parte, como também há algo de muito podre em cada uma das regras desse conjunto de instituições do atual jogo político que envolve o Congresso, o Judiciário, os Militares e tantas instituições. Cabe a nós trabalhadores nos organizamos para transformar não só os jogadores mas todas as regras desse jogo já marcado pela burguesia, sem nenhuma confiança nessa Justiça e instituições cuja atuação hoje é voltada historicamente para que a profunda crise que vivemos seja descarregada em nossas costas.

Para isso, nós do Esquerda Diário defendemos como resposta a mobilização da nossa classe em torno de uma nova Assembleia Constituinte, verdadeiramente Livre e Soberana, nos apoiando na força dos trabalhadores, a começar pelos trabalhadores dos correios que estão em greve contra a retirada de direitos e os planos privatistas de Bolsonaro e Guedes, aos quais devemos prestar toda nossa solidariedade. Uma assembleia como essa, na qual os deputados sejam eleitos e revogáveis e que ganhem o mesmo que uma professora, poderia questionar o conjunto desse regime herdeiro do golpe institucional cujas instituições estão comprometidas até seu o cerne com os atores golpistas e os interesses da classe burguesa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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