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LANÇAMENTO MULHERES NEGRAS E MARXISMO NA UNIFESP | Veja como foi o lançamento do livro "Mulheres negras e marxismo" na Unifesp

Nesta segunda-feira, dia 12 de julho, ocorreu o lançamento virtual do livro “Mulheres Negras e Marxismo” na Unifesp. O debate foi mediado por Victoria Santello, estudante da Unifesp e militante do Pão e Rosas e teve a presença de Letícia Parks, organizadora do livro, professora em São Paulo e militante do Pão e Rosas e Quilombo Vermelho, Andréia dos Santos Menezes, professora do Departamento de Letras da EFLCH e líder do grupo de pesquisa CNPq "Análise de produtos culturais brasileiros e hispânicos: estudos discursivos e culturais", também estava presente Renata Gonçalves, docente da Unifesp em Santos e coordenadora do Núcleo de Estudos Heleieth Saffioti.

terça-feira 13 de julho | Edição do dia

A atividade contou com dezenas de estudantes da Unifesp e de outras regiões, que debateram sobre a importância do livro “Mulheres Negras e Marxismo” como uma ferramenta de luta das mulheres negras e da classe trabalhadora de conjunto. O livro traz a história de diversas lutadoras negras e utiliza o marxismo como método de análise e de emancipação, nos coloca na atualidade a necessária discussão de uma saída socialista para a crise capitalista, o machismo e o racismo.

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Professora Renata Gonçalvez

Renata Gonçalves abordou em sua fala como o livro destaca a importância das mulheres na linha de frente, na luta anti apartaid, na revolução haitiana, no BLM, e destacou a entrevista com a ativista Erika Huggins, do partido Panteras Negras. Ela tambpem citou a importância de compreender a participação das mulheres negras e tirar da invisibilidade essas mulheres. Mostrou como o livro desenvolve uma perspectiva classista internacionalista que aborda o racismo fora do Brasil e como ele é fundamental na exploração capitalista. Fez um breve resumo de vários capítulos do livro, como os Papéis de Caroline, citando as mulheres negras no mundo do trabalho e como o racismo e a desigualdade de gênero permanece subalternizando as mulheres negras. Destacou que não foi por acaso que foi uma mulher negra a primeira a morrer de Covid na pandemia, uma empregada doméstica, inclusive.

Também falou da importante entrevista com Mirtes Renata que teve seu filho deixado pra morrer, pois a patroa praticamente obrigou Mirtes a trabalhar no período de pandemia e Mirtes teve de levar seu filho ao trabalho pois as escolas não funcionavam, lá, por descaso da patroa, a criança caiu do apartamento. Por fim, marcou em sua fala que o passado escravista ainda é bastante presente mostrando que racismo, patriarcado e capitalismo andam juntos e que é fundamental superá-los através de uma estratégia socialista onde não haja hierarquia entre as opressões através de uma perspectiva revolucionária.

Professora Andreia Menezes

A Prof. Andreia dos Santos falou sobre a trajetória dela na Unifesp e sobre a procura das alunas em fazer projetos e estudar temas relacionados às mulheres. Ela fez questão de deixar claro o quanto as alunas que a motivaram a começar a aprofundar-se nos estudos sobre as correntes feministas e a questão de gênero como um todo, e o quanto este debate ainda é escasso na Unifesp.

Por meio do grupos de estudos que criou junto à essas alunas e pessoas de outras instituições, ela teve contato também com leituras voltadas para questões relacionadas à raça e questões sociais. Contou como isso tem sido colocado em prática no currículo da Unifesp.

Letícia Parks, organizadora do livro

Letícia Parks destacou que o livro é uma ferramenta de mobilização. É uma literatura que tem o objetivo de produzir revoltas e apontar caminhos de superação dessa situação de miséria social e sexual, econômica, científica, etc. Retomou o significado do livro que é entender de quais mulheres negras estamos falando quando abordamos o tema. Muitas conseguimos dar nomes, mas a grande maioria são mulheres anônimas. Mulheres que buscam o direito de falar, usar o cabelo como quiserem, não esconder a cor da pele, se identificar negra. Essa aceitação não foi pacífica. Foi produto de luta e revolta. Retomou também como historicamente o tema “mulher negra” passou a ser um tema de massas na cultura Nacional e Internacional.

Leia também: Movimentos e burocracias: um debate com a esquerda sobre a luta das mulheres e negros

Letícia desenvolveu de forma brilhante, citando vários exemplos pelo mundo, como os capitalistas nos afastam da consciência de luta pois têm medo da mobilização das massas negras e femininas se percebendo como setores estratégicos da classe trabalhadora e paralisando o capitalismo no seio do seu poder que é o lucro produzido pela nossa força de trabalho.

Além do debate central, as convidadas responderam perguntas feitas no chat no Youtube e Zoom.

Veja na íntegra o lançamento abaixo:




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