Educação

Taxa de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados nem-nem, bate recorde na pandemia

Os dados demonstram como os jovens têm encontrado dificuldade em conseguir emprego, especialmente os recém formados do ensino médio ou do ensino superior. São também os jovens os mais demitidos, com empregos informais e instáveis.

quinta-feira 22 de outubro| Edição do dia

Foto: Fernando Donasci/Folhapress

Dados publicados pelo O Globo nesta semana indicam que durante a pandemia a parcela dos chamados nem-nem, jovens que não estudam nem trabalham, bateu recorde. Os jovens na faixa etária entre 20 a 24 anos que se encontram sem estudar nem trabalhar no último trimestre de 2019 contabilizavam 28,6%, neste ano totalizam 35,2% no segundo trimestre, ou seja, com um intervalo de apenas seis meses, maior porcentagem já registrada. Na faixa de 25 a 29 anos, os jovens nem-nem contabilizam 33%.

Analistas, economistas e consultores declaram como o problema está no mercado de trabalho e na falta de empregos, especialmente para os recém-formados que acabam sendo secundarizados no momento de contratação, que pelo desemprego crescente, está escassa.

Mais do que a evasão dos estudos ou redução na frequência escolar, os dados indicam o aumento do desemprego na juventude. Jovens adolescentes, especialmente pertencentes à rede pública de ensino, encontraram maior dificuldade de se manter nos estudos durante a pandemia e o ensino remoto, visto as desigualdades, falta de estrutura, internet, computador, etc. Entretanto, jovens mais velhos, pertencentes ao ensino superior, ainda que apresentem desigualdade e uma diferença de dados a depender da classe social que o jovem faz parte, no geral conseguiram se manter nos estudos digitais.

Os jovens são mais propensos a serem demitidos também. A proporção de jovens de 25 a 29 anos empregados caiu de 70,5% para 60,9% entre o último trimestre de 2019 e o segundo deste ano. Para os jovens de 18 a 24 anos a queda no emprego foi de 21,9% comparando o segundo trimestre de 2019 com deste ano. Isso significa que em um intervalo de um ano, um em cada três jovens trabalhadores, perdeu o emprego. Por conta da crise econômica e desemprego, reinserir este jovem no mercado de trabalho tem sido tarefa árdua, explicando o recorde de jovens nem-nem.

Analistas preveem também que a informalidade tende a crescer ainda mais entre a juventude. Na pandemia o posto de trabalho informal cresceu bastante, seja de freelancer, autônomo, seja os trabalhos informais precários vinculados a serviços por aplicativo que neste ano aumentaram muito. As perspectivas são de que a informalidade cresça ainda mais após a pandemia, quando o auxílio emergencial será cortado. Os jovens são os principais candidatos à esse tipo de trabalho.

A pandemia afetou muito a vida da população, a renda das famílias, os empregos cortados e flexibilizados, contabilizando índices históricos de desemprego. Esses dados demonstram como essa situação afeta a juventude, deixando-a sem perspectiva de futuro, de renda e desenvolvimento profissional, sendo os primeiros a serem destinados a postos de trabalho mais precários e informais, com direitos flexibilizados e contratos instáveis.




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